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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Sonhos da realidade - ou conto de carnaval

Acordei pensando no que faríamos hoje. Provavelmente um café da manhã com brincadeiras ritmadas, batendo na mesa e fazendo movimentos de acampamento, ensinados pela Midori.

Depois, quem sabe, um pouco de jogos como Enciclopédia ou Scotland Yard. Mais tarde, poderíamos caminhar, ser teimosos e seguir por caminhos que nem sabemos onde vai dar - mas insistimos em querer adivinhar, mesmo sabendo que pode dar tudo errado. Não é, Fontes?

Sentir o mundo desabar em chuva temporal, vendo as pedrinhas de gelo caírem e formarem uma camada branca sobre os carros, a grama e tudo que se vê no horizonte. Dizer que fomos para Bariloche, quando nem saímos do estado. Brincar no granizo. Jogar para cima, quase queimar a mão no gelo, ficar com os pés tão gelados de andar sobre o granizo que mal os sentimos.

Quando a tarde cair, vamos partir para um almoço com alguma tentativa de delícia, como pizza com alcaparras, churrasco ou strogonoff. Quando a noite estiver se aproximando, podemos pegar o violão e deixar o Fabers e a Savi soltarem a voz, enquanto cantamos com eles - baixinho, para podermos ouvir as vozes deles mais alto.

Podemos comer mais tentativas de delícia, salgadinhos, beber vinho, comer fundue. Gritar "balada de cueca e meia", jogar mímica, sentir frio, se apertar em um único sofá-cama, mesmo tendo mais espaço.

Quando estivermos todos juntos, jogar en-tra no rit-mo, ensinados pela Alice, que insiste em falar groselhas, querer cantar e estragar músicas e tocar Songbird, achando que realmente toca violão - e, ironicamente, nos fazer gostar cada vez mais dela.

Ouvir dos pais dela que a gente deveria sair - e nós rirmos, porque curtimos estar juntos, mesmo sem sair todos os dias - exceção a uma noite, que fomos na cidade comer chocolate e ver o agito. Algo que nem demorou, porque nos divertimos só por estarmos juntos.

Nem pensar em dormir. Ficar na lareira, conversando, brincando de troca, transforma, frase e dando uma de Improváveis. Ouvindo uma frase que conta uma história e tentar desvendar o porquê dela. Mesmo com o dia amanhecendo, não querer dormir e se deliciar com a paisagem e com a pintura de amanhecer que se desenha no céu.

Mas quando olhei em volta, vi que não havia ninguém ali. Era a minha cama, o meu quarto. Nenhum barulho, nem vozes, nem risadas. Nem a beleza das manhã de Campos do Jordão. Nem os amigos, nem os seus sorrisos. O carnaval tinha chegado ao fim.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

No meio do nada

Achei que a minha falta de vontade de colocar as coisas que penso e escrevo no meu caderninho aqui no blog fosse por conta da falta de tempo. Quanto tive tempo, não tive ânimo. Achei que podia ser a falta de motivação das férias, ou do período procurando estágio... E o estágio veio. Mas, por enquanto, a motivação continua a mesma.

Talvez seja fruto da falta da convivência com os amigos (os velhos e os novos). Ou porque "gasto" minha criatividade o dia todo, na frente do computador, procurando pautas, buscando informações e, claro, escrevendo.

Isso tudo importa, mas pensando um pouco mais fundo, talvez essas sejam razões marginais. O problema talvez esteja no meio. Está tudo bem, mas nada ótimo. Nada está mal, mas está próximo. Há satisfação, mas não há alegria. No meio do nada.

Explico.

Adoro reclamar, ser irônico, às vezes cínico. Isso acontecia com muita freqüencia quando eu estava insatisfeito - no trabalho, fazendo algo que, definitivamente, não era eu, ou mesmo na vida pessoal. Problemas em relacionamentos ou problemas pela ausência desses relacionamentos.

Sempre gostei da música "Only Happy When It Rains", do Garbage. É a minha música favorita deles, que é a banda que mais gosto. Mas agora, ela nunca fez tanto sentido. A música é cínica. Não chega a ser triste, porque esse é um sentimento que parece sem força. É mais denso, mais escuro, mais cruel. Depressiva seria mais apropriado.

