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domingo, 21 de junho de 2009

O eterno duelo entre diversão e obrigação

Passo grande parte dos dias em frente ao computador. Como é parte do trabalho, é inevitável. A questão é que parece que, cada vez mais, a obrigação domina a diversão. Isso significa que toda vez que estou no computador, me sinto trabalhando. Ou, pior, fico com a sensação de ter que estar trabalhando.

É difícil ter foco no que eu preciso fazer no computador fora do trabalho. Memso no trabalho a tarefa passa longe de ser fácil, mas parece muito mais simples. Ali é obrigação e com obrigação é mais fácil lidar. Tem que ser feito. Mas e quando se trata de outra coisa?

Esse final de semana eu tomei para fazer os trabalhos que a faculdade exige que sejam entregues nessa semana derradeira. Claro, deveria ter começado a fazer antes, durante outros períodos mais tranquilos do semestre. Deveria, óbvio, mas sabemos que nunca é assim. Então, acumula grande parte para esse momento. Mas concentrar-se nesse tarefa é difícil.

O computador lembra trabalho. Quando não lembra trabalho, tem muitas outras coisas para serem feitas, daquelas que você coloca na lista de prioridades que nunca chegam. Uma delas é escrever. Me sinto bem escrevendo, faço isso sempre que posso, é um prazer, um lazer, uma diversão. Mas escrever no blog, ultimamente, parece perda de tempo. Parece que o trade-off não compensa. Deveria estar fazendo outra coisa, mais importante. Deveria estar fazendo alguma obrigação, entre as muitas que existem.

Fato é que a diversão fica para o lado, a obrigação não é cumprida por inteiro e o problema aumenta nos dois campos. Nem há a diversão, nem a obrigação. Parcialmente, ao menos, a obrigação é cumprida. Pouco a pouco, ela vai sendo cumprida. Mas a diversão... Fica para a próxima. Uma próxima, na verdade, muito distante.

E estou aqui, escrevendo, enquanto estou pensando que deveria estar dormindo, para descansar, para poder trabalhar bem no outro dia, cumprir as obrigações. Ah, sempre elas, as obrigações.

Esse duelo infernal entre obrigação e diversão enfraquece as duas, tanto que nem uma delas consegue ter a minha dedicação devida. Sempre me coloco metas para cumprir, nem sempre consigo atingir todas elas. Talvez porque as coloque alto demais. Talvez porque precise me dedicar mais. Fato é que essa semana vai exigir, mais uma vez, a dedicação da urgência - e com ela, a eficiência para incrivelmente aumentar. Coisas da pressão.

Ao menos esse final de semana cheio de obrigações não cumpridas completamente estancaram a ansiedade pela semana que chega. A ansiedade pelas mil palavras silenciadas que parecem cada vez mais próximas de sair. Que parece terem data para sair. Que devem mudar tudo - mesmo que não mude nada. Mas essa é uma outra conversa...

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O custo das escolhas

Desde que decidi fazer jornalismo, penso no que isso significou na minha vida. Abandonar uma carreira para começar outra. Mais do que isso: deixar o trabalho em segundo plano para apostar na mera possibilidade de isso acontecer: era a época de cursinho.

Já tinha aberto mão de salário mais alto por um emprego que achava que era mais interessante do ponto de vista de carreira. Mas abrir mão da carreira era um passo maior. Muito maior. Era começar do zero, investir em outra vida. E isso tem um (alto) custo.

Lendo alguns dos capítulos iniciais do livro "Introdução à Economia", da N. Gregory Mankiw, da Universidade de Harvard, encontrei um conceito dos mais interessantes para serem aplicados na vida. Aliás, estudando esses conceitos, eles parecem mesmo muito próximos da vida cotidiana - ao menos os básicos.


Ao ler o livro de Mankiw, descobri que isso tem um nome formal e está na teoria econômica. No primeiro capítulo, Mankiw explica dez princípios básicos da esconomia. O segundo é descrito por ele como: "o custo de alguma coisa é do que você desiste para obtê-la". O título já fez todo sentido para mim.

Jornalismo para mim custou uma carreira. Uma carreira que eu já tinha começado a traçar, desenhar e trilhar. Foi abrir mão de um salário que já me deixava confortável, que me permitiria coisas que hoje eu nem posso pensar.

Vejo, por exemplo, amigos meus comprando carro. Algo que eu já tinha feito, mas tive que abrir mão. Vejo eles terem tempo para outras coisas que eu, como estudante, não consigo ter. Vejo eles em outro estágio da carreira, que eu abri mão de estar.

Esse foi o meu custo oportunidade. Foi o que eu deixei para trás para entrar em jornalismo. Era um custo calculado - sabia que, no mínimo, adiaria por alguns anos. Mas o risco não tinha só perdas. Tinha acertos.

