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quarta-feira, 21 de março de 2012

Ah, história, me tens de regresso

Conhecer a história é uma forma de conhecer a nós mesmos. A frase parece dessas babacas de autoajuda que vendem em livros com nomes engraçadinhos por aí, mas ela tem muito sentido. Aula de História do Brasil Independente I, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Um pouco da nossa história, de como o Brasil se tornou o Brasil. E como a história explica o que somos... A história da independência é incrivelmente reveladora. Me acompanhem.

Para começar a premissa básica do Estado brasileiro é que ele não nasce para incluir. A ideia é que precisa controlar os selvagens, manter a civilização. Nunca houve sequer uma lei racial no Brasil. O preconceito nunca esteve explícito. Presente, mas disfarçado de um "mas não é uma questão racial, é social". Era, de fato. Como ainda é. Mas é racial também...

Teve muito mais. Aqui era o país dos liberais, mas liberais escravistas. Pois é. Liberdade, igualdade e fraternidade? É, só que adaptado à realidade do Brasil recém Imperial. Liberdade é igualdade. Mas quem pode ser igual? Quem tem posses. Porque é preciso que seja garantida a liberdade da desigualdade, já que os homens são naturalmente desiguais, nascem desiguais. E, portanto, precisam da liberdade de poder exercer essas diversas habilidades, sem que aqueles que não as possuem atrapalhem. Criativos esses liberais brasileiros.

Não era só isso. O famoso laissez faire, usado como um mantra do liberalismo, era presente no Brasil dessa época também. Sim, os senhores de escravos liberais queriam que o Estado intervisse pouco, quase nada. Só se fizesse presente quando fosse para retalhar as rebeliões de escravos e para manter o fornecimento incessante de escravos. Ninguém sequer cogitava ceder alguns escravos para construir estradas que facilitassem o transporte, mesmo que isso fosse ajudar no transporte de mercadorias e até mesmo para que chegassem escravos. Bem comum? Não senhor, penso no meu e acabou. O mundo fora da fazenda não me importa. Qualquer semelhança é mera coincidência.

Tem mais. Democracia? Não é possível falar nisso no Brasil imperial. Ora, como por que? Os liberais da elite brasileira, que comandaram a independência do país, queriam livrar-se da tirania do governo do absolutista D. Pedro I. Mas não podiam deixar que o povo da rua, a plebe, tomasse o poder. Não seria a democracia, seria a canalhocracia, uma dominação tirânica da massa despreparada sobre os mais bem preparados para pensar em governo e Estado. Parece estranho? Mas fazia todo o sentido. E faz sentido porque explica um pouco de como vivemos em 2012, quase 200 anos depois.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A falsa dualidade de salários de jogadores famosos e professores


Vieram me falar sobre o “Mulheres Ricas”, novo programa da TV Bandeirantes, me dizendo que seria bom eu ver porque eu “escrevo sobre coisas críticas”. Como não escrevo sobre doentes terminais, guerra civil na África ou qualquer coisa do tipo, não entendi muito bem o rótulo que me deram. Terminaram a indicação dizendo que era uma afronta, mais um reality show que mostra ostentação, que esse país é um absurdo, que temos jogadores ganhando milhões, deputados ganhando salários exorbitantes e professores ganhando miséria. Opa, peraí, vamos com calma para não misturar alhos com bugalhos. Vamos conversar sobre isso.

Neymar: astro mais bem pago do futebol brasileiro
Não foi a primeira vez que esse tipo de comparação chegou até mim. Constantemente recebo e-mails indignados com comparações desse tipo. E com o Big Brother Brasil se aproximando, você certamente ouvirá isso também quando se falar do programa da TV Globo. Como pode um participante de um reality show ganhar essa fortuna enquanto milhares passam necessidades? Uma crítica ainda mais pobre do que as pessoas que passam as necessidades que quem usa esse argumento tenta exemplificar.

Professores ganham mal no Brasil e isso é um fato. Não deveria ser assim. Ninguém discute isso. Só que comparar o salário de um professor com um grande atleta é descabido. Os grandes atletas geram muito dinheiro e, por isso, recebem também muito dinheiro. Pode se discutir se recebem mais do que deveriam, se o mercado não supervaloriza os salários dos grandes atletas. Compará-los com professores é esdrúxulo. Os professores devem ter o salário mais alto, mas esse é um problema de políticas públicas do país. Grandes atletas ganharem menos não traria o benefício de professores ganharem mais do que atualmente. Tanto que em países onde o professor é mais valorizado há atletas que são muito bem pagos. Uma coisa nada tem a ver com outra.

“Mas é um insulto que o Ronaldinho Gaúcho ganhe mais de R$ 1 milhão e um professor ganhe R$ 1 mil” (sério, recebi isso por e-mail). É uma diferença enorme, mas a culpa não é do Ronaldinho e nem do esporte. Claro que a comparação é chocante, mas vilanizar os jogadores que recebem os altos salários é direcionar as forças para o lado errado. Em um dos e-mails que recebi, a comparação dizia: “Neymar: R$ 3 milhões para chutar uma bola (...). Professores: R$ 1000 para ensinar as pessoas, algo que não é mesmo importante”. Mais uma vez, a origem do dinheiro que paga as duas profissões são completamente distintos e comparar um ao outro é apenas uma demagogia.