Um trecho da letra diz:
I'm only happy when it rains
I'm only happy when its complicated
And though I know you cant appreciate it
I'm only happy when it rains
Já interpretei a música de muitos jeitos diferentes - e essa é uma das características das músicas do Garbage, aliás: são complexas.

Compreendi a música de uma forma diferente dessa vez. Essa sensação pesada é, contraditoriamente, boa. Uma paixão não correspondida plenamente - mas correspondida parcialmente. Quem dirá o que é certo ou errado para quem tem esses sentimentos?

O ruim, às vezes, é bom. Ou, ao menos, é melhor do que o médio. Do que esse marasmo, recheado de razoável e satisfatório. Cheio de bom, mas sem nenhum ótimo. Longe do melhor e do pior. Simplesmente médio. Esse sim, terrível. Pior do que a intensidade negativa é não ter intensidade nenhuma.

sábado, 31 de janeiro de 2009

1/4 de século

A primeira vez que ouvi essa expressão foi no aniversário dela. Achei engraçada e, bom, chegou a minha vez de usá-la. É chagado o aniversário de 25 anos - um número ímpar, mas ainda assim redondo.

É sempre bom receber carinho de pessoas que gostamos, isso é, sem dúvida, uma das melhores coisas do aniversário. Às vezes até lembramos de pessoas que estavam distantes, por razões que nem sabemos mais dizer, que o tempo colocou longe, mas que lembraram de você. Isso é sempre bom.

A parte que eu não gosto é organizar festa. Primeiro, porque não gosto de organizar esse tipo de coisa mesmo, até porque nunca não tenho dinheiro pra fazer algo de verdade. E programar balada de aniversário eu nunca gostei mesmo.

E aí que resolvi não programar nada para esse ano. Mas sempre rola uma pressão dos amigos, perguntando onde, como, etc. Se somar que minha irmã está internada, aí piora o cenário, porque a vontade de programar uma festa diminuiu - e também perco uma organizadora de eventos, que é o que minha irmã gosta de fazer.

De qualquer forma, o importante é comemorar os 25 anos, ainda que sem balada, só com família, talvez até fazer algo mais simples com os amigos, receber mensagens...

Aliás, como a imagem aí de baixo, que recebo todo ano do site da Internazionale, meu time na Itália. Todo ano eles mandam um parabéns para os usuários cadastrados, com a camisa do time com a idade do aniversariante como número. E pensar que quando eles mandaram pela primeira vez eu tinha 18...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Lembranças de um ano bom, parte 1: FUVEST 2008

O texto a seguir é de 6 de fevereiro, assim que soube que tinha passado no vestibular da Fuvest 2008, para jornalismo - o curso mais concorrido do ano (41.63 candidatos por vaga). Escrevi ainda com o sangue fervendo de alegria. E, desde então até hoje, ficou no meu perfil do Orkut. Vejam:

Houve um momento, há quase 12 anos, que ouvi pela primeira vez: "você deve ser jornalista". Era aula de redação na quinta série. E quem me falou isso foi a professora.

O tempo passou e o que eu decidi fazer passava longe de jornalismo: queria ser designer de games. Computação gráfica era uma grande paixão. Por falta de opção, acabei no curso universitário que mais se aproximava do que eu queria: Comunicação e Multimeios, pela PUC-SP. E foi lá que tive contato com jornalismo pela primeira vez, em uma oficina. Foi paixão imediata. E dali em diante eu sabia que seria jornalista. Mas quis terminar o curso, porque não queria perder a bolsa, que foi tão difícil de conseguir.

Chegou o fim de curso e resolvi colocar em prática a idéia antiga: ser jornalista. Fui atrás da formação. Não consegui fazer o curso na própria PUC, então decidi que seria na ECA. Seria ECA ou nada!

2006. Ano que me esforcei, estudei, me dediquei. Não foi suficiente. Cheguei à segunda fase, senti cheiro da vitória, mas não pude saboreá-la. E agora? Mais um ano de estudo.