Fazendo jornalismo, tive a chance de, no primeiro mês como estudante do curso, estar em uma redação dos maiores jornais do país para fazer um freelance. Tive a chance de começar na profissão que eu tanto quis. Um caminho novo, que me dá mais motivação, mais prazer em trabalhar - ainda que o salário ainda esteja muito longe do que eu ganhava antes de entrar na carreira.

O melhor, porém, veio no melhor jeito possível. Ao entrar em jornalismo, exatamente nessa turma, em 2008, descobri pessoas incríveis. Colegas que se tornaram amigos, pessoas que, cada vez mais, fazem diferença. Não esperava uma turma tão unida, tão alegre, tão divertida, tão inteligente, tão inesquecível - e em tão pouco tempo.

O custo oportunidade, no meu caso, foi muito alto. Mas o risco valeu - e valeu muito.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Vida de jornalista estagiário

Trabalhar é algo que eu sinto falta. Por mais que canse, que às vezes irrite, que faça acordar cedo, pegar metrô e ônibus cheios... E mesmo que não sentisse falta, teria que trabalhar de qualquer jeito. Afinal, as contas não esperam (e dois meses sem receber fizeram um estrago no cheque especial).

Depois de quase um mês de trabalho, dá para sentir que é bem diferente do anterior. O jornalismo agora será mais presente. E tende a ser muito mais ainda, agora que estamos com mais planos. Tende a ser ainda mais jornalismo de apuração, e menos redação.

Mesmo sendo um começo, um estágio, considero uma vitória. Uma vitória em segunda etapa de uma idéia que surgiu alguns anos atrás, quando quis me tornar jornalista. Ainda mais podendo trabalhar em uma área que tenho afinidade, que é tecnologia.

Meu maior sonho jornalístico continua sendo cobrir uma Copa do Mundo. Em segundo lugar, uma Olimpíada. E, claro, trabalhar com esporte - e, espeficiamente, futebol. Mas aprendi a não ter pressa: o importante é ir trabalhando, aos poucos, e fazendo o que faço da melhor forma.

Sou estagiário, mas o trabalho tem sido bem interessante. Sem muitos corno-jobs, como é comum acontecer - e como já fiz muito na vida. Viver em noticiário é fascinante. Fico viciado em notícias e mais notícias.

Às vezes fico até pensando que em alguns casos, nós, jornalistas, escrevemos para nós mesmos (digo, para outros jornalistas lerem). Isso fica mais evidente em editorias mais "técnicas", de mídia especializada. Mas aí vem os leitores nos mostrar que, sim, eles estão atentos e lendo! Especialmente se for pra criticar - o que é ótimo, é disso precisamos: cada vez mais um público muito crítico.

De volta à vida normal de trabalho, mas ainda tentando se acertar na vida. Porque a vida é isso: um monte de rabisco que fazemos para tentar dar certo. Ninguém sabe se dará. E por enquanto, não tenho do que reclamar: rascunhieo jornalismo e já estou passando tudo a limpo.

Que venham mais desafios!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Lembranças de um ano bom, parte 2: FOLHA

Quando resolvi fazer jornalismo, foi por paixão. Escolhi o que meu coração dizia, desde 2003. Foi naquele ano que tive contato com a prática jornalística, em uma matéria do curso de Comunicação e Multimeios, na PUC-SP. Foi ali que comecei a escrever sobre esporte, em formato jornalístico, com matérias semanais para um site que faríamos.

Trabalhar com jornalismo era o meu sonho mais imediato. No caminho rumo ao curso de jornalismo da USP, tive uma grande oportunidade: um trabalho para uma das maiores editoras do país.

O freelance para a editora Abril, em 2006, quando escrevi textos para o Guia do Estudante 2007, foi incrível. Tomou todo meu tempo livre (que praticamente não existia, já que trabalhava em período integral e ainda fazia cursinho à noite). Fiquei sem dormir alguns dias. Mas valeu como início, como currículo e, principalmente, como experiência.

2008 começou espetacular. Passar no vestibular da USP para jornalismo e, logo em seguida, participar da semana de palestras da Folha de S. Paulo, um dos mais tradicionais jornais do país. Tinha me inscrito algumas vezes, mas nunca tinha sido selecionado.

Depois de uma semana de palestras ótima, surgiu a chance: um trabalho temporário para a editoria de Informática. Essa era uma área que eu tinha conhecimento, certa experiência. Eu sabia que tinha chance.

Mandei o currículo, concorri à vaga, fiz a prova e fui chamado. Isso ainda no primeiro dia de aula na faculdade. No segundo dia! Eu mal tinha começado e já tinha uma oportunidade de ouro. No começo, muitas dúvidas, um sistema novo, uma área nova. A Folha era uma gigante e eu, só um iniciante.