Se formos analisar em um microscópio todo o dinheiro mal gasto em relação ao que deveria ser, e aquela sua viagem ao nordeste em hotel cinco estrelas? E aquele carro que você comprou pagando R$ 70 mil, se você podia ter um carro de R$ 30 mil? E aquela compra desnecessária no seu cartão de crédito só para satisfazer uma vaidade? Ora, quer dizer que o jogador não pode ganhar um dinheiro que oferecem a ele, mas você pode gastar R$ 500 para ir no show do Lollapalooza e tudo bem?

Chegamos então aos deputados. Sim, eles ganham muitas mordomias. Sim, ganham mais do que fazem valer. Sim, custam muito para o governo que tem a conta paga por todos. O que temos que pensar é que do mesmo modo como reclamamos que os policiais deveriam receber um salário maior e mais justo para diminuir a tentação da corrupção, os deputados não podem ganhar mal em um lugar onde as tentações por corrupção também são altas, talvez mais do que em qualquer lugar.

É justo reclamar que os deputados ganham benefícios em excesso e gastam mais do que deveriam. Só não dá para querer que eles ganhem mal. Os salários dos legisladores devem ser altos sim, porque essa é uma forma de tentar evitar a corrupção. Alguém deve estar gritando que isso não adianta nada, já que estamos em um país bastante corrupto. O problema, então, não é o salário, mas a falta de fiscalização do governo sobre isso. E, em outra escala, culpa nossa por permitir que isso aconteça e continuarmos elegendo os mesmos, não se manifestando quando algo de errado acontece ou, pior, chamando de vagabundos aqueles que tentam protestar contra o que consideram injusto. Não é difícil pensar em exemplos, inclusive recentes, não é mesmo?

Então, que tal pensarmos um pouco melhor nos argumentos que usamos e pararmos de usar esse argumento rasteiro? Seria bom para todo mundo, inclusive para discutir como melhorar, e não só dizer que o Neymar ganha muito.

PS: Sequer cheguei a ver "Mulheres Ricas". Mas não é criticando o que quer que se passe no programa que vai se conseguir uma melhora para outros setores da sociedade. Não se esqueça de olhar na sua fatura do cartão de crédito. Tem certeza que você não faz o mesmo que elas dentro do que você pode pagar?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Fazendo força

E aí que eu comecei a fazer academia. Aliás, parênteses (mal comecei e uso parênteses... E ainda coloco um partênses no meio do parênteses!): estava no telefone com meu pai e disse que saindo do trabalho ia para a academia. "Ah, vai direto pra faculdade". "Não, pai, é academia de exercício físico". "Ah, tá...". Fecha parênteses.

Como eu dizia, voltei à academia. Pois é, recomendação médica para fortalecer a musculatora em volta do joelho machucado que será em breve (espero) operado. E, bom, também preciso perder peso, então, é juntar o útil com o necessário.

O negócio é que eu gosto de exercícios. Sério, gosto mesmo. Me sinto melhor quando faço exercícios. Comecei pouco antes das férias, o que complicou um pouco minha frequencia, com provas e trabalhos finais em sua fase mais aguda.

Vieram as férias e passei a ser assíduo, no mínimo três vezes por semana, na maioria quatro ou cinco vezes. Só que não ter hora para sair de lá era um fator que facilitava. Com a volta às aulas, a correria chegou também. Sair no horário do rush da academia me faz chegar atrasado na faculdade. Todos os dias.

E aí que to pensando em como adequar isso tudo nessa nova rotina. Rotina que tenho medo que se torne massacrante e que estou tentando me planejar para não deixar que me transforme em pó.

Aliás, curiosidade dessa volta à academia é que não senti dor. Talvez resultado da excelente academia que estou fazendo (pelo que cobram também, é só o que eu podia esperar). Senti resultados primeiro em mais fôlego e, aos poucos, no próprio corpo. É, tá melhorando.

Mais do que isso, uma motivação de ficar mais animado, mais disposto. Porque sedentarismo tem isso: quanto menos exercício você faz, menos dá vontade de fazer. A relação contrária está se tornando verdadeira para mim, o que tá sendo ótimo.

Fato é: espero que não seja temporário. E que comece a perder peso - porque nesse ponto eu ainda não senti diferença nenhuma.

Devo dizer também que a academia tem um papel importante em outro campo: psicológico. Ajuda a desestressar, a não pensar em algumas coisas que poderiam atormentar nas férias, tal como falta de uma pessoa. Não senti nenhuma falta. Um pouco, sei que é pela atividade constante, mente preenchida com outras coisas. Outra parte é mesmo uma vitória emocional.

Diria que exercício físico é ótimo para depressão. Não cheguei a tanto, mas senti seu efeito. Espero que continue.

domingo, 21 de junho de 2009

O eterno duelo entre diversão e obrigação

Passo grande parte dos dias em frente ao computador. Como é parte do trabalho, é inevitável. A questão é que parece que, cada vez mais, a obrigação domina a diversão. Isso significa que toda vez que estou no computador, me sinto trabalhando. Ou, pior, fico com a sensação de ter que estar trabalhando.

