quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Justificativa

Ah sim. Apenas para deixar meus leitores (?) que a minha ausência se deve a um bom motivo: estou a me preparar para a prova da Fuvest de segunda fase. Sim, sim, passei para a segunda fase do segundo curso mais concorrido no vestibular mais concorrido do país - o que não vale absolutamente nada se o sucesso não se repetir no início de janeiro, nas provas da segunda fase.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Sorteio da Liga dos Campeões opõe últimos vencedores nas oitavas - 15/12/2006 - UOL Esporte - Futebol





Chelsea (ING) x Porto (POR): o favorito é, disparado, o time inglês. O Porto dificulta o jogo em Portugal, mas não deverá ser páreo para a grande equipe do Chelsea - embora esta não esteja em grande fase.



Bayern Munique (ALE) x Real Madrid (ESP): um dos mais equilibrados confrontos das oitavas-de-final. O Bayern tem a consistência de um time forte fisicamente e com uma defesa sólida. O Real Madrid é instável, não tem um time titular definido claramente, mas tem jogadores que poderiam ser destaques em qualquer outra equipe. Imprevisível.



Liverpool (ING) x Barcelona (ESP):
o confronto será bastante equilibrado, com leve favoritismo para o Barça. O Liverpool tem um jogo rápido e conta com um jogador muito completo em todos os fundamentos, Steven Gerard. O Barcelona tem Ronaldinho, é ofensivo e tem potencial para jogar um futebol mais vistoso. Azar do time inglês, que se classificou em primeiro mas pegou o mais forte segundo colocado.



Lyon (FRA) x Roma (ITA): confronto equilibrado, mas o Lyon é favorito. A equipe da capital italiana vem muito bem no campeonato nacional e conta com uma equipe equilibrada. Já o time de Juninho Pernambucano está liderando com folga o campeonato francês, como, aliás, acontece desde a chegada do meia, 5 anos atrás. O Lyon pode ser hexacampeão francês (seguido!) esse ano, mas ainda busca se firmar no futebol internacional.



Valencia (ESP) x Internazionale (ITA): este é um duelo que já rendeu brigas. Adriano se desentendeu com um jogador do Valencia na 2004/2005 e acabou expulso de campo, com uma suspensão pesada. A Inter é favorita pelo elenco que tem e pela boa campanha no nacional (é lider da competição). Mas o Valencia é uma das melhores equipes da primeira fase e deve engrossar o molho da macarronada.



Manchester United (ING) x Lille (FRA): um dos confrontos mais fáceis. A equipe inglesa teve sorte no sorteio ao cair com a das pior equipe entre os classificados. O Manchester deve passar à próxima fase.



Arsenal (ING) x PSV Endhoven (HOL): a equipe holandesa tem feito boas campanhas nos últimos anos e, no ano passado, só foi eliminada pelo Milan pelo gol fora de casa. O time dos brasileiros Gomes e Alex é muito forte jogando dentro de casa. Já o inglês Arsenal vem de um vice-campeonato europeu no ano passado, quando perdeu a decisão para o Barcelona. A equipe é basicamente a mesma, o que cria uma expectativa grande em relação ao seu desempenho. Confronto sem favorito.



Milan (ITA) x Celtic (ESC): a sorte do time italiano não se restringiu à primeira fase. Depois de cair no grupo mais fácil da fase de classificação, o Milan também teve sorte no seu adversário nas oitavas-de-final. O Celtic é uma das principais equipe escocesas - o que não significa muito. Os escoceses, aliás, jamais venceram um jogo sequer fora de casa na Liga. Mesmo estando em má fase, o Milan tem tudo para passar às quartas.







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É hoje que eu vou saber se o ano de estudos foi ou não suficiente. Se ainda há esperança ou se mais um ano será necessário. Se o sonho está mais perto ou mais longe.

Mas isso tudo só às 13 horas.

tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac.

Nível de concentração no trabalho: baixo.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Vestibular II, a missão

PUC 2007



Exceção feita à Matemática e Física, tudo correu muito bem na prova da PUC ontem. Aliás, segunda prova, dissertativa - a primeira foi na semana passada, dia 3.



A prova da PUC é um primor em beleza e elaboração textual. Uma pena ser tão cara, pois eu gostaria muito de estudar lá novamente.





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terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Não é brinquedo não!

As discussões (e especulações) sobre os videogames da nova geração causam alvoroço na Internet. As três maiores fabricantes de hoje, Microsoft, Nintendo e Sony, lançaram recentemente o XBOX 360, o Wii e o Playstation 3, respectivamente. Enquanto o XBOX 360 saiu à frente dos demais no lançamento - com um hardware poderoso e jogos bastante interessantes -, o Wii aposta tudo na interface inovadora do seu controle. Já o Playstation 3 herda uma grande responsabilidade: o de ser a principal máquina do meio nos últimos 11 anos.



