domingo, 25 de janeiro de 2009

Os vícios das férias

Período de férias é ótimo para descansar. Sou dos que gostam de ficar em casa e aproveitar o tempo livre.

Tempo livre: taí algo realmente valioso na vida. Nos últimos quatro anos, esse foi algo raro para mim. Especialmente nos primeiros três, quando tive que enfrentar TCC em 2005 e cursinho pré-vestibular em 2006 e 2007 - tudo pelo sonho de chegar ao curso de jornalismo da USP.

Como nessas férias não estou trabalhando, pude fazer aquilo que há de melhor. Pude estar com a minha família, rever primos, avó, tios, passar um tempo com eles. Mesmo com todos eles morando em São Paulo, é muito difícil conseguir vê-los com frequência.

Fiquei em casa também, e aproveitei para criar alguns vícios. O primeiro é não acordar antes das 10h. Depois que fiquei sabendo que dormir pouco é realmente um problema para a saúde, parei de fazer como na época de cursinho - quando dormia 4h por noite.

Outro vício que criei foram as séries da TV por assinatura. Mas preciso fazer um parênteses sobre a TV a cabo antes.

Pedi para cancelar, para economizar, mas eles insistem em não virem cancelar. No fim, acabaram desistindo, não sei por que, e me ofereceram dois meses sem pagar "por eu ser cliente há muito tempo". Isso é verdade. Menos mal, não vou pagar, como preciso,

Voltando às séries. Estou viciado em Universal Channel. Parecia um canal tão pouco útil, mas de repente descobri que ele tem séries ótimas. O primeiro vício eu "herdei" da minha mãe: Law & Order: Special Victims Unit (procure em séries, não há link direto). Eles são investigadores de casos especiais: os crimes sexuais. Os casos são instigantes e os episódiso são sempre interessantes.

Law & Order: SVU originou-se de outra série muito interessante: Law & Order. A franquia princiapal trata de promotores que enfrentam casos difíceis para tentar fazer justiça. Com uma equipe de investigadores e dois advogados competentes liderados pelo promotor Mc Coy, a série mostra que muitas vezes a justiça precisa driblar a lei para ser feita.

Outra série que fiquei completamente viciado foi House. Primeiro, porque me identifiquei com o protagonista - chato, que pega no pé, fala o que quer (e que muitas vezes não é apropriado). Tanto que já disse que quero uma bengala daquela. Já que o serviço público de saúde não resolve meu problema no joelho, é capaz que eu fiquei como House: com um problema permanente (mas isso é outro assunto...).

Sempre tive vontade de acompanhar séries, mas ou não tinha TV a cabo, ou não tinha tempo. Agora, juntando os dois, percebi como é bom. Pena que as férias irão acabar e vai ficar mais difícil acompanhar cada uma delas...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Sobre entrevistas de trabalho

Eis que abro o Orkut hoje e encontro a seguinte frase:
Sorte de hoje: A pontualidade é a virtude dos entediados (mas se você for a uma entrevista de emprego, não se atrase)
Lembrei daqueles momentos antes de uma entrevista. E daqueles muitos "gurus" que dizem o que devemos ou não fazer. Via de regra, roupa social, currículo em mãos, tomar a iniciativa e formalidade.

Sempre achei tudo isso um saco. É só uma entrevista, oras! E aí lembro dos mesmos gurus dizendo: "eles estão te avaliando em tudo". E acho mais chato ainda essas regrinhas.

Espere ali na salinha, ok?

Nessas últimas semanas, tenho ido a algumas entrevistas, principalmente para estágio. Particularmente, não costumo ficar nervoso para entrevistas e processos seletivos. Aprendi a ser bem tranquilo. E não gosto de ficar fazendo tipo. Sou humilde, mas não sou morto de fome para aceitar qualquer coisa. Com a constante falta de emprego, as empresas e os entrevistadores muitas vezes acham que você está ali ajoelhado, implorando para ser contratado.

Costumo dizer que em uma entrevista, não é só a empresa que me avalia: eu também avalio a empresa. Ora, cá entre nós, se a empresa é autoritária, metódica e arrogante desde a entrevista, o que você espera que ela seja quando você passa pela porta como funcionário?

Uma das coisas que me irritam em entrevistas são as perguntinhas prontas de RH:

- Quais suas principais qualidades? (paciência!)
- O que você espera estar fazendo daqui a dez anos? (não estar trabalhando aqui, com certeza!)
- Por que devo te contratar? (Por que eu deveria trabalhar aqui?)