É difícil ter foco no que eu preciso fazer no computador fora do trabalho. Memso no trabalho a tarefa passa longe de ser fácil, mas parece muito mais simples. Ali é obrigação e com obrigação é mais fácil lidar. Tem que ser feito. Mas e quando se trata de outra coisa?

Esse final de semana eu tomei para fazer os trabalhos que a faculdade exige que sejam entregues nessa semana derradeira. Claro, deveria ter começado a fazer antes, durante outros períodos mais tranquilos do semestre. Deveria, óbvio, mas sabemos que nunca é assim. Então, acumula grande parte para esse momento. Mas concentrar-se nesse tarefa é difícil.

O computador lembra trabalho. Quando não lembra trabalho, tem muitas outras coisas para serem feitas, daquelas que você coloca na lista de prioridades que nunca chegam. Uma delas é escrever. Me sinto bem escrevendo, faço isso sempre que posso, é um prazer, um lazer, uma diversão. Mas escrever no blog, ultimamente, parece perda de tempo. Parece que o trade-off não compensa. Deveria estar fazendo outra coisa, mais importante. Deveria estar fazendo alguma obrigação, entre as muitas que existem.

Fato é que a diversão fica para o lado, a obrigação não é cumprida por inteiro e o problema aumenta nos dois campos. Nem há a diversão, nem a obrigação. Parcialmente, ao menos, a obrigação é cumprida. Pouco a pouco, ela vai sendo cumprida. Mas a diversão... Fica para a próxima. Uma próxima, na verdade, muito distante.

E estou aqui, escrevendo, enquanto estou pensando que deveria estar dormindo, para descansar, para poder trabalhar bem no outro dia, cumprir as obrigações. Ah, sempre elas, as obrigações.

Esse duelo infernal entre obrigação e diversão enfraquece as duas, tanto que nem uma delas consegue ter a minha dedicação devida. Sempre me coloco metas para cumprir, nem sempre consigo atingir todas elas. Talvez porque as coloque alto demais. Talvez porque precise me dedicar mais. Fato é que essa semana vai exigir, mais uma vez, a dedicação da urgência - e com ela, a eficiência para incrivelmente aumentar. Coisas da pressão.

Ao menos esse final de semana cheio de obrigações não cumpridas completamente estancaram a ansiedade pela semana que chega. A ansiedade pelas mil palavras silenciadas que parecem cada vez mais próximas de sair. Que parece terem data para sair. Que devem mudar tudo - mesmo que não mude nada. Mas essa é uma outra conversa...

terça-feira, 26 de maio de 2009

2 roupas, 2 comportamentos

Manhã. O sol já está alto, mas o vendo frio ainda impera. As pessoas se juntam, involuntariamente, rumo aos seus destinos. Os olhos se encontram com muitos outros olhos. Na maioria das vezes, não dura nem um segundo.

Alguns olhares duram mais. Medem. Encaram. Sentem. Até paqueram, despretenciosamente. Olhares perdidos, esquecidos, distraídos, sérios. Parados. Analisam. Ela, calça social preta, risca de giz, uma blusa branca, fechada, bastante sóbria e um blazer preto, também risca de giz. Loira de cabelos bem claros, olhar sério, centrado. Olhos castanhos, não muito claros. Entre 28 e 32 anos, provavelmente.


Roupa, a personalidade de vestir

Ele, camiseta cinza, calça jeans azul escuro, tênis, cabelo arrumado, mochila nas costas, fone no ouvido, barba por fazer. A idade é algo entre 22 e 26 anos. Olha para Ela, que não tira a frieza do olhar. Se posiciona, se segura, enquanto o metrô segue. A postura dela é de uma mulher segura, quase-auto-suficiente. Ele lembra-se de quando, vestido de terno e gravata, olhavam-no com um ar de seriedade, maturidade e, por que não dizer, certa admiração.

As roupas, dizem, falam por nós. A moda está presente em nós mesmo se a renegarmos. Curioso como uma relação de mulher, um pouco mais velha e roupa social com um homem com roupas mais informais, aspecto mais jovem nos acessórios também, cria uma barreira que, em outra situação sequer existiria. Talvez até os aproximasse, se a diferença de roupas, pura e simplesmente isso, não fosse tão visível.

Ela o observa, discretamente. Sente que ele direciona seu olhar para ela frequentemente. A procura. Ela não se parece se incomodar, mas tampouco tenciona tornar o rosto mais suave, destravar os lábios e sorrir. Mantém-se firme. Ele também não esboça um sorriso, mas olha para ela procurando qualquer pequeno sinal de receptividade.

As roupas dele sugerem que ele é mais novo. Que talvez ganhe menos. Talvez seja imaturo. A camiseta, o jeans, o tênis, a mochila... Aquele aspecto um tanto jovem demais para uma mulher como ela, com seu blazer bem cortado, sua calça social, sua maquiagem muito sóbria, ainda que bela.

O sinal toca. Movimentação, dispersão, Ela some dele, ELe some dela. Ela sequer olha para trás. Continua seu caminho, sem saber se está sendo caçada pelos olhos dela. Nem se preocupou. Ele não a procura - inútil buscar a atenção de quem não a deu em nenhum segundo inteiro.