O Xbox 360 foi o primeiro a ser lançado no mercado. A Microsoft se preparou muito para entrar no mundo dos consoles, e o fez triunfalmente com o Xbox. Agora, a nova versão do console aposta nos jogos online e em uma capacidade gráfica espantosa. Os jogos são bastante interessantes, os recursos online parecem agradar os jogadores e ter a Microsoft - uma empresa que não entra pra perder em lugar nenhum - sempre ajuda.



A Nintendo vêm de uma experiência muito ruim. Foi a única a lançar um console de 64 bits, o Nintendo 64. Embora não tenha sido um fracasso, não conseguiu destronar a Sony do posto de líder, ainda que o Playstation II tenha chegado bastante tempo depois. Um dos maiores problemas do Nintendo 64 fori a ausência de jogos realmente bons. Os jogos com estilo mais infantil e "familiar" da Nintendo conquistam um certo público, mas não os grandes consumidores do segmento. É um dos problemas que a empresa japonesa terá que resolver para não enfrentar novamente no Wii.



A inovação - uma marca da Nintendo - marca o novo capítulo em busca da recuperação de empresa número 1 em games. O novo console, além de mais potente - como se espera de qualquer máquina da nova geração -, traz a maior novidade em termos de interface dos últimos anos - talvez das última décadas. Um controle totalmente diferente, que capta os movimentos e os utiliza para os jogos. O sistema é altamente arriscado: pode ser a maior invenção deste início de século XXI, com a resolução de um dos maiores problemas dos computadores e videogames: a interface. Ao mesmo tempo, pode ser um grande desastre se não for fácil de usar.



O Playstation III traz em seu nome uma grande responsabilidade. Lançado em 1995, o Playstation foi o pontapé inicial da Sony no mundo dos games. O sucesso foi estrondoso. Alcançou a liderança com jogos de alta complexidade e explorando ao máximo os gráficos. O Playstation II continuou com o reinado da Sony, que só não aumentou pela entrada da Microsoft no meio. O PLaystation III é o hardware mais poderoso e traz a maior expectativa entre os três. Talvez por isso tenha sido a maior decepção até agora. Mas a disputa não terminou. É esperar pra ver.



Outer Space - Games, PC, Xbox 360, Playstation 3, PSP, Nintendo DS, Wii - http://www.osgn.com.br





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segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

quinta-feira, 30 de novembro de 2006





Prefeitura estuda fim do bilhete único e das gratuidades :: Estadao.com.br



A complicação se estende. Preço menor sem integração ou preço maior com integração?



Dois pontos:

  1. O usuário não pode arcar com a gratuidade das passagens de idosos e deficientes físicos. Quem deve arcar é o Estado (nesse caso, a prefeitura);
  2. Integração entre ônibus e metrô, com o atual número de linhas, é inviável. Torna o metrô um suplício aos usuários.





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tá. e daí?



Porque ela é simplesmente excelente. Vale a visita!





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quinta-feira, 16 de novembro de 2006

O abuso do transporte paulistano

Folha Online - Cotidiano - Gestão Kassab deve anunciar hoje tarifa de ônibus a R$ 2,30 - 16/11/2006

Um aumento de 15%, bem acima da inflação. Ou será que a inflação é um dado maquiado para não vermos o que realmente acontece? Não sou poucos os que dizem que a inflação é uma farsa. É possível. Mas o que é realmente provável é o aumento abusivo de acordo com o interesse das empresas - cada vez mais interessadas no lucro e menos preocupada com a qualidade. Fruto, entre outros fatores, da privatização. Como não é bem fiscalizada pela prefeitura, as empresas de ônibus fazem o que querem, como querem. A tarifa torna-se mais abusiva. Os gastos com transporte na cidade aumentam em uma proporção não condizente com a realidade dos aumentos de salário (isso ainda existe?).



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segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Falta pouco para o tetra!

Engraçado pensar que a última vez que vi meu time ser campeão brasileiro eu sequer sabia a escalação. Nem sabia direito quem jogava onde... Só sabia que tinha um tal de Raí que era o nosso ídolo. Aliás, se tornaria o maior ídolo que tive no futebol durante a minha infância. Sim, porque o maior ídolo mesmo era, sem dúvida nenhuma, Ayrton Senna. Por ele comecei a assistir as corridas que vejo até hoje.

Voltando ao futebol, chego às lembranças dos títulos mundiais, quando já sabia o nome dos principais jogadores e já tinha a camisa do Raí. Talvez ele tenha sido o maior ídolo são-paulino da minha geração.