Um ano inteiro de dedicação, mais do que o ano anterior. Dedicação máxima, o tempo todo, estudos, livros, exercícios. Fins de semana, feriados, noites. Saí do meu trabalho, no fim do ano, para me dedicar exclusivamente aos estudos. Viveria de freelances.

2008. O ano começa com uma boa notícia: a aprovação na UEL. A formação de jornalista estava garantida. Três semanas depois, chega a notícia: Jornalismo noturno, USP: aprovado! Era o fim da caminhada rumo à USP, o começo da carreira como jornalista de fato.

Antes mesmo de começarem as aulas oficialmente, chega a notícia de um possível freelance. Mas dessa vez era diferente: seria como jornalista. E depois de apenas uma aula na faculdade, a boa notícia: o primeiro freelance como jornalista na grande mídia. E é só o começo... A Copa do Mundo me espera! :)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sobre o BIFE, ou porque jornot é mais legal

Não disse uma palavra sobre o BIFE e acho que merece. Então lá vai.

Jogos universitários. Diferente do JUCA (que não pude ir, mas não vem ao caso), o BIFE é só entre as faculdades da USP. É um evento menor do que o JUCA, mais tranquilo, menos pessoas. Mesmo assim, os jornots '08 (jornalismo noturno, turma 2008) levou nada mais, nada menos do que 13 pessoas. Sim, meus amigos, 13! Nenhuma, repito, nenhuma turma levou tantas pessoas como nós.

Mais do que isso. Não é só uma questão de quantidade. Ficamos quase todos na mesma sala de aula - que serve como alojamento. Colchões infláveis - que nem foi o meu caso, diga-se), risadas, oncinha, cantando errado com Tulio (sucessos como "Diz que é mentira", "Dig-dig-joy, dig-joy cowboy", entre outros), histórias para contar e fotos que jamais serão compartilhadas (é preciso um pendrive e muita boa vontade para ir atrás dessas fotos que ninguém nunca mais vê! hehe).

Momentos incríveis, de todo mundo cantar junto, de bebida, de camarote vip jornot ná última noite, de velho barreiro, de tudo um pouco. De ônibus inteiro acordado porque os jornots não param de cantar, gritar, falar alto. Na ida e na volta. De tirar barato até de vômito de alguém que nem era de jornot.

Porque ser jornot, meus amigos, é algo que ninguém explica. Simplesmente se vive. Um CAJU no BIFE é algo que fica para sempre. Assim como os CAJUs, que não param. E só vão parar se a gente quiser.

Não há turma como essa. Talvez não haja outra como essa. Porque jornot '08, amigos, é muito mais legal.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Mil palavras no silêncio

Tinha programado, pensado, medido, imagino, sentido. Pensava mil vezes em como seria, qual palavras usaria... As palavras passavam aos milhares na cabeça. Faltava pouco, seria hora de falar. Pensando parecia tão fácil...

Ansiedade. Dúvida. Medo. Mãos suando frio. Ela aparece, curiosamente vestida de amarelo. Uma cor agradável, leve, mas também atraente. A voz embarga, a pele arrepia. E agora? Na imaginação, a cena já se repetiu mil vezes. Parecia tão fácil, mas na hora é sempre diferente.

E o teeeeeeeempo passa. As mãos tremem, não sabem bem onde ficar. De repente, a situação parece se caminhar para o ideal. Só ela ali, ao lado. Ela pega fones de ouvido, e abre o livro. Troco algumas palavras, esperando que a coragem apareça.

Ela lê com expressão tranquila. Na minha mente, mil vezes eu comecei a falar. Na verdade, minhas mão scontinuaram suando frio, mas nenhuma palavra é pronunciada. Muitas se atropelam na boca, mas nenhuma sai.

O relógio não para. Nem os pensamentos. Mas as palavras permanecem intactas na mente. Querem sair, mas encontrar uma barreira montada. Timidez? Provavelmente.

Em várias situações isso parece muito mais fácil. Mas não com ela. Não com quem mexe tão profundamente, que parece te tornar tão vulnerável. Não com alguém que domina os pensamentos. Não com quem faz o coração bater na garganta.

As palavras se amontoam, estufam o peito, quase fazem engasgar. Parecem que irão explodir, mas não saem. Simplesmente não saem. O tempo, implacável, dá sua sentença: você perdeu a chance. Not today.