Ela vai para a grande corporação que trabalha, linda, imponente, impecável. Ele vai apenas trabalhar, com seu jeans, camiseta e mp3 no ouvido, cantando em silêncio.

sábado, 23 de maio de 2009

Todo dia

A música dá início ao dia que começou antes do último suspiro do dia. E começa com "I'm I lost? Sent too far away...". Parece prever o que virá pela frente.



Os olhos procuram onde se prender, como se estivesse buscando um ponto de apoio em uma escalada. Qualquer vacilo, e caem, fechando as cortinas do mundo. Mundo que pede que tudo aconteça ali, rápido, agora, já, para ontem, muito, sempre.

Se a visão está comprometida, a audição tenta manter o sistema funcionando, se embriagando com melodias e letras, que se esmagam na falta de ar, no pé pisado, no espaço disputado, no calor inevitável, nas expressões sérias, na falta de sorrisos, nos rostos femininos maquiados, nos olhares não correspondidos.

As palavras finalmente chegam, atrolepadas por um montro chamado prensa pressa. Elas aparecem, se combinam e se tornam poderosas. De despretenciosas, ganham vida, significado, traços, personalidade, preconceitos, julgamentos, amores e ódios. Sem sequer ter pensado nisso.

Os olhos já não buscam mais apoio. Foram abastecidos por substâncias químicas pesadas, porém naturais, transformadas em líquido preto. O efeito não é o esperado, mas o passar do dia se encarrega de manter os olhos abertos.

O sol, na descendente, leva a oeste a realização do sonho de dois anos antes. O caminho inclui muito cinza, paradas, mas também inclui trilha sonora, por vezes também arranjos de palavras e muitos sentidos, além de, frequentemente, viagens ao mundo de Orfeu.

Orfeu sai de cena, entra Baco, com sua alegria, sua forma viciante de lidar com tudo que envolve. Gosta de envolver produtos de frutas roxas em suas intervenções, embora apareça menos do que aquelas de origem nas gramíneas.

Mas o ingrediente principal da receita de baco é a rede de sorrisos que ele cria, ligando um ao outro de forma quase indissolúvel - ainda que às vezes as cordas sejam roídas e fiquem mais fracas. Ele sequer precisa intervir: a ausência de sorrisos que corrói a corda faz com que os sorrisos se busquem, se descubram, se solidarizem. Porque a quebra de uma corda seria a ruína de Baco. E isso ele não permitiria.

Antes de o ciclo voltar ao zero - ou, às vezes, até um pouco depois -, vem ela. A companheira que se faz presente várias vezes na semana. Aquela com quem eu tenho cada vez mais intimidade, que se deita na cama comigo diversas vezes, que me acompanha nos piores momentos. E eu só sei reclamar dela, xingá-la, praguejar sobre ela. Ah, insônia, você me entenderia se estivesse no meu lugar!

Que se fechem as cortinas. A trilha sonora do amanhã chega muito antes do esperado.

terça-feira, 12 de maio de 2009

O sono dos inocentes

Tarde da noite. Chego em casa, como, penso no que farei no dia seguinte. O computador. Aquela doce tentação de ver os e-mails, sempre tão numerosos, sempre com tantas coisas. Muito o que fazer, de útil, inclusive (aliás, acabei de me lembrar sobre algo importante, aguentem aí. ... Pronto. Livro que preciso encontrar, um problema).

Vá lá, tenho mesmo muito o que fazer e muito disso pode ser feito no computador. Logo, nada de mau em usá-lo. A "questã" é que não faço metade (otimista...) das coisas que penso/quero/tenho que fazer. E aí vão lá horas e horas e quando vejo: pimba! Mais de 2h da manhã e eu ainda não dormir. Pior: estou sem sono.

Pergunta: por que? Resposta 1: insônia. A maldita tem me pegado nos últimos anos. Em alguns casos, consegui capitalizar em cima dela: freelancer, em uma época, trabalhos e estudos em outra. A grande maioria do tempo, porém, é puramente dedicada ao desperdício.

E tem o trabalho. Todo dia, cheg uns 15 minutos, no mínimo, atrasado. Todos os dias acordo pensando que devo sair mais cedo, para não me atrasar mais. Justo, simples. Simples? Acordo, faço as coisas mais rápido, acho que vai dar tempo e quando vejo, fiz tudo igual.

O tempo é uma das preciosidades mais caras que temos na vida e eu sempre sinto como se fosse aquelas ampulhetas, com a areia caindo com cara de desperdício.

Vejam hoje. quase 2h da manhã e eu aqui. Ao menos hoje eu achei um sebo com o livro que eu preciso para um trabalho da faculdade (lembra da pausa lá em icma?). Ao menos estou exercendo um pouco da muita vontade de escrever aqui que tenho (tenho muito mais a dizer sobre isso, mas não tenho conseguido colocar em prática, sabe-se lá por que).