Mas há boas entrevistas. No começo dessa semana fiz uma que me fez sair satisfeito. Perguntas interessantes, inteligentes, de quem quer ir além do óbvio.

Isso, por si, já é um bom sinal. Mas teve mais: uma mulher nova me entrevistou, com uma calça jeans e uma blusinha preta. Simples, bonito e sem frescuras.

Mais: fez um teste, uma simulação de uma realidade do trabalho, com condições parecidas. Uma boa forma de se avaliar a capacidade do candidato, além de dar a chance a este de sentir como é o trabalho e sentir se gosta.

Por fim, apresentou mais duas pessoas com quem possivelmente se irá trabalhar - mais uma chance para ambos os lados se avaliarem.

É, fazer entrevistas pode ser divertido. Seja porque o trabalho é promissor, seja porque essa coisa de entrevistas pode ser um circo. De todas as bobagens dicas que nos falam, talvez a única útil seja mesmo: não se atrase!

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Metalinguagem

Mil idéias. Vontade de transformar tudo em palavras. Um turbilhão de palavras, que se alinham em frases e, de repente, somem porque surge uma outra combinação, outras palavras, outras frases. Vontade de escrever tudo, falar sobre tudo, colocar tudo em um texto.
A entrada do ano de 2009, com a família, as mudanças, as lembranças do ano passado, quando a virada do ano foi só o começo... A Fuvest, que me tomou dois anos de preparação, era o prato do dia. Aliás, dos dias: de todos que antecederam os três dias de prova, iniciadas no primeiro final de semana do ano. Vi amigos passando pelo mesmo que passei, pensei o quanto isso mexe com a gente, o quanto transforma nossas vidas.

Pensei que mudou a minha vida. Que eu iria para Londrina, outra cidade, outra vida. Que acabou me dando a chance de conhecer pessoas que se tornaram amigos de um jeito incrível, como se já nos conhecessemos há anos. Como se a amizade já existisse e o que faltava era apenas se encontrar.

Em 2008, comecei o ano com um pedido. Mais: uma obssessão. Queria passar no vestibular. Só isso. Nenhum outro pedido. A realização desse pedido foi tão boa que só pude agradecer o resto do ano por isso. Por ter conseguido.

2009 começou e me perguntaram o que eu queria, quais era meus objetivos para 2009. Pensei e vi que não tinha nada tão claro quanto no ano anterior. Profissionalmente, não tenho pressa. Sei que uma hora ou outra virá algo bom. Tenho ótimos amigos, uma família que gosto. O que mais posso querer?

Pensei mais um pouco. Tive um ano sem grana. Do começo ao fim. Mas não ligo: minha preocupação é só não ficar devendo. O resto eu dou um jeito. Então, o que poderia querer? Pensei em escrever textos sobre quantas vezes já pedi muitas coisas, já coloquei muitos objetivos. Pensei, pensei, mas não escrevi.

Lembrei que foi um ano (ou mais um ano) que não encontrei muitas vezes meu coração. E quando o encontrei, não consegui dá-lo a ninguém. A quem eu quis, não se dispôs a tanto. Na verdade, foi só uma vez. Depois de muito tempo, me apaixonei por alguém. Embora não tenha dado em nada, já é alguma coisa. Pensei em escrever sobre isso, pensei em histórias, mas seria muito melhor escrever isso no Miguelar é preciso.

Para 2009, meu pedido é só que se mantenham as coisas boas de 2008. E que venham surpresas, que são sempre boas! E escrevi isso que acabaram de ler.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Lembranças de um ano bom, parte 3: os amigos

Primeira semana de aula na USP, março de 2008. Tive receio que grupos estariam formados, já que eu não tinha ido à semana dos bixos, a semana de recepção. Pensei que poderia ser como no cursinho, onde eram poucos amigos, muito estudo. Felizmente, eu estava errado.

Não demorou para começarem a aparecer risadas, boas conversas, afinidades e, surpreendentemente, amigos. Digo surpreendente porque fazer amigos de verdade não é tão fácil. Mas foi. Rápido, fácil e, de repente, eram CAJUs, a gente reunido, cada vez mais próximos, com laços fortes de amizade.