Seriam mais dois dias para uma nova chance. Dois dias, algo tão simples, corriqueiro, mas que parecia tão, tão longe... Mais dois dias de imaginação a mil, pensamentos incessantes, até que a hora de falar chegue...

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Vida de londrino

"Londrino"?, você vai me perguntar. Sim, londrino! Não, não nasci em Londres. Não, também não é uma alusão à querida Londrina, que me conquistou, mesmo eu sendo paulistano, nos poucos dias que passei lá, quando quase fui estudar na UEL - e só não fui porque a USP me chamou para ficar por aqui em São Paulo.

Então, afinal, por que londrino?

Bom, isso começou quando o Alicio começou a me chamar assim nos dias de frio que eu aparecia de camiseta. E como isso se repetia sempre, ele me chamou assim várias vezes. Com o detalhe que as coisas ainda são bem parecidas hoje.

Depois, veio Londrina. Ok, não passei mais do que uns dias por lá. Não é motivo para ser chamado assim. Mas é quase uma homenagem àquela cidade tão bela e que me acolheu muito bem, mesmo eu não tendo ficado por lá.

Mas tem um motivo a mais. Esses dias eu vi um pedaço do Lavanderia MTV da qual participou a sempre interessante Georgia, uma amiga de longa data. O assunto: um namoro a distância com um londrino.

Bom, ainda não deu para entender, mas já explico: ali no começo do programa ela explica que o estilo dele é low profile, tímido. Inglês, oras. Ela conta que ele não dava sinais de que estava afim. Ele, contudo, contou a ela que achava que estava dando a maior bandeira - na visão dele, claro.

Comigo acontece mais ou menos a mesma coisa. Algum tempo atrás, acreditei ter demostrado que estava muito interessado em uma menina. A impressão dos outros, porém, foi justamente o contrário: ela que parecia estar dando em cima de mim. Não desmenti, como também não confirmei.

Recentemente, a mesma menina, a mesma situação. A minha impressão é que eu estava em cima dela. Mas a impressão que ficou para uns amigos foi que eu "lerdeei", ou seja, que ela deu mole e eu não aproveitei.

Dessa vez, eu desmenti: disse que eu queria, que fiz tudo para demonstrar e, mais do que isso, cheguei para tentar fazer acontecer. Talvez tenha errado a forma. Talvez ela realmente não queria e ponto.

Será que eu sou londrino e não sei?

domingo, 14 de setembro de 2008

O friozinho na barriga

1997. Campeonato de sócios do Corinthians. Meu pai via ali a chance de eu me tornar jogador de futebol. "O novo Zé Elias", dizia ele. Eu, apaixonado por futebol, via ali um começo. Tinha 13 anos, podia ser a chance. Sentia um frio na barriga toda vez que acordava nos sábados de manhã para jogar.

O futebol era das poucas coisas que me davam frio na barriga. A outra, claro, era quando me apaixonava por alguma menina. A paixão talvez seja a única que ainda conseguia fazer isso hoje em dia - embora esteja cada vez mais rara.

Já tive entrevistas de emprego que fiquei ansioso. Ansiedade é algo normal, corriqueiro até, quando vou fazer algo novo, conhecer algo diferente, encarar um desafio. Mas aquele frio na barriga, que me gelava, me deixava com as mãos frias... Esse é raro.

Depois que parei de jogar futebol, disputar campeonatos e que as paixões rarearam, essa sensação estava esquecida.

Estava.

Surge um desafio em uma sexta à noite. Um texto, 3.500 caracteres. Um assunto que eu entendo muito bem. Por que o frio na barriga? Porque era um teste. Uma perspectiva. Uma esperança que se acendeu, mesmo que remota. Algo diferente, algo emocionante.

Sábado, então, foi hora de colocar isso em prática. Mãos no teclado e muita leitura, para ter apenas certezas nas palavras. Palavras, frases, e vòila! Ops, passou um pouco o número de caracteres. Edita, edita, edita... Ops, agora faltou. Edita, edita e... Perfeito!

