quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Aniversário laborioso

Quando as pessoas pensam em aniversários, a imagem é de festa, comemoração, amigos, família, bebidas. E se o seu aniversário não tivesse nada disso? E se no seu aniversário, você chegasse às 7h15 no trabalho e só saísse às 22h? E se, durante o dia, enquanto as pessoas ligam para falar com você, você mal tenha tempo de conversar direito? E se mesmo assim, o dia tenha sido incrível e você tenha voltado para casa sorrindo?

58 milhões de euros. Quarta maior transferência do futebol
Se você não sabe o que é isso, acha que é inimaginável, talvez ainda não tenha vivido a experiência de ter como trabalho uma de suas maiores paixões. Trabalhar para levar às pessoas aquilo que você adora ver, assistir, conversar, comentar. Não tenha vivido a emoção de um trabalho que te faz pulsar de emoção, de ansiedade e fazer o coração bater na garganta, daquele jeito que só quando estamos ansiosos pelos melhores momentos da vida acontece.

Dia de fechamento do mercado de transferências na Europa. Por lá, o chamado mercado de inverno dura de 1 a 31 de janeiro. Coincidentemente, 31 de janeiro é o meu aniversário. O período normalente não tem grandes transferências, já que estamos no meio da temporada europeia, que vai de agosto a maio. Neste 31 de janeiro de 2011 foi diferente.

Especulações movimentaram todo o dia, como é tradicional. Algumas transferências, porém, eram esperadas para sacudir o mercado. Virar tudo do avesso, bater recordes. E no meio da temporada. O dia passava, dezenas de transferências se concretizavam, enquanto as especulações sobre outras aumentavam, esquentavam, deixavam torcedores ansiosos pelo fim de novelas que estavam todas ligadas.

Se Fernando Torres saísse do Liverpool para o Chelsea, o Liverpool tiraria Andy Carroll do Newcastle. Valores astronômicos, quase inacreditáveis. Acompanhamos, minuto a minuto, segundo a segundo. Leitores ansiavam por uma notícia quente, recém saída do forno. Nós ficávamos de olhos, esperando uma definição.

A poucos minutos do final, tudo se concretizou. Transferências milionárias, valores recordes, torcedores com emoções à flor da pele. Um pouco de raiva, um pouco de satisfação, muito de paixão pelo esporte que é uma loucura. Uma loucura que vivemos todos os dias. Cada vez mais apaixonados por ela. Enropercidos por essa loucura e essa paixão. Futebol. Aquele que é, também, o meu trabalho.

Não por acaso, deixamos a redação quase 22h, no dia do meu aniversário, e ainda saí com sorrisos. Foi um dia cheio, trabalhoso, cansativo, mas principalmente, prazeroso. Porque, afinal, era a obrigação profissional, mas era também a paixão.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Esquadrão de malas

Começou o Big Brother Brasil, o famoso BBB. Torna-se rapidamente o assunto de conversas no café, no ônibus, nas redes sociais, até nas conversas de bar. É normal que seja assim. É um assunto forte, popular, no melhor sentido da palavra, porque muita gente assiste e gera repercussão, polêmica.

Não sou muito de assistir BBB. O primeiro acompanhei todos os dias, junto com meu pai. Depois, perdi um pouco o interesse e ficava de olho mais nas gostosas que habitavam a casa. Nesse ano, vi o primeiro dia do programa, enquanto estava de férias do trabalho, e passei a acompanhar um pouco mais.

Uma das imbecilidades que passei a escutar sobre o BBB, e que são recorrentes a cada ano que passa, é a ideia babaca que BBB é coisa de gente, digamos, menos favorecidas intelectualmente. Até chegaram a criar uma campanha no Twitter #troqueobbbporumlivro. Estúpido e explico por quê.

Primeiro, uma campanha como essa parte da premissa que BBB é coisa "popularesca", tal qual novela, futebol e samba. Popular no sentido pejorativo, claro, quando ninguém diz, mas deixa a entender que é coisa de gente pobre, ignorante e afins. Mais ou menos a mesma associação que se faz a quem vota no Lula (ou, na última eleição, na Dilma). Uma premissa, obviamente, falsa.