Enfim, boa noite.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Metalinguagem

Mil idéias. Vontade de transformar tudo em palavras. Um turbilhão de palavras, que se alinham em frases e, de repente, somem porque surge uma outra combinação, outras palavras, outras frases. Vontade de escrever tudo, falar sobre tudo, colocar tudo em um texto.
A entrada do ano de 2009, com a família, as mudanças, as lembranças do ano passado, quando a virada do ano foi só o começo... A Fuvest, que me tomou dois anos de preparação, era o prato do dia. Aliás, dos dias: de todos que antecederam os três dias de prova, iniciadas no primeiro final de semana do ano. Vi amigos passando pelo mesmo que passei, pensei o quanto isso mexe com a gente, o quanto transforma nossas vidas.

Pensei que mudou a minha vida. Que eu iria para Londrina, outra cidade, outra vida. Que acabou me dando a chance de conhecer pessoas que se tornaram amigos de um jeito incrível, como se já nos conhecessemos há anos. Como se a amizade já existisse e o que faltava era apenas se encontrar.

Em 2008, comecei o ano com um pedido. Mais: uma obssessão. Queria passar no vestibular. Só isso. Nenhum outro pedido. A realização desse pedido foi tão boa que só pude agradecer o resto do ano por isso. Por ter conseguido.

2009 começou e me perguntaram o que eu queria, quais era meus objetivos para 2009. Pensei e vi que não tinha nada tão claro quanto no ano anterior. Profissionalmente, não tenho pressa. Sei que uma hora ou outra virá algo bom. Tenho ótimos amigos, uma família que gosto. O que mais posso querer?

Pensei mais um pouco. Tive um ano sem grana. Do começo ao fim. Mas não ligo: minha preocupação é só não ficar devendo. O resto eu dou um jeito. Então, o que poderia querer? Pensei em escrever textos sobre quantas vezes já pedi muitas coisas, já coloquei muitos objetivos. Pensei, pensei, mas não escrevi.

Lembrei que foi um ano (ou mais um ano) que não encontrei muitas vezes meu coração. E quando o encontrei, não consegui dá-lo a ninguém. A quem eu quis, não se dispôs a tanto. Na verdade, foi só uma vez. Depois de muito tempo, me apaixonei por alguém. Embora não tenha dado em nada, já é alguma coisa. Pensei em escrever sobre isso, pensei em histórias, mas seria muito melhor escrever isso no Miguelar é preciso.

Para 2009, meu pedido é só que se mantenham as coisas boas de 2008. E que venham surpresas, que são sempre boas! E escrevi isso que acabaram de ler.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Pobres, não!

Quarta-feira fui ao shopping Cidade Jardim, o mais novo de São Paulo. O local é para playboys que vão com seus carrinhos é mais apropriado para quem vai de carro. Até porque não há entrada, a não ser pelo estacionamento (eu disse estacionamento? Leia-se self parking ou valet parking).

Todo shopping tem uma praça de alimentação e um cinema, certo? Bom, há cinema no Cidade Jardim, mas praça de alimentação... Não. Ou melhor, há uma Baked Potato, onde você pode se deliciar com uma iguaria vendida somente lá: batata recheada com caviar.

Quer comer? Ok, basta se dirigir a um restaurante que fica bem no primeiro piso. Restaurante mesmo, com garçom, menu e tudo. Nada de lanchinho de R$ 15 (e eu xingando o Mc Donalds e Burguer King por serem caros...). Só prato que é difícil falar o nome.

Caminhando pelo shopping, vê-se Tiffany's, Luis Vuitton, Rolex e outras lojinhas que vendem pechinchas. Pior: a Rolex tava cheia. E o que eu vi de mais barato na vitrine tinha uma etiqueta de "R$ 2.000".

Ah, tem a Daslu. E com ofertas! Nas compras acima de R$ 5.000, eles parcelam em três vezes no American Express (Amex, para os íntimos). Na Livraria da Vila, onde foi o lançamento, algumas "obras de arte" como o livro sobre o Pelé, enorme, em capa dura, fotos incríveis e design impecável. O preço? R$ 5.200.

Não poderia deixar de falar das figuras pessoas. Vário modelos de Vitor Fasano, com suas camisas pólo em plena noite de quarta, suas sapatilhas caríssimas e perfumes que se espalham a metros de distância. E com seus filhos, com o modelo igual, só que júnior.

As moças, com acessórios que eu nem consegui contar, vestidos lindos, todas super bem vestidas e com jeito de "estou casual só porque aqui é um shopping". Perfumes deliciosos, cabelos brilhantes, dentes impecáveis, maquiagem não muito carregada, mas atraente. Sandálias e sapatos que devem custar mais do que um iPod Classic de 160 Gbytes. Pessoas bem cuidadas, sabe? Nem precisa nascer tão bonita assim para ser atraente - e mesmo assim, elas nascem!

Saí de lá com a sensação que tem MUITA gente com MUITA grana. E que esse dinheiro passa longe, bem longe de mim.

sábado, 21 de junho de 2008

Afirmações negativas no silêncio

Tudo parece tão perto e tão longe.

O dia-a-dia não incomoda, mas cansa.
O tempo não é mal gasto, mas é escasso.
Os planos existem, mas são só rascunhos.
Há jeito, mas não há força.

O sonho é doce, mas falta sabor.
Algumas vezes há caminhos, mas não há direção.
Em outras, há destino, mas não há percurso.