Cada vez que eu faço isso, sinto que eu realmente nasci para trabalhar com jornalismo.

sábado, 16 de agosto de 2008

A última gota do copo

Tem aquela coisinha que te irrita, mas irrita só um pouco. Nem irrita: é um pequeno incômodo, que você aguenta porque ainda está no começo do namoro, ou acabou de trocar de trabalho. "Tudo bem", você pensa, "logo melhora, eu me acostumo".

É so um jeito de falar que te incomoda, é só um ciúme um pouco exagerado, é só uma hora extra, é uma emergência, é importante, o cliente não quer esperar. Você aguenta, porque, afinal, é preciso ter paciência - no meu caso, era particularmente tímido para retrucar nese tipo de situação.

Aos poucos, os pequenos incômodos vão se acumulando. Mais uma hora extra, mais um ataque de ciúme, mais um jeito de falar que te deixa possesso. De repente, ela te pede para ir buscá-la, ou seu chefe pede para vir no fim de semana. Pronto. O copo, que estava cheio, transborda. Explosão, impulso, raiva, tdo junto, misturado, que ganha contornos mais terríveis do que o fato em si. Resultado de muitas pequenas coisas guardadas, quase sem querer...

Já tendo vivido situãções assim, passei a evitar ao máximo esse tipo de coisa. Não aceito pequenos problemas quieto: prefiro tentar dizer tudo, mesmo que nem sempre seja fácil.

Dizer o que pensa tem o seu custo. Nem sempre é bem visto. Passei a ser chamado de ranzinza no trabalho. Mulheres que eu saí passaram a achar que eu era sincero demais. Não precisava dizer tudo que pensava, nem dizer que so namorava se me apaixonasse - o que não era a maior parte dos casos. Fazer hora extra? Só se for muito necessário...

Passei a pecar pelo excesso. Diante de situações contrárias, via a necessidade de me impor. Posições políticas diferentes, posições de vida diferentes. Reações muito mais fortes do que o necessário. Minha paciência, quenunca foi minha maior qualidade, passou a ser tão exacerbada que virou um defeito. E grave.

O controle passou a ser um problema. Quando dizer tudo, quando não dizer nada? O principal talvez fosse o COMO dizer. Um problema um tanto crônico para quem fala por impulso, quase atropelando quem fala.

Saber dosar as palavras é um dom. Na escrita, na fala e na vida. Um aprendizado diário, em todas as áreas da vida. E que não acaba nunca...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Quando ser hetero é ser minoria

Até pouco tempo atrás, não conhecia nenhum vegetariano. Não tinha assim tanta gente que se preocupava com os bichinhos a ponto de não comê-los. Também há pouco tempo atrás, eu não tinha nenhum amigo ou amiga gay. Em um passado não muito distante, eu mal conhecia pessoas que eram fãs incondicionais de Linux.

Bom, os tempos mudaram.

Os gays hoje fazem o maior evento de São Paulo ao ar livre - dizem as más línguas que são quase 2 milhões de pessoas na Av. paulista todo ano. Em termos de grandiosidade, só não é o maior evento anual da cidade porque temos a Fórmula 1, que movimenta mais grana ainda.

Antes, pouco se via gays se beijando em público. Hoje, é até comum. E uma conquista, em uma sociedade que demorou a se abrir. Eu acho ótimo que cada um possa ser o que é sem esconder, sem moralismos estúpidos. Cada um faz o que quer e ninguém tem nada com isso.

Falava, brincando, que quanto mais gays no mundo, melhor: sobraria mais mulheres. Obviamente, é uma afirmação só engraçada - talvez nem isso. Muita mulher também é gay. Ou seja: o mercado diminui para os homens e mulheres heteros igualmente.

Não tenho absolutamente nada contra gays. Hoje tenho muitos conhecidos gays, pessoas que eu tenciono até chamar de amigos. Mas algumas coisas estão ficando chatas. Se você não é gay, sorry, baby, você não é in. Já até perdi mulheres que se apaixonaram por gays. E conheço algumas que adoram sair com eles, mesmo sabendo que, bom, tecnicamente eles gostem do mesmo que elas...