Outra premissa é que o símbolo de intelectualização é o livro. O livro é uma mídia como outra qualquer. Ler livros, qualquer livro, não torna ninguém mais inteligente que outro. E aí volto à campanha #troquebbbporumlivro. Cliquei na hashtag para ver o que diziam. Uma das sugestões que vi foi "A Cabana". outra foi "Qualquer um da Zíbia Gasparetto". Só faltou alguém citar "O Segredo". Mas certamente algum babaca o fez e eu que não tive paciência de procurar. Acho que já deu para entender o meu ponto, né?

Se não, serei mais claro: pessoas que querem se dizer intelectuais criticam o BBB, como se fosse um programa que só conquistasse gente burra, e sugerem que um livro seria melhor. E aí sugerem "A Cabana" ou Zíbia Gasparetto. Justamente o tipo de livro que é criticado por ser, digamos, coisa de gente menos intelectualizada. Curioso, não?

Mais uma premissa falsa da estúpida campanha #troquebbbporumlivro é que só dá para fazer uma coisa ou outra. Pessoas que lêem livros não podem gostar de assistir ao BBB? E quem disse que quem não vê o BBB lê mais livros? É possível fazer ambos. E é possível também não fazer nenhum dos dois.

Ler e ver BBB não são atitudes correlatas e a sugestão de troca de um por outro sugere várias imbecilidades, que só mostram o quanto as pessoas são babacas. As redes sociais, entre os muitos benefícios que nos trouxe, expõem também cada vez mais a capacidade de babaquice das pessoas. Está aí o perfil do @oclebermachado que não me deixa mentir.

Trabalho com futebol. Cansei de ouvir que é o Pão e Circo moderno, alienante e outras bobagens. Que cultura mesmo é teatro, "boa música" (muitas aspas nisso aí). Zzzzzzzzzz. Soa como a corte do século XVIII falando. Futebol é tão cultura quanto qualquer peça de teatro. Samba é tão cultura (ou mais) do que qualquer tipo de música. E olha que nem sou o maior apreciador do estilo.

É o esquadrão de malas, sempre pronto a disparar babaquices...

PS: quem gosta de BBB e principalmente quem gosta de bom humor, sugiro fortemente acessar o Carolina, minha filha, da excelente @carolinamendes. Risadas garantidas. 

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Fim do Fla-Flu nas urnas, violência na briga das torcidas

Finalmente, acabaram as eleições. O último dia 31 foi o final de um processo que foi doloroso, pelas tristes campanhas feitas, cheias de ataques, usando táticas de ataques inescrupulosos. Mais do que isso, a campanha online foi terrível. E-mails de "denúncia" para lá e para lá, com supostos "dados" que implicavam contra o candidato ou a candidata.

Eu vivi uma situação que me causa incômodo até agora. Um dos muitos e-mails de "denúncia" que chegou tratava do tal bolsa-família. Um porteiro em uma cidade do nordeste tinha pedido demissão, porque seu salário de R$ 800 era superado por auxílios que totalizavam R$ 1.900, dando links para a lei do bolsa-família para "comprovar" os dados. Claro, a ideia era bater no PT e na Dilma, criticando o programa.

Achando aquilo muito estranho, porque havia auxílios do tipo "vale transporte", eu fui checar os benefícios. Encontrei muitos deles não existentes e dos que sobraram, três deles ainda estavam ativos. Dos três benefícios, dois deles eram de 2001 e um de 2003. Isso significa que dois deles eram do governo Fernando Henrique, enquanto um era do governo Lula. Ou seja, já complicou a crítica.

Respondi a todos (já que os e-mails estavam abertos) perguntando se alguém tinha checado e mostrando o que eu tinha conferido. Disse ainda que era preciso cuidado com essas coisas, porque esse diz-que-me-diz era só prejudicial.