Editar, mexer em textos, revisar. Trabalho de redação, parecido com o que o antigo copydesk fazia. A vida na redação era fascinante, apesar de o tratamento ser sempre de um estrangeiro. O tema tecnologia me interessava e via nomes que eu lia mandando matérias para que eu revisasse (o Théo Azevedo, que hoje escreve para o UOL, além da Folha, foi o principal).

A primeira matéria não passou pelo editor. Já tinha ouvido muitas histórias de editores que execravam seus repórteres/redatores, mas não foi o caso. Ele simplesmente apontou algo que não gostou e, junto com um dos redatores, barrou a matéria. Normal.

Veio a oportunidade de fazer uma segunda matéria. Dessa vez, quase caiu no colo: o Flickr lançando o serviço de vídeo (só para assinantes UOL ou Folha). A primeira matéria publicada!

Veio, então, outra oportunidade: escrever outra matéria. Dessa vez, a matéria de capa, junto com a excelente Camila Rodrigues (hoje no UOL Tecnologia e no GigaBlog, blog da redação sobre tecnologia). O tema: GPS. Aproveitei dados e entrevistas que tinha feito para a primeira matéria para compor a segunda, sobre GPS em celulares (tb só para assinantes). Assinamos juntos a matéria "Navegadores desviam de vias principais".

Depois disso, fiz mais alguns trabalhos de redação e depois saí. Foi uma experiência incrível trabalhar por um curto período na Folha, escrever matéria e aprender um pouco mais. Certamente algo que ficou marcado. Mais um fato marcante de 2008!

Aos poucos, ganhei a chance de escrever uma matéria.

domingo, 14 de setembro de 2008

O friozinho na barriga

1997. Campeonato de sócios do Corinthians. Meu pai via ali a chance de eu me tornar jogador de futebol. "O novo Zé Elias", dizia ele. Eu, apaixonado por futebol, via ali um começo. Tinha 13 anos, podia ser a chance. Sentia um frio na barriga toda vez que acordava nos sábados de manhã para jogar.

O futebol era das poucas coisas que me davam frio na barriga. A outra, claro, era quando me apaixonava por alguma menina. A paixão talvez seja a única que ainda conseguia fazer isso hoje em dia - embora esteja cada vez mais rara.

Já tive entrevistas de emprego que fiquei ansioso. Ansiedade é algo normal, corriqueiro até, quando vou fazer algo novo, conhecer algo diferente, encarar um desafio. Mas aquele frio na barriga, que me gelava, me deixava com as mãos frias... Esse é raro.

Depois que parei de jogar futebol, disputar campeonatos e que as paixões rarearam, essa sensação estava esquecida.

Estava.

Surge um desafio em uma sexta à noite. Um texto, 3.500 caracteres. Um assunto que eu entendo muito bem. Por que o frio na barriga? Porque era um teste. Uma perspectiva. Uma esperança que se acendeu, mesmo que remota. Algo diferente, algo emocionante.

Sábado, então, foi hora de colocar isso em prática. Mãos no teclado e muita leitura, para ter apenas certezas nas palavras. Palavras, frases, e vòila! Ops, passou um pouco o número de caracteres. Edita, edita, edita... Ops, agora faltou. Edita, edita e... Perfeito!

Cada vez que eu faço isso, sinto que eu realmente nasci para trabalhar com jornalismo.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A cidade fantasma

O dia acordou cedo. O sol já estava no seu caminho rumo ao topo quando deixei minha casa. Era domingo. Acordei na mesma hora que todos os dias da semana. Assim como já tinha feito no sábado. Os dois dias foram de captação na São Remo, para o jornal que fazemos para a comunidade.

Pouco ou nenhum movimento na rua. Domingo de manhã é dos poucos momentos que consigo ouvir o canto dos pássaros no meio da cidade. O caminho era o mesmo de todos os dias: atravessar a cidade rumo ao lado oposto.

Centro de São Paulo. Domingo, pouco depois das 9 horas da manhã. A cidade parece estar parada. Umas poucas pessoas circulam perto da Praça da República - entre eles alguns senhores que vestem placas de "compro ouro".

ônibus vazio. Tranquilidade para ir dormindo. O percurso, porém, é mais rápido do que o normal. E mais curto: nos domingos os ônibus não entram na cidade universitária. A USP tem acesso a carros restrito à noite e aos domingos. É preciso mostrar a que veio. Eu não lembrava disso.

Logo na entrada, vejo muitas meninas vestidas com camisetas de cursinho. Propaganda, claro. "Você vai fazer FUVEST esse ano?" "Não, eu já fiz. Já sou da USP" "Ah... Que bom! Parabéns!" "Obrigado".