A Lara já falou em criar a Parada do Orgulho Hetero. E como ela mesma diz, nada contra os gays, muito pelo contrário: temos conhecidos e amigos que são gays. Podemos não estar na moda, mas nós, heteros, também podemos ser muito divertidos, amigos e até fashion (ok, esse é mais o caso da Lara do que meu, mas enfim...). Os gays tem seu espaço - inclusive nos nossos círculos de amizades -, e nós também!

Quem sabe um dia fazemos o movimento do orgulho hetero... Mas como vai ficar com cara de homofóbico - o que não somos -, deixa pra lá....

sábado, 26 de julho de 2008

A ousadia impede o golpe

O dia vai chegando ao fim, mas ainda há um impedimento. Não há saída antes que o problema se rolva, de alguma forma. Mas há um limite, que impede que o tempo devore tudo completamente - nem em São Paulo tudo funciona 24 horas.

A saída, então, se aproxima. A perspectiva não melhora. O tempo assume seu caráter de Cronos, devorando cada minuto e extinguindo qualquer possibilidade de resolver a situação. Vence o tempo: é hora de partir. Os problemas não tiveram solução até essa hora. Lembrando a máxima famosa, o que não tem solução, solucionado está. É hora de sair de um mundo alugado e voltar ao mundo que cada um tem, o seu, insubstituível - mas, às vezes, destruído pelo aluguel dos outros mundos

Eis que o tempo é novamente decisivo nessa batalha de mundos. Um tenta invadir o outro. A palavra é essa: invadir. Um não é inimigo do outro. É apenas uma questão de visita, de ser cortês, de saber se relacionar um com o outro. O meu mundo não é fechado, aceita conversar. Mas, cada vez menos, não aceita invasões.

Pior: uma invasão tramada no calabouço, à noite, para já amanhecer no adversário. Uma tomada voraz, mas que tentou ser sutil. Um golpe de Estado que parece ter dado resultadoestava invadido e outro prevaleceria. Tudo armado à noite para que na manhã seguinte o nov poder assumisse temporariamente, antes de devolver as coisas à sua ordem.

A interferência, porém, parece inútil. Não havia plano de governo. Era apenas um movimento ideológico, cheio de pessoas preenchidas de paixão. Pessoas que não diferenciam seus dois mundos, que fazem do seu mundo pessoal o mundo do dia-a-dia. Uma visão que eu não compartilho. Um mundo que não é meu.

Tomado por um sentimento nacionalista de território invadido, sentindo o gosto de um mundo que não quer se convergir com outro, com sensação de mãos atadas, o sentimento de reação fica mais e mais intenso. A noite se vai, dá lugar à madrugada, enquanto o relógio martela, minuto a minuto, a derrocada do meu mundo frente ao outro. Ainda que temporária, ainda que não deixe seqüelas, o perigo está na transformação dessa interferência em algo sempre possível.

A manhã já impõe suas cores, quando um movimento toma conta da sede do governo do meu mundo. É um sentimento de retomada do que é seu de direito, de mostrar que não se aceita interferências assim. Que mesmo não sendo o mundo mais diplomático, aceita conversar, mas não aceita tomadas militares, não aceita ações de guerra como essa. Não aceita a transformação de dois mundos diferentes em um só, especialmente por serem tão diferentes. Essa fusão só será possível, um dia, quando os dois mundos conversarem, tiverem objetivos similares - o que, certamente, não é o caso desse.

Em um movimento rápido e com ajuda da tecnologia eletrônica e móvel, uma ação rápida impediuo golpe. Uma retomada como fez o Rei Juan Carlos, na Espanha, na década de 80. Uma retomada do que é seu por direito, do que é de um mundo por direito. A ação foi violenta e teve uma dose de insubordinação. Mas todo movimento é assim, ainda mais quando envolve questão tão séria, não é?