O resultado? Quem me encoaminhou o e-mail ficou muito bravo comigo, a ponto de não querer mais sequer conversar. Disse que se sentiu desmentida para os amigos, porque eu respondi a todos. Me desculpei, porque a ideia não era desmenti-la para os amigos, mas esclarecer algo que era, claramente, uma mentira.

Isso foi antes da eleição. Achei que o depois da eleição seria um pouco melhor. Ledo engano. Com a vitória de Dilma, começaram a surgir manifestações insatisfeitas, o que é muito natural e democrático. O problema é que foi além disso. "O povo é ignorante, nãio sabe votar". Acho engraçado porque quem fala isso não se considera povo, imagino.

E ficou pior. "Mate um nordestino", "Escola para eles", "Essas pessoas que mal sabem ler e escrever podem votar, vergonha". O Tumblr Xenofobia Não juntou algumas das piores manifestações nesse sentido, que faz ter nojo dessas pessoas. É contra os seres humanos. Isso sim é ser contra a vida.

É ignorância porque as grandes capitais são formadas, todas, por migrantes. São Paulo e Rio de Janeiro, duas das maiores, receberam uma parcela gigante de nordestinos que ajudaram a formar a cidade e torná-las grandes. Até hoje, são esses migrantes e seus descendentes que ajudam a manter a força de trabalho.

Aliás, isso gera um preconceito interno, dentro da própria cidade de São Paulo, onde vivo, contra as pessoas da periferia - muitas delas nordestinos ou descendentes.  O argumento é sempre esse: "ignorantes", falando da sua falta de escolaridade - que nem sempre é verdade, diga-se, mas mesmo se fosse, não seria motivo. Já cheguei a ouvir que quem tem ensino superior deveria ter "peso 2" no voto. Isso mesmo: quem não tiver oportunidade de estudar, não terá o mesmo peso de voto, o que, em tese, aumentaria a diferença social, já que quem é estudado e pertence a uma outra classe social tem interesses diferentes daqueles que não têm.

Quero fechar aqui dizendo o seguinte: é inocência achar que Dilma venceu a eleição por causa de bolsa-família. Há muito mais envolvido. No tão aclamado Sudeste, Dilma teve mais votos que Serra se os estados forem somados. E mesmo sem Norte e Nordeste, a candidata do PT teria vencido, como mostra matéria do G1.

Precisamos parar e pensar sobre o que foram essas eleições, como agimos e onde estamos. O nível foi um dos piores do período democrático. De tudo que eu vi, só não foi pior do que a eleição presidencial de 1989, onde todos os lados usaram das piores práticas de terrorismo social, espalhando medo e mentiras. Desta vez, com a internet, os boatos tornarem-se faíscas que encontraram nas redes sociais palha pronta a ser queimada e espalhar-se rapidamente. Repassar coisas que nem sabemos que é verdade, tomados por medo, resulta no que vimos: uma guerra de diz-que-me-diz e o debate político - já pobre em outras eleições - pior, esvaziado, quase nulo.

Daqui dois anos teremos novas eleições, em nível municipal. Vamos começar por agora pensando e tentando melhorar nossa postura?

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Política virou Fla-Flu

Nessa época de eleições, um tema que invariavelmente cai nas mesas de bar, nas rodas de amigos, no trabalho, na faculdade, em casa e em todos, ou quase todos, os lugares é sobre política. Na teoria, seria bom. Na prática, um inferno.

Isso porque é normal, infelizmente, encontrar os torcedores de carteirinha. Aqueles que parecem torcedor de futebol: defendem seu candidato como se fosse seu time de coração, de infância, envolvido por uma paixão quase cega, naqueles que ofender o rival é uma prática comum.

A questão é que esses "torcedores" pareciam ter alcance apenas aos seus grupos de amigos, de trabalho ou família. Nesta eleição, com as redes sociais em um patamar maduro, o alcance desses grupos (que são os mais interessados em divulgar suas "ideias") é muito grande, talvez mundial. Suas ideias são usadas uns pelos outros, de forma viral (e contagiosa, o que é pior).