Era o primeiro dos dois domingos de inscrição na FUVEST e, claro, a cidade universitária era um dos postos para fazer isso. Vi uma certa aglomeração. Estava no portão 1 e a inscrição era na EEFE (Escola de Educação Física e Esporte), bem próxima da entrada.

Uma moça me segue. Com fones nos ouvidos, só a escuto quando ela chega ao meu lado. "Você sabe onde fica esse endereço?" Junto com o endereço, o nome da EEFE. "É logo ali", indiquei.

Ela perguntou se eu estudava ali e balancei a cabeça para dizer que sim. Ela começou a falar da sua batalha para entrar ali. Que tinha tentado ano passado, mas errou tudo na hora de passar as respostas no gabarito do ENEM. Disse que é fácil falar de calma, mas na hora todo mundo fica nervoso. Disse que queria muito fazer USP, que não tinha dinheiro para pagar universidade particular, que tava desempregada. Eu, com pressa, tentava encerrar o assunto. Até que ela foi fazer sua inscrição.

Caminhei em direção ao portão 3. Por sorte, cheguei adiantado - não tinha calculado o tempo a mais pelo fato de os ônibus não entrarem na USP. O cirsular, aos finais de semana, é tão raro quanto achar uma nota de R$ 50 na rua.

A Cidade Universitária em um domingo, especialmente no 7 de setembro que antecede a semana da pátria - quando não há aulas - parece uma cidade fantasma. Nem os corredores tradicionais do sábado estão por lá. Uma ou outra pessoa correndo, um ou outro carro passando. Lembra cidade do interior, com um carro passando a cada 10, 20 minutos. Mesmo assim, só porque era dia de inscrição da Fuvest: nos carros, pais com filhos procurando o posto de inscrição.

Música nos ouvidos, enquanto caminhava até a entrada da São Remo. Cheguei lá em cima da hora. Convresei com algumas pessoas, enquanto via a preparação de dois times para o início de um festival de futebol de várzea ali no campo, em frente ao bar. Um ambiente que eu já estava acostumado: meus primos e meus tios estiveram bastante envolvidos com isso.

Fui até lá para acompanhar dois times da São Remo que se enfrentaram ontem pelo 2º Campeonato Amador: Pão de Queijo x Barça. Mas havia gente demais para ir e... Não teve lugar para esse repórter acompanhar o clássico. Infelizmente, dia perdido.

Mais algumas conversas e peguei o caminho de volta para casa, na cidade universitária vazia. A manhã de domingo já tinha acabado. A tarde se iniciava. Dessa vez, encontrei um circular, raro, e pude chegar mais rápido ao P1 e voltar para casa - com direito a dormir no ônibus e no metrô...

domingo, 23 de março de 2008

Web 2.0, Jornalismo 0.5

Dizer que a grande mídia levou uma surra da internet, especialmente no seu início, é bater em bêbado. Fácil, fácil. Do início "promissor", onde a tela era uma extensão do papel à derrocada quase fatal quando a web se descobriu como meio interativo e muito diferente da mídia impressa. Até aí, nenhuma novidade.

Fato é que já temos 13 anos de internet comercial no Brasil e parece que a distância entre grande mídia e internet diminuiu, mas não o suficiente. Na maioria das redações da grande mídia, a redação do online é reduzidíssima, enquanto a do impresso é cheia. Mais do que isso: o online é reprodutor de conteúdos, não produtor.

Há lugares que não é assim. As redações são diferentes, separadas. Mas parece que a do online trabalha para o impresso. Ao menos é o que mostram os portais dos jornalões por aí - que, não por acaso, estão nos grandes portais.

Não custaria tanto mais fazer um trabalho específico para a internet. Trabalhar com mais recursos gráficos, mais interação, dar mais espaço ao leitor. Isso é possível. Em 2005, fiz o meu TCC de Multimeios e coloquei na pauta o jornalismo online em três grande veículos de impresa, de três segmentos diferentes, unidos apenas pelo fio temático, o esporte: Placar, como revista
, Estadão, como jornal diário, e Lance!, como jornal diário específico de esportes.

A minha investigação tinha o pressuposto que os veículos usavam o material do impresso para a versão online. Não sabia exatamente como. A investigação me provou que era algo assim mesmo: as redações dos veículos online eram super reduzidas e reprodutoras. O material que saía no impresso, saía no online, com um "tapinha" - dimunuição de tamanho ou algumas poucas modificações no texto mesmo.

O material republicado na web perdia qualidade, principalmente por causa da formatação: no impresso a diagramação criava um visual atraente enquanto na web o visual era pasteurizado, com fundo branco e texto puro (às vezes com uma foto ou outra). Ou seja: o jornal era melhor.

As coisas melhoraram um pouco de lá para cá, mas talvez não tenha mudado a minha conclusão de então: o melhor dos três veículos era o Lance!, por dar espaço para o leitor, usar uma diagramação mais ousada, cores em todas as páginas. É claro, falamos da versão impressa.