A ação política foi forte, intensa, uma retomada que impediu a ação pirata em uma operação de guerra. Impediu essa tomada, reverteu a situação e expulsou o outro mundo do comando a pontapés. A espada não foi usada, não houve derramamento de sangue. A ordem foi retomada. Mas não se sabe qual será a reação, não se sabe se o mundo expulso tomará atitudes em represália. O que se sabe é: o meu mundo saiu com a força que tem. Haja reação ou não, ele prevalecerá, continuará existindo, independente do que acontecer.

sábado, 19 de julho de 2008

O valor do tempo

E aí que passei quase um mês sem chegar perto daqui. Entre as loucuras de fim de semestre com o minha maior conquista do ano, a faculdade, o trabalho novo que ainda não me adaptei, freelance em fase de acertos finais, cabeça cheia, paciência próximo a zero (tá, isso não é novidade) e, pra completar, problemas com a internet por conta dos problemas da Telefonica - que, no meu caso, se estenderam mais do que a maioria dos casos. Como desgraça pouca é bobagem, ainda machuquei o joelho e não consegui me recuperar.

Nesse tempo, eu pude constatar, mais uma vez, o quanto o tempo é valioso. Um fim de semana pode ser o tempo mais valioso que alguém pode ter para terminar um trabalho., Algumas horas entre dormir e acordar podem valer uma forturna para quem precisa. Não ter tempo para sequer conversar com amigos - se não fosse o msn ou o orkut... -, atualizar o blog, ver a família.

O cursinho já tinha me mostrado que o maior valor que alguém pode ter é o tempo. Nesse final de semestre, mais uma vez, pude constar isso de maneira claríssima. Talvez porque eu tenha tomado um choque - saí da vida de freelancer, onde o tempo era o meu aliado, para coltar à vida de trabalhador fixo, com o tempo sempre no percalço.

Aliás, esse tem sido um grande problema: administrar tempo. Sempre preciso de um tempo para me adaptar ao estilo de um trabalho novo, mas é difícil se adaptar quando tudo muda a cada dia. Há semanas que as coisas conseguem fluir naturalmente, mas há outras que parecem uma completa falta de direção.

Se o tempo é um bem tão valioso, ter um problema em administrá-lo passa a ser grave. A tomada do meu tempo, confiscada como umgolpe de pirata, me incomoda muito. Provoca reação agressiva, violenta, mal-educada, até. Espero que esse final de férias não seja um regime semi-aberto.

sábado, 21 de junho de 2008

Afirmações negativas no silêncio

Tudo parece tão perto e tão longe.

O dia-a-dia não incomoda, mas cansa.
O tempo não é mal gasto, mas é escasso.
Os planos existem, mas são só rascunhos.
Há jeito, mas não há força.

O sonho é doce, mas falta sabor.
Algumas vezes há caminhos, mas não há direção.
Em outras, há destino, mas não há percurso.

Há signo, mas não há significado.
Há muita razão, mas há pouco sentimento.
Há coração, mas ele é de lata...

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Bem me quer, mal me quer

Vez por outra, me vejo na mesma situação: escolho quais as contas vou pagar e quais não. Um exercício de inteligência e economia - muitas vezes mal sucedido justamente por exigir tais qualidades.

Muito embora eu já não me desespere com isso há tempos, eu tenho aquela pontada de preocupação. Principalmente porque antes eu ganhava pouco, mas ganhava. Agora, com a instabilidade do trabalho freelance, sabe-se lá quanto e quando eu vou ganhar.

Em dezembro, por exemplo, foi fácil fazer o orçamento: pagar todas as contas e guardar para pagar as do mês seguinte. Porque, afinal, vida de freelancer é isso: se ganhamos bem em um mês, guarde, porque os próximos podem não ser tão bons.

O problema é que toda reserva tem seu limite. E aí, salve-se quem puder. E as escolhas vão ficando mais e mais difíceis. Nunca deixo o cartão de crédito sem pagar, porque é a mais perigosa dívida que pode existir. Mas esse mês decidi não pagar. Já sinto um possível problema, mas enfim, a escolha já foi feita e a dor só começará daqui a uns dias.

É duro essa vida de gente grande.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Lágrimas que embriagam

Em um dia de descanso, que posso acordar sem pensar em nada, sinto amargura. Uma amargura por não participar de algo que meus amigos demonstram se empolgar. Sinto amargura mais por não querer participar, já que eu poderia ir. E sinto o peso de amigos deixando transparecer um sentimento em relação a mim que me entristece, como se eu não ligasse para ninguém.