O resultado é esse filme de terror que estamos vendo: campanhas desastrosas, cheias de ataques uns aos outros, mas que desta vez ainda vêm junto com ataques falsos, e-mails que poderiam ser chamados de terroristas pelo seu tom ameaçador, com absurdos tamanhos que em um deles que li, qualquer pessoa razoável constataria os erros de informação - mascarados por uma suposta "ameaça"  sobre a vitória daquele candidato.

O pior é que isso vale para os dois principais lados da eleição presidencial brasileira, aqueles dois que foram para o segundo turno. Os "torcedores" da Dilma ou do Serra fazem um trabalho parecido: tentam impor sua verdade ao outro, não importa como.

Cheguei a ter brigas com amigos porque entrei na discussão para tirar alguns dos absurdos falados, de lado a lado. O resultado: tanto um lado quanto outro passaram a ficar bravos comigo e criou uma situação chata entre amigos. Eu pergunto: vale a pena?

Comparo com o futebol porque é algo que envolve paixão. Mas nem no futebol, uma paixão minha, me levou a essa situação chata com amigos. Quando a política chega a esse nível de discussão de torcedores cegos de futebol, só posso pensar uma coisa: está tudo muito errado.

domingo, 12 de setembro de 2010

Fuckin' messy

Não sou o maior primor de organização, mas algumas vezes a bagunça é grande demais. Envolvimento é algo natural, e assim deve ser. O problema é que não é uma via sempre aberto ao duplo sentido, o que significa que nem sempre o envolvimento é mútuo.

É uma rodovia arriscada. Você nunca sabe quais curvas vai enfrentar, nem se ela é de mão dupla o caminho todo. Ainda assim, exerce uma atração deliciosamente terrível em pisar no acelerador e sentir o vento bater no rosto a 120 km/h.

Só que, de repente, você está na contra-mão e nem percebe. Eis que você se vê acelerando e tentando escapar de colisões mais fortes, mas sabe também que se frear com tudo, pode fazer o carro capotar e causar um acidente maior ainda.

Então você diminui, mas continua tendo que desviar dos carros, dos caminhões, das motos. E não é culpa de ninguém, afinal, você digiria em uma via legalmente de mão dupla, sentia tudo correr bem e estava tudo indo bem. Só que de repente as coisas mudam subitamente, e tudo já está errado. E aí quando você pergunta o que foi, só consegue entender: it's all fucked up.

É tudo uma bagunça e você já não acha mais nada. Sequer sabe onde está, onde aquela rodovia te levou. É só um caminho, você seguiu e não percebeu quando as coisas mudaram. Mas mudaram, e mudaram muito. Onde eu estava, com quem, o que fazia? Fukin' messy, a cabeça roda, o sono vem e a vontade é parar de dirigir e parar no primeiro hotel de beira de estrada para esquecer.

Ela se foi e a bagunça é tão grande que você demora até para saber onde está sua perna, seu braço, suas vontade perdidas que eram misturadas nas dela. Só que é preciso sair dali. No meio da estrada, perdido, não dá para continuar assim para sempre. Escapou de um acidente qualquer andando na contra-mão por sabe-se lá quanto sempo sem perceber, é hora de resolver as coisas.

Onde estão as chaves? Ela estava sempre com elas nas mãos quando saíamos. Preciso encontrar de novo. Procurar pelas chaves é um saco, as malditas parecem desaparecer só para deixar você mais nervoso. Ela era importante, talvez mais do que você sequer imaginou no começo. E aí a vontade é sair pegando todas as mulheres que sejam minimamente atraentes e fazer delas suas por uma noite, talvez até menos.

Juntando as coisas, a cerveja esquentou, a vodka é vagabunda e já não dá mais para tomar que o estômago reclama. É tarde demais para lamentações, é preciso se levantar. Maldita janela sem cortina que deixa o sol esquentar demais isso aqui. Junto as coisas, uma bagunça, e parto. É hora de colocar o óculos de sol para aquela porra de sol não incomodar mais e continuar. O mundo é cheio de estradas, sempre há possibilidade de encontrar alguma que leve a um lugar bom. Se não, é ´so deixar para lá e tentar novamente. Quem se importa?