Há signo, mas não há significado.
Há muita razão, mas há pouco sentimento.
Há coração, mas ele é de lata...

quarta-feira, 5 de março de 2008

Distâncias e diferenças

Quem não quer viajar todo dia? Eu não quero. Porque nem toda viagem é boa meus caros. Estou curtindo demais participar da ECA, da USP e etc e tal. Mas tem uma coisa bem ruim: o transporte.

Moro na zona leste da cidade dessa enooooooorme cidade. E a USP fica na zona oeste. Ou seja: vai-e-volta, sem malícia, mas com muito calor, trânsito, ônibus, leitura, música, estudantes e quase duas horas de percurso.

Lembro quando estava na PUC que uma menina que morava em Vinhedo demorava basicamente o mesmo tempo para voltar para casa que eu, morador de São Paulo. E ela ia de ônibus!

Bom, é fato que eu não moro perto. Não moro no fim da zona leste, mas já é bem longe. E é fato que a USP, sendo longe pra dedéu da minha casa, me faz levar um tempão. Mas vi outra coisa: do lugar onde prestarei serviço nos próximos quinze dias, que é beeeeeem no centro da cidade, chagar à USP demora cerca de uma hora e cinco minutos, segundo o site da SPTRANS. Então a USP é longe mesmo - ou, no mínimo, pouco acessível.

Talvez seja uma metáfora do que é a constituição social ali dentro. Para quem mora nos Jardins, Jaguaré ou Vila Madalena, por exemplo, a USP é super perto. Para mim, ela sempre foi muito longe. Mesmo agora, que eu consegui finalmente entrar, ela continua longe. Curioso não?

Outra coisa é que eu sou quase um tio na sala. Há apenas três (!!!) pessoas acima de vinte anos entre os 30 alunos do primeiro ano, como já contei no post anterior. Cara, impressionante como a galera consegue entrar direto do colégio em um curso tão concorrido. Haja berço.

Seja como for, consegui um freelancer como jornalista da grande mídia por quinze dias. E foi assim que começou o meu dia: com a notícia que eu terei um trabalho desse nas próximas duas semanas. Era o que eu queria.

Curiosamente, consegui meu primeiro trabalho como jornalista exatamente depois de uma, eu disse uma, aula no curso de jornalismo. Talvez por isso eu pareça um estranho na minha sala: não vou de bermuda, vez por outra uso uma camisa, parece que só eu tenho barba... Enfim.

O que eu já pude sentir é que hoje, na minha segunda faculdade, consigo aproveitar e pensar muito melhor o curso. Uma pena que as exigências modernas nos fazem entrar na faculdade com 17 anos. Perdemos uma boa parte do que nos é oferecido simplesmente porque não estamos preparados para ouvir aquilo. Com 24 anos, como estou agora, tudo parece muito melhor, mais claro.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Destino: Londrina?

Ontem tive o primeiro resultado dos vestibulares. Na lista de 12 (?!) classificados para o curso de jornalismo noturna da UEL, lá está o meu nome. A primeira ansiedade passou e uma certeza eu já tenho para 2008: vou cursar jornalismo!

São apenas 12 os privilegiados porque lá na UEL há cotas, e vc só concorre dentro delas. São três cotas: negros (desde que tenham estudado desde a 5ª série em escola pública), alunos de escola pública (o critério é o mesmo da cota de negros) e os "sem cota", chamadas "vagas universais". Este é o meu grupo.

Mudar da cidade-cinza, São Paulo, para uma cidade muito mais calma, Londrina. A cidade é chamada de "capital do norte do Paraná", por ser uma das maiores cidades e com maior força econômica.

A beleza é uma característica da cidade paranaense. Londrina possui um lago que atravessa a cidade que é belíssimo. As pessoas correm e praticam esportes ao redor dele. Em plena cidade! Algo que já aconteceu em São Paulo. Ao menos antes de o rio Tietê ser um esgoto a céu aberto...

Fato é que Londrina é uma cidade muito agradável. O custo de vida é menor, ainda que seja uma cidade grande. Isso porque tem ares de interior, ao menos para quem é paulistano como eu. A cidade possui quase 500 mil habitantes, segundo estimativa da Secretaria de Planejamento londrinense. Uma cidade grande, mas perto dos 11 milhões de habitantes de São Paulo, até parece pouco.

Fato é que até o dia 7/2, quando sai o resultado da Fuvest, o meu destino provisório é Londrina. As preocupações que já me rodeiam em São Paulo - trabalho para 2008, por exemplo -, me perturbam agora também para Londrina. Além do óbvio: moradia. Mas isso é melhor pensar depois...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Cartaz 2.0

A web 2.0 está fazendo escola. Estava em plena Av. Paulista quando vejo o cartaz de uma drogaria, que me chama a atenção. A loja mostrava alguns cartazes e tinha seus vidros pintados exatamente como mostra a figura acima: como se fosse uma nuvem de tags.

A idéia é bem interessante. Mostrar, visualmente, quais são as características mais importantes que a loja pretende dar a seus clientes. Além de um belo artifício de design, a loja levou para a rua um conceito da web 2.0 bastante interessante.

Aliás, nada mais apropriado para me chamar a atenção do que uma farmácia. Ando tãããão bem. Deve ser porque me alimento bem (mal), durmo muito (pouco), (não) pratico exercícios físicos... Essas coisas de vida saudável.