Sinto-me estúpido, por não conhecer ou não apreciar as muitas atrações que tínhamos à disposição. Sinto não ter a mesma alegria de poder dividir a admiração por algo que simplesmente não me seduz sequer a sair de casa.

O gosto de amargura está na saliva, que parece aumentar seu volume gradativamente, me dando a sensação de me afogar em mim mesmo. Insatisfeito com a própria ausência, ausência que eu não sei por quê.

As lágrimas se misturam com as águas do chuveiro. Já não sei mais onde começa um e termina outro, mas sei que as duas águas estão ali.

Estou embriagado com um livro triste e enebriante, isolado quase que por opção. Bebendo, e se embriagando, com as lágrimas estancadas na boca.

terça-feira, 8 de abril de 2008

De volta à vida de atleta

Pouco mais de um mês atrás, falei aqui no blog sobre uma possível volta à minha vida de atleta. Bom, depois de alguns problemas, idas e vindas, eis que eu consegui voltar. No último sábado joguei o Bichusp (campeonato interno da universidade entre os calouros das faculdades).

Bom, como eu já tinha falado, a minha grande inspiração no futebol, principalmente porque o vi jogando no Brasil, no estádio, foi Fernando Redondo. O argentino desfilava uma classe que não vi em nenhum outro volante (infelizmente, não vi gente como Falcão jogar). Provavelmente é por causa dos poucos jogos que o vi com a camisa argentina que sempre gostei de jogar com o número cinco às costas - o mesmo que ele usava quando defendia o seu país.

Mas depois de quase sete anos sem jogar futebol de campo e praticamente quatro anos sem praticar exercícios físicos, a única coisa que eu lembrava o Redondo em campo foi mesmo a forma que o nome sugere. Em termos de futebol, eu estava mais para Carlos Alberto (esse, que está no São Paulo): joguei como meia, marquei muito pouco, corri pouco (por falta de preparo físico, diga-se), fiz alguns bons passes, mas nada muito agudo e apareci pouco no jogo.

Para finalizar, o jogo foi em um sábado de manhã e ainda perdemos por 4 a 1. Mas sabe que ainda assim foi divertido? Jogar futebol é sempre um prazer. Ainda mais sabendo que o nosso time não estava treinado (nos conhecemos antes do jogo) e sem preparo físico algum - fiquei torcendo para o jogo acabar porque minhas pernas não respondiam mais.

Bom, ao menos a vida de atleta tem tudo para voltar agora. Vamos ver como será no futsal amanhã.

domingo, 11 de março de 2007

"Agora é a hora de tentar inovar"

Essa era a frase do "sorte de hoje" no meu orkut. De vez em quando, acontece de ter a ver com sua vida. É o caso de hoje.

Diversas vezes escrevi sobre escolhas, das menores às maiores. Mas talvez este seja o momento da minha vida que eu mais seja colocado em posição de escolha. Para cá ou para lá? Direita ou esquerda? Assim ou assado?

Inovar. Ouvi esta palavra uma centena de vezes - se não mais - durante os últimos meses. É uma área que cresce a cada dia, com grande campo de trabalho. E como o meu trabalho é em uma empresa que presta consultoria na área, é inevitável ouvir falar sempre sobre o interessante tema.

Por razões que não cabe aqui comentar, chegou a hora de eu inovar na vida pessoal. Isto implica na vida profissional, que mudará de rumo novamente, como há 7 meses atrás. A mudança foi grande, mas repleta de esperança. Nem tudo se concretizou, mas houve algo muito positivo em mudar. Há momentos que precisamos ter a coragem de mudar o que é certo. Foi o que eu fiz naquele momento.

Agora chega o momento de refazer a escolha. Sempre pensamos como seria se não tivesse feito ou, principalmente, se tivessemos feito algo. Normalmente, não há como voltar atrás: o que foi feito, foi feito e ponto final.

Neste caso, tive uma chance de revalidar, por assim dizer, minha escolha. E neste caso, resolvi voltar atrás. Há decisões que podem e devem ser refeitas. Somos compostos por escolhas o tempo todo. E a minha, neste momento, é seguir adiante, mas por um caminho próximo ao que fazia anteriormente. Porque vejo algo melhor assim.

Que eu trilhe o caminho da melhor forma.