A versão online era tão boa que minha conclusão foi que o jornal impresso era mais interativo do que a versão online. Isso porque na impressa o leitor tinha espaço para críticas, sugestões, frases, espaço para escalar o seu time, com gráficos bem feitos e até para mandar matérias interessantes - o jornal paga por elas quando usa.

As tabelas, os gráficos, o visual, a opinião do leitor que gera matérias interessantes, tudo me levava a crer que a versão online era só uma extensão do impresso, e feita só para marcar território - coisa do início da internet, quando as empresas não sabiam para que servia, mas sabia que precisavam ter.

As coisas melhoram um pouco com o tempo. Melhoraram. Os jornais ficaram melhores e os sites também. O portal do Estadão ficou muito melhor, mais próximo do que é a web hoje. O do Lance! melhorou bastante também.

O da Placar, que era o pior dos três, fez uma evolução bastante visível. Podcast, blog, novo design... E o mais importante: usa a sua excelente qualidade editorial para essa nova forma de fazer jornalismo. Os podcasts com Sergio Xavier, Arnaldo Ribeiro e André Rizek são simplesmente imperdíveis.

Espero que seja un sinal que o jornalismo tá saindo do 0.5 e tentando chegar à web 2.0 - que parece já estar quase no 2.5.

terça-feira, 11 de março de 2008

Formação para informação

A minha vida como jornalista, oficialmente falando, começou na semana passada. Virei freelancer de um grande jornal de São Paulo na mesma semana que comecei a faculdade de jornalismo. As duas coisas não são ligadas apenas pela essência, o jornalismo. A relação é muito mais direta.

Estudei em uma grande universidade, a PUC-SP, em um curso pouco conhecido, Comunicação e Multimeios. O curso tem um aspecto inovador, mas ainda não tem identidade. A briga entre os departamentos que fornecem professores ao curso ainda parece distorcer, a cada nova administração da coordenação, o conceito do curso. O curso é bom, dá uma visão ótima sobre mídia, sobre como pensar comunicação. Mas saí sentindo que faltava algo mais. Muito mais.

É fato também que eu já era apaixonado por jornalismo desde pelo menos o segundo ano do curso, o que pode ter agravado essa sensação. Mas mesmo aos que saíram do curso satisfeito, essa impressão é comum. Ainda falta alguma coisa...

O curso da PUC-SP, teoricamente, me daria formação suficiente para trabalhar em um jornal, como jornalista.

Teoricamente.

Porque já me inscrevi outras vezes para trabalhar na grande mídia, mas sequer fui chamado para fazer provas. Bastou colocar "Jornalismo, USP" e parece que as coisas mudaram. Fui chamado para a semana de treinamento, com palestras sobre a profissão e o dia-a-dia de um jornal. E me inscrevi em uma vaga para freelancer do caderno de informática. Juntanto a minha experiência na área com a chancela de jornalismo da USP, vòila!

Por mais que muitos achem que o diploma é bobagem, que "qualquer pessoa com boa formação pode ser jornalista", o mercado diz que não. E muitas vezes ouvi a porta bater na minha cara porque eu não era jornalista. Mal comecei a faculdade e as coisas mudaram muito. Passei a fazer parte. Não julgo se isso é certo ou errado, porque seria uma avaliação estúpida. Até porque eu entendo e até conordo em alguns pontos sobre a tal obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista.

O que ficou bem claro para mim foi: a lei da obrigatoriedade pode até não existir. Mas o filtro dentro do mercado não irá se dissipar, ao menos a curto e médio prazo.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Distâncias e diferenças

Quem não quer viajar todo dia? Eu não quero. Porque nem toda viagem é boa meus caros. Estou curtindo demais participar da ECA, da USP e etc e tal. Mas tem uma coisa bem ruim: o transporte.

Moro na zona leste da cidade dessa enooooooorme cidade. E a USP fica na zona oeste. Ou seja: vai-e-volta, sem malícia, mas com muito calor, trânsito, ônibus, leitura, música, estudantes e quase duas horas de percurso.

Lembro quando estava na PUC que uma menina que morava em Vinhedo demorava basicamente o mesmo tempo para voltar para casa que eu, morador de São Paulo. E ela ia de ônibus!

Bom, é fato que eu não moro perto. Não moro no fim da zona leste, mas já é bem longe. E é fato que a USP, sendo longe pra dedéu da minha casa, me faz levar um tempão. Mas vi outra coisa: do lugar onde prestarei serviço nos próximos quinze dias, que é beeeeeem no centro da cidade, chagar à USP demora cerca de uma hora e cinco minutos, segundo o site da SPTRANS. Então a USP é longe mesmo - ou, no mínimo, pouco acessível.