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Boca fechada, pensamento ativado

Não vou negar, este post é uma cópia sem vergonha do post dela. Mas como o que é bom deve mesmo ser copiado, lá vamos nós.

Tava lá, na minha rotina matinal de ser o primeiro a chegar ao trabalho, já tinha conversado com outro madrugador e metido o pau na empresa, falado mal de uma pessoa que se acha gestor-de-alguma-coisa e comemorado o fato de ser sexta, embora ainda fosse quinta.

Eis que o telefone da sala começa a tocar. Loucamente. Não havia alguém para atendê-lo e eu, solícito, puxei a ligação. Uma pessoa pediu ajuda em algo que eu não sei o que é, não é o meu trabalho. Pediu se alguém que sabia do projeto podia atendê-la. Olhei para os lados e não vi ninguém habilitado para tal tarefa.

- Não tem ninguém aqui para te atender, mas me deixe seu nome e telefone que eu peço para te ligarem, assim que chegar alguém.

Esperava que a pessoa me desse o nome e número e tudo certo. Até tinha pensado em ver qual era o problema, de repente eu saberia como ajudá-la.

- É algo muito urgente. Estou no ramal X e vou entrar em reunião daqui a meia hora com a diretora executiva. É UR-GEN-TÍS-SI-MO! Estou aqui no andar de cima e alguém tem que resolver isso aqui!

- Ok, anotado. Peço para ligarem quando chegar alguém.

Ah, mas a vontade era responder diferente. Versão pensamentos:

- É algo muito urgente. Estou no ramal X e vou entrar em reunião daqui a meia hora com a diretora executiva. É UR-GEN-TÍS-SI-MO! Estou aqui no andar de cima e alguém tem que resolver isso aqui!
- É mesmo? E vocês contrataram suporte 24 horas? Não né? Então não adianta ligar antes do expediente deles bufando. E quer saber mais? Nem faz parte do meu trabalho isso aí. Não tenho nada a ver com isso. Por mim, que se exploda você e esse projeto, não dou a mínima!

Ah, se pudéssemos falar tudo que pensamos...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Apagão

O meu ritmo de vida é típico de São Paulo: muito trabalho, estudos, tempo de deslocamento e estresse e poucas horas de sono em contraponto.

Não comecei a fazer isso ontem, mas parece que tem uma hora que o seu corpo começa a fazer greve. "Exigimos mais do que quatro horas de sono diárias", ou "Só voltaremos a funcionar se houver uma alimentação mais balanceada".

É preocupante quando você dorme sobre o teclado, em pleno trabalho, durante aproximadamente 10 minutos e sem querer.

Trabalho, estudo, estudo, estudo, estudo, free lances... É, acho que preciso pensar um pouco antes de continuar com isso tudo. Às vezes é preciso pensar naquela coisa que chamam de "saúde".

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Sobre o acidente e nossa cultura como sociedade

Publico aqui texto de Heber Emerich, bastente pertinente.


Por motivo do acidente com a aeronave da TAM em Congonhas, São Paulo, junho de 2007.

No dia após uma catástrofe, é insuportável ver os demagogos de plantão darem as caras pra falar coisas óbvias em momentos de sensibilidade nacional, é irritante os discursos hipócritas que não explicam nada, e justificam o injustificável. Me mordo de raiva ao ver governantes e políticos oportunistas mórbidos fingido estar fazendo algo ou atacando seus opositores, buscando capitalizar eleitoralmente o sofrimento de pessoas. Me enjoa ver veículos de comunicação necrófilos, ávidos por desastres, lançando um monte de “informações” de “especialistas” que são desmentidas hora após hora. Aliás, como tem especialistas neste país!

Não! O problema não são as ranhuras que ainda não tinham sido feitas na pista de Congonhas. Se fosse, não teríamos problemas no controle de tráfego aéreo. Se o problema fosse na aviação não teríamos um caos nas rodovias do país. Os portos não seriam lentos, caros em suas estruturas mergulhadas em corrupção. Se o problema fosse o transporte, o fornecimento de energia estaria garantido por anos.

A culpa não é da ranhura! Os presídios continuam super lotados (de pobres), formando bandidos em seus interiores. A justiça está cada vez mais lenta, corrompida e injusta. A polícia continua despreparada e mal paga. Não, o problema não é a falta da ranhura na pista, nossas escolas e universidades tem cada vez menos qualidade, temos educadores renomados, gênios em diversas áreas da educação, mas não damos ouvidos, nossos governos preferem resolver as coisas aumentando uma verba aqui, criando um cargo lá, construindo uma faculdade ali, e afrouxando uma lei acolá, quando o que precisamos é uma reestruturação geral.

Se o problema fossem apenas as estruturas básicas citadas não apreciaríamos dia-após-dia, mandato após mandato, comissões e conselhos que consomem os recursos do país para proteger uma classe política que vive dentro de uma bolha. Não, o problema não é a ranhura da pista de congonhas, que pode ter resultado nesta enorme tragédia.

A tragédia maior é nossa tragédia como sociedade deteriorada que se conduz a uma próxima geração pior ainda. Não conseguimos olhar adiante.A crise não é na aviação civil, a crise é na sociedade brasileira.

