Escolhemos um caminho ou somos escolhidos por ele? Nem sempre é fácil dizer. Há escolhas sendo feitas o tempo todo, até quando sequer pensamos nelas. Fiz algumas delas conscientemente. E sabia o que custariam. Na teoria.
É, porque na prática as coisas são sempre mais duras de lidar. A dor é imaginável, mas só é possível saber quando a sentimos, quando o sangue cai da ferida. Sonhar é inevitável e diria que é necessário. Ir atrás dos sonhos já é outra história. Ousar sair da zona de conforto em busca de algo incerto é uma decisão que envolve coragem e um pouco de loucura também. A medida de cada um deles é uma fórmula tão volátil que é impossível de ser escrita.
Mergulhar nesse mar gelado é uma opção. E eu quis. Não acho justo reclamar agora. Então, me calo. Eu sabia que custaria muito. Que a busca por um sonho implicaria no mínimo o adiamento de outros. Calculei o tamanho da onda e pulei. Mas quando ela bate, gelada, e te faz quase parar o coração, o que dizer? O que fazer? Sentir o corpo febril e quente enquanto os pêlos se arrepiam e não poder contar a ninguém. Saber que depois de uma onda virá outra, e outra, e outra... Mas que depois de todas terá terra firme. Como já teve antes.
Quis jornalismo. Sempre soube que era por causa do esporte. Era por essa paixão que eu queria. Sempre soube também que jornalista se forma para ser jornalista, não para ser jornalista esportivo. Trabalhei para ser jornalista. Veio a Escola do Futuro, veio o Techguru. Em pouco menos de dois anos, veio a Trivela. Era a chance de trabalhar com futebol, com jornalismo esportivo, com aquilo que lá atrás, em 2003, se tornou um sonho que parecia longe.
As ondas ainda são altas, o mar é fundo e não dá pé, mas há esperança e a terra firme ao menos é uma esperança no horizonte. Ao menos há um caminho a ser seguido, ainda que a custa de turbulências na vida pessoal dos mais variados tipos. Como eu disse lá em cima, não dá para mergulhar no Mar do Norte e reclamar que a água tá gelada, né? Então como diria a filósofa Dori, de "Procurando Nemo", continue a nadar, continue a nadar...
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Saúde pública, decepções e surpresas
Nos últimos meses, virei especialista em LCA. Não sabe o que é? Ligamento Cruzado Anterior. O problema que me afetou mais de um ano e que ainda estou recuperando, pós-cirurgia. Se a recuperação é longa (sete longos meses até poder correr e jogar futebol de novo), mais demorado ainda foi chegar até aqui.
Junho de 2008. Jogando futebol, depois de muito tempo, machuco o joelho. Em princípio, parecia nada muito sério, ligamentos laterais, gelo, antiinflamatório. Quando a dor passou, nova tentativa de futebol em agosto. O primeiro pique e a mesma dor. Nova consulta. Como saúde pública demora (ainda que pelo Hospital Universitário da USP, como aluno da universidade, o que dá uma espécie de "convênio" por lá e no Hospital das Clínicas, também da universidade), só em outubro.
Chega outubro. Espera, exame, constatação: parece sério. Pedido de exame de ressonância magnética. Só em dezembro. Não tem vaga antes. Chega dezembro, faço o exame. Pego o exame no começo de janeiro. Vou marcar a consulta. Vaga? Só em março. Espero.
Março. "Você precisa operar". Ok, já sabia, àquela altura, depois de falar com quem teve problemas parecidos, pela experiência em acompanhar noticiário esportivo. Lesão completa no Ligamento Cruzado Anterior e no menisco. Não se faz operações desse tipo no HU. Transferência para o HC. Para isso, dois dias de espera na burocracia. Depois, mais espera até ser marcada consulta.
Final de março. Hospital das Clínicas, Departamento de Medicina Esportiva. Exames e novamente o mesmo diagnóstico: cirurgia. O problema? Não tinha vagas. Demoraria cerca de três meses.
1º de outubro. Ligação do HC. Exames na sexta (que acabaram acontecendo na segunda também) e operação na terça. Sim, finalmente era chegada a hora. Quase seis meses depois - ao invés dos três previstos.
"A operação é a parte fácil", disse o médico. "Difícil é a recuperação". Fisioterapia? Não tem vaga. Marcação prévia para dezembro. "Eles ligam". E nada. Lofo depois da cirurgia, dor imensa nos primeiros dias. Dor constante nos seguintes. Muletas. Por mais de um mês. Duas semanas de molho, tentando trabalhar de casa, fazer o que é possível. Dores, que tinham diminuído, reaparecem. E como fazer? Dias em casa para ver se resolve.