Talvez seja uma metáfora do que é a constituição social ali dentro. Para quem mora nos Jardins, Jaguaré ou Vila Madalena, por exemplo, a USP é super perto. Para mim, ela sempre foi muito longe. Mesmo agora, que eu consegui finalmente entrar, ela continua longe. Curioso não?

Outra coisa é que eu sou quase um tio na sala. Há apenas três (!!!) pessoas acima de vinte anos entre os 30 alunos do primeiro ano, como já contei no post anterior. Cara, impressionante como a galera consegue entrar direto do colégio em um curso tão concorrido. Haja berço.

Seja como for, consegui um freelancer como jornalista da grande mídia por quinze dias. E foi assim que começou o meu dia: com a notícia que eu terei um trabalho desse nas próximas duas semanas. Era o que eu queria.

Curiosamente, consegui meu primeiro trabalho como jornalista exatamente depois de uma, eu disse uma, aula no curso de jornalismo. Talvez por isso eu pareça um estranho na minha sala: não vou de bermuda, vez por outra uso uma camisa, parece que só eu tenho barba... Enfim.

O que eu já pude sentir é que hoje, na minha segunda faculdade, consigo aproveitar e pensar muito melhor o curso. Uma pena que as exigências modernas nos fazem entrar na faculdade com 17 anos. Perdemos uma boa parte do que nos é oferecido simplesmente porque não estamos preparados para ouvir aquilo. Com 24 anos, como estou agora, tudo parece muito melhor, mais claro.

terça-feira, 4 de março de 2008

Jornalismo, dia 1

Foi um dia importante. Na sexta recebi uma convocação para fazer uma prova na segunda para ser repórter em um grande jornal brasileiro. Foi ontem. Exatamente o mesmo dia que começaram as aulas do curso de jornalismo na USP, que eu tanto queria.

Curioso: minha vida profissional como jornalista começou, de certa forma, no mesmo dia que iniciei a vida acadêmica em jornalismo. Uma data, dois inícios, mas ambos totalmente relacionados.

Fiz o teste e achei relativamente fácil. Talvez um pouco pela minha auto-confiança, e certamente uma grande parte porque eu me preparei para isso. Agora era só esperar...

E nem precisei esperar muito. Mais tarde, recebi uma ligação com o editor, me chamando para conversar, me conhecer melhor. Uma espécie de entrevista. Rá! Bingo! Meu teste foi bem feito. Ficou tudo para hoje.

Mas antes tinha o início da faculdade. Ônibus lotado para ir da zona leste à zona oeste, onde fic USP. No ônibus, vários estudantes, muitos com cópias de textos ou mesmo livros. Leitura é uma atividade bem presente no ônibus que vai para a cidade universitária.

Já na sala, começa a aula. Cada nome da chamada diz quantos anos tem. Só quatro acima dos 20 anos de idade, entre os 33 presentes, sendo um aluno antigo da USP. Sobram três ingressantes com mais de 20 anos: uma de 22, outro de 39 e eu, com meus 24.

Eu já conhecia a professora: ela tinha participado da banca examinadora de uma defesa de doutorado que assisti no ano passado. Comentei come ela no fim da aula, ela ficou feliz em saber que eu trabalhava com a doutoranda daquela ocasião.

Durante a aula, ela pergunta quem teve experiência na edição de wiki. Só uma pessoa e eu. A nata da sociedade está lá. Afinal, entrar em um dos cursos mais concorridos da USP com 17 anos, é preciso uma formação muito boa. Infelizmente, só quem tem alguma grana pode ter isso hoje em dia. É uma nata, que entra direto do colégio ou, no máximo, fez um ano de cursinho.

Foi só o primeiro dia, mas já deixou algumas impressões. Veremos como será esse daqui pra frente.

domingo, 2 de março de 2008

A materialização de um sonho

Freqüentemente olho para a minha vida e vejo vários momentos que foram fundamentais na trajetória (para o bem ou o mal, diga-se de passagem). Na maioria das vezes, não temos a dimensão do acontecimento na hora que ele acontece. Mas eu sinto que estou para viver um momento que estará para sempre na minha memória: o início da faculdade de jornalismo, na ECA.

São vários motivos para isso. Primeiro, e mais importante, é porque jornalismo é a minha paixão. Demorei para descobrir, só percebi, de fato, depois que comecei outra faculdade de comunicação. E quando já estava para terminar, já tinha decidido: estudaria jornalismo depois.

Dois anos depois de formado, aqui estou eu, começando outra universidade. Os meus três leitores sabem que não foram dois anos de descanso. Ao contrário, vivi o inferno do vestibular nos dois anos. E terminou da melhor maneira possível: estou na ECA, a mais famosa escola de comunicação do país.