A nação tem tudo pra crescer e se desenvolver, tudo está a favor, mas nossa visão curta que reflete na visão de nossos governantes, ou vice-versa, não permite trabalharmos pelo futuro, damos um jeitinho, queremos a nossa parte hoje, agora, e ignorantes, colocaremos a culpa numa ranhura qualquer, nessa, e numa próxima tragédia maior.

"O acidente era previsível"

Estava claro que um dia iria acontecer isto. Quantas vezes eu e minha família não vimos aviões prestes a pousar tendo que reverter por ter alguma aeronave na pista. Ontem mesmo minha mãe viu isto! Fico bastante triste com as pessoas que morreram. Liguei para karine (artes do corpo) que é comissária da TAM. Ela está em casa! Pelo menos uma notícia boa neste caos.

Seria ótimo se fosse contruido um novo aeroporto. Bem longe daqui. Infelizemente não acho q isso vá acontecer. Quando o avião caiu no Jabaquara foi muito comentado isto mas pq tirar? Morreram algumas pessoas e caiu num bairro pobre.

Será que agora vão tirar? Creio que não...

Se um dia cair no Shopping Ibirapuera ou se chocar com um importante hotel em Moema o papo muda...

Fernando Silva

Aeroporto de Congonhas deve estar ali?

Recebi alguns textos muito bons sobre o aeroporto, escritos por quem vive esta realidade de perto: os moradores das proximidades. Eis o primeiro:

Ciente da importância econômica do aeroporto de Congonhas, nunca fui contundente com minha opiniões a respeito desse lugar. Entretanto, diante dos novos fatos, preciso afirmar, em tom de denúncia, a irracionalidade desse aeroporto. Sua mera existência é um pesadelo para os moradores e passantes da região. O congestionamento das vias ao redor aumenta a cada dia, o barulho das turbinas é interminável, sem contar o óbvio risco de ter um posto aeroviário entre casas e prédios para aqueles que estão em um raio de 10Km do lugar. A chuva sempre foi abundante na região e houve diversos casos de derrapagens. O tamanho da pista é inferior ao mínimo exigido para aviões de grande porte. Os moradores do bairro de Jabaquara carregam até hoje o trauma do acidente do Fokker 100 da TAM, em outubro de 1996.

Presidente Lula, ministro Waldir Pires, brigadeiro José Carlos Pereira, governador José Serra e prefeito Gilberto Kassab: por favor, usem o orçamento do PAC, do PAN, da Angra 3 e construam um novo aeroporto longe do centro de São Paulo e construam conjuntos habitacionais, escolas e hospitais no lugar. Desmilitarizem o setor aéreo, retirem os controladores militares e contratem controladores civis, punam empresas irresponsáveis. Não durmam com mais peso na consciência, não façam de nossas vidas um inferno, não deixem a população com medo de voar, não acumulem os mesmos erros no currículo.

Atenciosamente,
Bernardo Barlach

Sobre o acidente da TAM em 17/07

É inevitável comentar sobre o grave acidente no aeroporto de Congonhas, São Paulo, anteontem.

O acidente foi muito grave. É lamentável, abala quem vê as imagens. Deixa um ar de revolta pela irresponsabilidade dos governantes em relação ao aeroporto, localizado no meio da maior cidade do país.

É preciso que haja uma maior atenção em relação à segurança das aeronaves, aeroportos e procedimentos adotados. É preciso, também, resolver de vez a questão dos controladores, de preferência desmilitarizando o setor, e acabar com os problemas de atrasos que assolam o país - e, especialmente São Paulo - há meses.

Já há quem explore a tragédia. Piratas enviam um e-mail, em nome da TAM, informando um telefone gratuito para quem precisar entrar em contato e disponibiliza o link para um suposto vídeo do acidente, no Aeroporto de Guarulhos. Guarulhos? É isso mesmo, erraram de aeroporto.

Espero que seja bem pensada a questão do aeroporto de Congonhas, assim como todas as questões envolvidas. O acidente deve ser investigado e deve haver punição dos responsáveis.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Império da malandragem

Nossa cultura está fortemente ligada à idéia de levar vantagem sobre outro, de preferência de forma ilícita, malandra, que evidencie sua capacidade de burlar alguma regra. Em tudo, o "levar vantagem" parece predominar. Nos traz até uma fama de desonestidade.

Ontem mesmo estava no metrô e ouvi umas pessoas falando sobre como conseguiam ganhar dinheiro fazendo serviços "por fora" - e ilegais, claro. Era instaladores de uma empresa de TV a cabo. Um deles se gabava por ganhar muita grana fazendo puxando pontos pelos quais a pessoa não paga. Algo que não é só culpa dele, diga-se. Quem "compra" o serviço ilegal é tão ladrão quanto quem o "vende".

Não é o único exemplo. Quantas pessoas vc conhece que usam a tal carteirinha de estudante falsa? A fraude é tão absurda que os cinemas de São Paulo começaram a não aceitar a carteirinha. Só se for da faculdade, e com ano.

Há diversas razões históricas para isso. Não justifica, mas explica um pouco disso tudo. Mas eu não consigo me conformar com esse tipo de coisa.