Telefone toca. HC. Fisioterapia vai começar em dois dias. Sim, surpreendentemente, na última semana de outubro chamam para começar a fisioterapia. Pouco mais de um mês antes do previsto! Sim, às vezes o sistema de saúde pública consegue fazer boas surpresas. Exatamente 21 dias depois da cirurgia, eles ligam. O ideal seria antes, mas o fato de ter saído já é um grande alívio.
E vamos que vamos. De muletas, claro.
Junho de 2008. Jogando futebol, depois de muito tempo, machuco o joelho. Em princípio, parecia nada muito sério, ligamentos laterais, gelo, antiinflamatório. Quando a dor passou, nova tentativa de futebol em agosto. O primeiro pique e a mesma dor. Nova consulta. Como saúde pública demora (ainda que pelo Hospital Universitário da USP, como aluno da universidade, o que dá uma espécie de "convênio" por lá e no Hospital das Clínicas, também da universidade), só em outubro.
Chega outubro. Espera, exame, constatação: parece sério. Pedido de exame de ressonância magnética. Só em dezembro. Não tem vaga antes. Chega dezembro, faço o exame. Pego o exame no começo de janeiro. Vou marcar a consulta. Vaga? Só em março. Espero.
Março. "Você precisa operar". Ok, já sabia, àquela altura, depois de falar com quem teve problemas parecidos, pela experiência em acompanhar noticiário esportivo. Lesão completa no Ligamento Cruzado Anterior e no menisco. Não se faz operações desse tipo no HU. Transferência para o HC. Para isso, dois dias de espera na burocracia. Depois, mais espera até ser marcada consulta.
Final de março. Hospital das Clínicas, Departamento de Medicina Esportiva. Exames e novamente o mesmo diagnóstico: cirurgia. O problema? Não tinha vagas. Demoraria cerca de três meses.
1º de outubro. Ligação do HC. Exames na sexta (que acabaram acontecendo na segunda também) e operação na terça. Sim, finalmente era chegada a hora. Quase seis meses depois - ao invés dos três previstos.
"A operação é a parte fácil", disse o médico. "Difícil é a recuperação". Fisioterapia? Não tem vaga. Marcação prévia para dezembro. "Eles ligam". E nada. Lofo depois da cirurgia, dor imensa nos primeiros dias. Dor constante nos seguintes. Muletas. Por mais de um mês. Duas semanas de molho, tentando trabalhar de casa, fazer o que é possível. Dores, que tinham diminuído, reaparecem. E como fazer? Dias em casa para ver se resolve.
Telefone toca. HC. Fisioterapia vai começar em dois dias. Sim, surpreendentemente, na última semana de outubro chamam para começar a fisioterapia. Pouco mais de um mês antes do previsto! Sim, às vezes o sistema de saúde pública consegue fazer boas surpresas. Exatamente 21 dias depois da cirurgia, eles ligam. O ideal seria antes, mas o fato de ter saído já é um grande alívio.
E vamos que vamos. De muletas, claro.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Fazendo força
E aí que eu comecei a fazer academia. Aliás, parênteses (mal comecei e uso parênteses... E ainda coloco um partênses no meio do parênteses!): estava no telefone com meu pai e disse que saindo do trabalho ia para a academia. "Ah, vai direto pra faculdade". "Não, pai, é academia de exercício físico". "Ah, tá...". Fecha parênteses.
Como eu dizia, voltei à academia. Pois é, recomendação médica para fortalecer a musculatora em volta do joelho machucado que será em breve (espero) operado. E, bom, também preciso perder peso, então, é juntar o útil com o necessário.
O negócio é que eu gosto de exercícios. Sério, gosto mesmo. Me sinto melhor quando faço exercícios. Comecei pouco antes das férias, o que complicou um pouco minha frequencia, com provas e trabalhos finais em sua fase mais aguda.
Vieram as férias e passei a ser assíduo, no mínimo três vezes por semana, na maioria quatro ou cinco vezes. Só que não ter hora para sair de lá era um fator que facilitava. Com a volta às aulas, a correria chegou também. Sair no horário do rush da academia me faz chegar atrasado na faculdade. Todos os dias.
E aí que to pensando em como adequar isso tudo nessa nova rotina. Rotina que tenho medo que se torne massacrante e que estou tentando me planejar para não deixar que me transforme em pó.
Aliás, curiosidade dessa volta à academia é que não senti dor. Talvez resultado da excelente academia que estou fazendo (pelo que cobram também, é só o que eu podia esperar). Senti resultados primeiro em mais fôlego e, aos poucos, no próprio corpo. É, tá melhorando.