A ECA é uma escola fascinante, e isso eu já percebi de outros carnavais. Fui visitar a escola para assistir à defesa do doutorado de uma das pessoas que mais gosto e me apaixonei, definitivamente, pela ECA. Aquele foi um momento fundamental, que me marcou e me deu muito mais força ainda para continuar os estudos e chegar ao sonho do jornalismo.

Ouvi milhares (exageraaaaado) de críticas ou comentários enfadonhos sobre a escolha da profissão. Muitos jornalistas frustrados lamentaram suas tristezas, dizendo que era uma triste escolha, que trabalha demais, que ganha pouco... Como se eu não soubesse de tudo isso.

A grande diferença que eu costumo dizer que existe é que eu escolhi o jornalismo não (apenas) para ser meu ganha-pão. Até porque eu já tinha outro e, por sinal, me daria muito mais dinheiro. Escolhi o jornalismo para fazer ser a minha diversão, minha profissão, completar a minha existência. Parece uma bobagem idealista, mas cada discurso contra parecia me confirmar isso. E olha que trabalhando no mundinho dos coxinhas (leia-se mundo corporativo) causou vários desses comentários engraçadinhos de administradores, economistas e até colegas de outras áreas.

Estou diante de um desses momentos que ficarão para sempre. Vão começar as aulas na ECA nesta segunda-feira. É um momento fundamental nessa caminhada de jornalismo, que já tem outros rumos surgindo. O ano começou excelente para mim nesse aspecto profissional, mesmo que isso não signifique ganhar dinheiro - aliás, até ao contrário. Mas a satisfação, ah, essa ninguém tira de mim.

A seguir, cenas do próximo capítulo.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Uma semana para a vida


Uia, bá, meu, mermão, guria, piá... Uma mistura de estilos, jeitos, culturas, lugares, mas todos com um objetivo: serem jornalistas da Folha. A mistura de sotaques foi uma marca da semana.

Cada dia uma forma de se conhecer. Uma pessoa diferente, um sotaque diferente, uma história diferente para contar. Cariocas, mineiros, gaúchos, catarinenses, brasilienses, paranaenses, cearenses e paulistas, claro. As descobertas não paravam, ao passo que tudo acontecia.

A semana foi passando, os dias começavam e terminavam e guadávamos, pouco a pouco, um pedaço de cada um dos que conversávamos. Quase todos jornalistas de formação, todos tinham experiências de vida, de trabalho para contar.

Chegamos à sexta sabendo que, talvez, ficaríamos muito tempo sem nos ver novamente. Talvez nem nos víssemos mais. Aí entra a Internet, que nos uniuu antes do encontro e será fundamental para mantermos contato. Essa mesma Internet, de onde eu tiro a maior parte do meu sustento. E onde eu quero levar o jornalismo.

O que aprendemos em cada palestra, cada exercício, cada interação, cada conversa, isso tudo é impagável. Guardamos nossas anotações não só em bloquinhos de papel com a marca da Folha de S. Paulo, mas também na nossa história, na nossa vida. E que fiquem algumas das pessoas que conhecemos, para lembrar.

sábado, 26 de janeiro de 2008

PR 43 - SP 11

Diário de bordo

Londrina, 25 de janeiro de 2008, 7h

O visor do celular marca "VIVO PR 43". Cheguei em Londrina já com o dia claro. Embora tenha havido paradas, consegui dormir em boa parte da viagem. Ouvi muita música no celular e no mp3 - músicas que me fizeram lembrar sensações e sentimentos que me trouxeram aqui.

Na rodoviária, uma simpática faixa da UEL recepcionava os calouros com boas vindas e indicava como chegar até a Universidade, usando as linhas de ônibus. Fiquei surpreendido, mas não deveria: a UEL é uma instituição que se preocupa muito com os alunos, ao que parece.

Fui tomar um café, essa bebida tão gostosa e que é fruto da terra - Londrina já foi uma das maiores produtoras de café do Brasil. Na hora de pagar a bebida, uma surpresa: custou só R$ 0,80. Um sinal do baixo custo de vida, comparado a São Paulo.

E um sinal também que os protestos veementes de moradores e principalmente de estudantes pelo que consideram um preço abusivo nos ônibus: R$ 2,00. Considerando o custo de vida da cidade, o preço é realmente alto - pouco menos do que os R$ 2,30 que pagamos em São Paulo.

Em um aspecto, Londrina e São Paulo são muito parecidos: pegar ônibus às 7h30 da manhã é sinônimo de lotação. Bom, talvez não tanta quanto em alguns ônibus de São Paulo, mas ainda assim, bem cheio. Não foi difícil reconhecer a UEL quando chegamos. Confirmei com o cobrador e desci, junto com muitos outros estudantes na mesma situação.