O começo pode ter sido difícil. Era tudo novo, diferente. O que se viu foi um grupo de amigos surgirem em uma sala, os jornots. E que estariam presentes em todas as festas, no JUCA, no BIFE e que criaram o CAJU. Sim, os jornots 2008, aquele grupo de quase 20 pessoas que se gostam, que curtem, que fazem Caju à fantasia, que fazem CAJU no JUCA e no BIFE, que fazem da vida uma festa (ainda que só em um período do dia, como foi meu caso, porque trabalhava no resto do dia).

Não imaginava que uma sala pudesse ser tão unida, tão amiga, sem panelinhas. Amigos, que gostam de estar juntos, beber, se divertir, dar risadas, sorrir e poder sentir uma saudade danada quando as férias começam.

Em julho, muitos voltaram para casa. Agora, em dezembro, a maioria não volta para casa. Apenas vai visitar os pais, porque a casa deles é bem aqui, em São Paulo. Porque aqui eles também têm família: a família jornot. E como toda família, você sente saudades quando está longe.
Família Jornot, em abril de 2008

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Lembranças de um ano bom, parte 2: FOLHA

Quando resolvi fazer jornalismo, foi por paixão. Escolhi o que meu coração dizia, desde 2003. Foi naquele ano que tive contato com a prática jornalística, em uma matéria do curso de Comunicação e Multimeios, na PUC-SP. Foi ali que comecei a escrever sobre esporte, em formato jornalístico, com matérias semanais para um site que faríamos.

Trabalhar com jornalismo era o meu sonho mais imediato. No caminho rumo ao curso de jornalismo da USP, tive uma grande oportunidade: um trabalho para uma das maiores editoras do país.

O freelance para a editora Abril, em 2006, quando escrevi textos para o Guia do Estudante 2007, foi incrível. Tomou todo meu tempo livre (que praticamente não existia, já que trabalhava em período integral e ainda fazia cursinho à noite). Fiquei sem dormir alguns dias. Mas valeu como início, como currículo e, principalmente, como experiência.

2008 começou espetacular. Passar no vestibular da USP para jornalismo e, logo em seguida, participar da semana de palestras da Folha de S. Paulo, um dos mais tradicionais jornais do país. Tinha me inscrito algumas vezes, mas nunca tinha sido selecionado.

Depois de uma semana de palestras ótima, surgiu a chance: um trabalho temporário para a editoria de Informática. Essa era uma área que eu tinha conhecimento, certa experiência. Eu sabia que tinha chance.

Mandei o currículo, concorri à vaga, fiz a prova e fui chamado. Isso ainda no primeiro dia de aula na faculdade. No segundo dia! Eu mal tinha começado e já tinha uma oportunidade de ouro. No começo, muitas dúvidas, um sistema novo, uma área nova. A Folha era uma gigante e eu, só um iniciante.

Editar, mexer em textos, revisar. Trabalho de redação, parecido com o que o antigo copydesk fazia. A vida na redação era fascinante, apesar de o tratamento ser sempre de um estrangeiro. O tema tecnologia me interessava e via nomes que eu lia mandando matérias para que eu revisasse (o Théo Azevedo, que hoje escreve para o UOL, além da Folha, foi o principal).

A primeira matéria não passou pelo editor. Já tinha ouvido muitas histórias de editores que execravam seus repórteres/redatores, mas não foi o caso. Ele simplesmente apontou algo que não gostou e, junto com um dos redatores, barrou a matéria. Normal.

Veio a oportunidade de fazer uma segunda matéria. Dessa vez, quase caiu no colo: o Flickr lançando o serviço de vídeo (só para assinantes UOL ou Folha). A primeira matéria publicada!

Veio, então, outra oportunidade: escrever outra matéria. Dessa vez, a matéria de capa, junto com a excelente Camila Rodrigues (hoje no UOL Tecnologia e no GigaBlog, blog da redação sobre tecnologia). O tema: GPS. Aproveitei dados e entrevistas que tinha feito para a primeira matéria para compor a segunda, sobre GPS em celulares (tb só para assinantes). Assinamos juntos a matéria "Navegadores desviam de vias principais".

Depois disso, fiz mais alguns trabalhos de redação e depois saí. Foi uma experiência incrível trabalhar por um curto período na Folha, escrever matéria e aprender um pouco mais. Certamente algo que ficou marcado. Mais um fato marcante de 2008!

Aos poucos, ganhei a chance de escrever uma matéria.