Mais do que isso, uma motivação de ficar mais animado, mais disposto. Porque sedentarismo tem isso: quanto menos exercício você faz, menos dá vontade de fazer. A relação contrária está se tornando verdadeira para mim, o que tá sendo ótimo.
Fato é: espero que não seja temporário. E que comece a perder peso - porque nesse ponto eu ainda não senti diferença nenhuma.
Devo dizer também que a academia tem um papel importante em outro campo: psicológico. Ajuda a desestressar, a não pensar em algumas coisas que poderiam atormentar nas férias, tal como falta de uma pessoa. Não senti nenhuma falta. Um pouco, sei que é pela atividade constante, mente preenchida com outras coisas. Outra parte é mesmo uma vitória emocional.
Diria que exercício físico é ótimo para depressão. Não cheguei a tanto, mas senti seu efeito. Espero que continue.
Como eu dizia, voltei à academia. Pois é, recomendação médica para fortalecer a musculatora em volta do joelho machucado que será em breve (espero) operado. E, bom, também preciso perder peso, então, é juntar o útil com o necessário.
O negócio é que eu gosto de exercícios. Sério, gosto mesmo. Me sinto melhor quando faço exercícios. Comecei pouco antes das férias, o que complicou um pouco minha frequencia, com provas e trabalhos finais em sua fase mais aguda.
Vieram as férias e passei a ser assíduo, no mínimo três vezes por semana, na maioria quatro ou cinco vezes. Só que não ter hora para sair de lá era um fator que facilitava. Com a volta às aulas, a correria chegou também. Sair no horário do rush da academia me faz chegar atrasado na faculdade. Todos os dias.
E aí que to pensando em como adequar isso tudo nessa nova rotina. Rotina que tenho medo que se torne massacrante e que estou tentando me planejar para não deixar que me transforme em pó.
Aliás, curiosidade dessa volta à academia é que não senti dor. Talvez resultado da excelente academia que estou fazendo (pelo que cobram também, é só o que eu podia esperar). Senti resultados primeiro em mais fôlego e, aos poucos, no próprio corpo. É, tá melhorando.
Mais do que isso, uma motivação de ficar mais animado, mais disposto. Porque sedentarismo tem isso: quanto menos exercício você faz, menos dá vontade de fazer. A relação contrária está se tornando verdadeira para mim, o que tá sendo ótimo.
Fato é: espero que não seja temporário. E que comece a perder peso - porque nesse ponto eu ainda não senti diferença nenhuma.
Devo dizer também que a academia tem um papel importante em outro campo: psicológico. Ajuda a desestressar, a não pensar em algumas coisas que poderiam atormentar nas férias, tal como falta de uma pessoa. Não senti nenhuma falta. Um pouco, sei que é pela atividade constante, mente preenchida com outras coisas. Outra parte é mesmo uma vitória emocional.
Diria que exercício físico é ótimo para depressão. Não cheguei a tanto, mas senti seu efeito. Espero que continue.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Sufoco
Estou no sufoco do tempo.
Da sobra, do excesso, da desorganização.
Do muito, do pouco, do nada, do todo.
Ideias todos os dias, vontade nunca.
E assim caminho em direção ao trabalho. Sentindo a brisa das férias passar e deixar aquele gosto de saudade.
Da sobra, do excesso, da desorganização.
Do muito, do pouco, do nada, do todo.
Ideias todos os dias, vontade nunca.
E assim caminho em direção ao trabalho. Sentindo a brisa das férias passar e deixar aquele gosto de saudade.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Sonhos que esmaecem
Os sonhos são coloridos. Tem aspecto de obra de arte, parecem doces, saborosos e realizá-los parece ser uma tarefa nobre. O problema é que a vida trata de pintar as etapas de cinza e jogar um sabor amargo logo depois da cobertura doce que vemos.
Abrir mão de
Pouco a pouco, fui abrindo mão de diversas coisas que, por serem coisas, achei que não fariam falta. Até que chegam os finais de semana, tenho que sair e lembro que abri mão do carro. Ou quando penso em trocar de computador para melhorar o desempenho e tenho que caçar financiamento, porque juntar dinheiro é impossível com o cheque especial comendo o dinheiro que entra.
Tem também a questão encontro com amigos, quando vemos onde cada um está, e as compração são quase imediatas e inevitáveis. A sensação de que falta algo aumenta.
Continuo achando que as muadanças valeram a pena, que os sacrifícios serão recompensados. Só que, às vezes, a vida é dura demais por mais tempo do que imaginava...
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