Fiz a matrícula tranqüilamente. Demorou algum tempo na fila, mas a organização foi tamanha quue esse não foi um problema, definitivamente. Ao entrar na sala onde seria feita a matrícula, cada aluno recebia uma senha, que seria chamada em um painel eletrônico. Para esperar, muitas cadeiras à disposição. Tudo organizado.

Na saída, os veteranos - muitas mulheres, por sinal - perguntavam o curso. Uma delas olhou para mim e falou: "você é jornalismo, não é?". Eu nem precisava responder que sim: calça jeans, camiseta sem estampas, cabelo curto, barba por fazer e óculos. Estava escrito na minha cara - ainda não literalmente - que eu faria jornalismo.

Eram duas meninas e um cara. Perguntaram de onde eu era, enquanto pintavam minha cara e meu braço com batom e tinta guache. Respondi que era de São Paulo, e uma delas disse que eu gostaria de Londrina. "Já gosto", respondi.

Voltei para a rodoviário ainda pintado, para tentar trocar a minha passagem - marcada para as 21h30 - por uma que tivesse um horário mais cedo - de preferência, o próximo ônibus, às 11h10. Era 10h25. "Só tem um lugar". "É o meu". Troquei a passagem e fui limpar o rosto.

Encontrei um outro estudante limpando o rosto. Ele também faria jornalismo e também chamava Felipe. Conversamos um pouco e ele me contou que era de São Paulo e que ainda esperava o resultado da UNESP para saber se viria definitivamente para Londrina.

Conversamos um pouco sobre universidades, expectativas, as cidades. Disse a ele que ainda esperava o resultado da Fuvest para também definir a minha vida. Ele iria no ônibus das
13h, disse que ia almoçar um hanbuerguer muito bom que tinha ali perto. Nos despedimos, desejando boa sorte um ao outro.

O lugar que tinha sobrado no ônibus era o pior, claro: poltrona 40, a última, ao lado do banheiro. Mas tudo bem, ao menos chegaria logo em casa e não precisaria ficar zanzando em Londrina sem ter dinheiro para fazer alguma coisa. E ao menos uma mulher ficou ao meu lado - uma menina, eu diria.

Dormi boa parte de viagem, terminei de ler Cem escovadas antes de ir para a camaI, de Melissa Panarello e comecei a ler outro livro. Cheguei em São Paulo pouco antes das 18h30, quando a noite começava a se desenhar no céu da capital paulista.

Era 18h30 e eu tinha passado praticamente 15 horas do dia em um ônibus, contando desde as 23:30 do dia anterior, quando tinha partido dali mesmo. Cheguei em Londrina às 7 da manhã, parti às 11h10. Quatro horas na bela cidade, e mais de meio dia dentro do ônibus.

Matrícula garantida, paixão por Londrina renovada, pulmões cheios de esperança, depois de respirar os ares do novo na cidade chamada de "capital do norte do Paraná". Este será um ano muito bom, eu posso sentir. Mesmo que eu não saiba onde estarei daqui a um mês, no dia 25 de fevereiro, data de início das aulas.

O visor do celular, agora, marca "VIVO SP 11". Daqui a um mês saberei se o visor ainda estará marcando a mesma mensagem ou se voltará a marcar aquela do início deste texto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

London Bridge

Passei a minha infância morando em rua com nome de Coronel, mas próximo às ruas Oxford, Pall Mall e Londres. Na faculdade, um amigo meu dizia que eu era londrino, porque andava de camiseta enquanto todo mundo morria de frio nas suas blusas. Quando resolvi fazer jornalismo para aquietar a minha vontade incontrolável de ser jornalista e não passei no primeiro ano de vestibular, resolvi prestar o vestibular da UEL, em Londrina. Agora, vou para lá fazer a matrícula, enquanto espero pelo resultado de São Paulo.

Talvez eu não vá mais morar perto da rua Londres, mas estarei em londrina. Eu não sou londrino, mas posso vir a ser londrinense. Nunca fui a Londres, mas Londrina, já é a terceira vez. E, ainda, talvez Londrina seja a cidade que vai presenciar a minha mudança, oficialmente falando, de profissão. Bom, talvez não profissionalmente, ao menos no começo. Mas ao menos em termos acadêmicos.

Serão dois dias dormindo no ônibus: um na ida e outro na volta. Tudo para gastar o quanto menos for possível. Passarei algumas horas em Londrina, onde talvez eu passe os próximos anos da minha vida. A aventura começa aqui. E aí, talvez, o nome do blog não seja mais propício. Porque se tem uma coisa que Londrina não tem, isso é caos. Cidade grande sim, caos não. Talvez só permaneçam as minhhas intermináveis crises.

Me sinto em uma tarde nebulosa de Londres, com a fog a tapar os olhos. Não consigo enxergar um palmo à frente do meu futuro. Daqui a um mês, a vida é um mistério para mim. Que venha o melhor.