Depois veio aquela seca danada, com títulos minguados como o da Copa do Campeões (um campeonato que o SBT transmitia e não levava à lugar nenhum) e alguns campeonatods Paulistas (1998 e 2000, exatamente). Aliás, foram os dois últimos títulos de Raí pelo São Paulo. Em seguida, ele se aposentou. Dava lugar para o surgimento de um ídolo que saiu precocemente e subvalorizado: Kaká. O hoje jogador do Milan surgiria em 2001, na final do Torneio Rio-SP, contra o Botafogo. Entrou com o jogo no fim, fez dois belos gols e começou sua trajetória profissional - sucesso mundial no Milan hoje.

Hoje, o capitão e maior ídolo do time é Rogério Ceni. O goleiro é o símbolo da nova geração tricolor, essa que nasceu acostumada a ver o time ganhar. Uma torcida que não suporta o time jogar mal, perder. Um time que tem Mineiro, um símbolo da mordenidade do futebol e Josué, seu companheiro não menos técnico. Um time que tem os desacreditados Souza e Danilo, com características bem diferentes e importância muito parecida. Danilo, aliás, deve deixar o clube no fim do ano, desvalorizado pela torcida, para brilhar em algum time europeu.

Domingo, que venha o tetra para podermos vibrar como há 15 anos não fazemos. E que seja bonito!


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domingo, 29 de outubro de 2006

Será que todo dia vai ser sempre assim?

Há meses que venho na mesma balada: acordo cedíssimo, corro com o trabalho durante o dia todo, vai pra aula à noite. Chega o tão sonhado fim de semana! É claro que ele é para... estudar!

Mas o cansaço impede que a dedicação seja plena. Abri mão de tantas, tantas coisas que eu não poderia sequer contar quantas foram. Convites e mais convites negados, programas e mais programas perdidos.

Perdidos? Não, acho que não.

Os estudos não dendem como eu queria. Aquela hora antes da aula ajuda muito. O fim de semana não rende como eu quero. Primeiro, porque o cansaço é grande de semanas bastante corridas. Segundo, porque a carga é enorme.

Venho a dizer: eu adoro estudar! Não reclamo de nada, faço porque eu gosto! E o faço porque tenho objetivo. Tenho um sonho, persigo-o com a ferocidade de um lobo à caça.

Agora, falta menos de um mês para o primeiro round, as eliminatórias que vão definir quem vai para a Copa do Mundo em janeiro. Dentro os pouco mais de 130 mil, espero estar entre os finalistas.

Inconscientemente consciente

Domingo de céu claro, poucas nuvens, pássaros cantando e sol. Acordo cedo, depois de uma rara noite de descanso. É hora de colocar as coisas em dia, buscar o caminho que chegue perto do objetivo - propositalmente colocado em um lugar quase impossível de ser alcançado, para que a busca por melhoria nunca acabe.

Hora de digitar dois número que decidem quem estará à frente do país nos próximos quatro anos. Diferente do primeiro turno, quando o voto nulo foi a sensação terrível de anti-cidadania e de-serviço à sociedade, desta vez o voto foi válido.

Falar sobre ideais e sonhos é bastante propício em um dia de eleição. Os ideais perdidos nas urnas, os sonhos que ainda são apenas sonhos na cabeça e a imensa vontade de mudar tudo ao redor. A busca, contudo, é mudar a si mesmo, aprimorar e aí sim tentar mudar tudo ao redor.

Ideologia. Palavra pouco palpável e desprezível para muitas pessoas. Que isso não existe na maioria eu até entenderia, embora acredite que as ligações que foram cortadas. Assim como os sonhos. Ninguém é capaz de destruir nossos sonhos, a não ser nós mesmos. O que nos tiram é a esperança de alcançá-los, chegar onde nossas mente nos leva quando fechamos os olhos.

Esta foi uma noite que mil coisas passaram pela minha cabeça. Da morte de um primo, um jovem com um quarto de século vivido, à preocupação por se preparara bem para a batalha que se aproxima cada vez mais - já falta menos de um mês. Além de preocupações, digamos, menores, tais como olhos que passeiam pelos sonhos, sorrisos que dão alegria, beleza admirada de longe, desejos guardados secretamente, beijos que vagam apenas no fechar dos olhos, no mundo de Orfeu.

Ainda há o fardo durante a semana, a loucura, a raiva, insanidade, ódio, desgosto, desmotivação, infelicidade. Tudo junto em um mesmo pedaço de lugar, onde tudo parece conspirar contra. Um lugar de paredes brancas, pintadas mentalmente de vermelho com meu sangue, arrancado sem meu consentimento. A mais-valia de Marx vivida cada dia, com a crueldade dos donos de fábrica do início da Revolução Industrial. A necessidade me faz suportar todo o peso que esse fardo traz. Falta pouca, digo a mim mesmo.

Limpo a mente para me dedicar onde preciso. Tento escapar da dor de perder alguém de seu próprio sangue, mesmo que não seja tão próximo. Tento me esconder das cerimônias de lamentação coletivas e me dedicar aos prismas, cones, cilindros, reações orgânicas, genética, elétrica, movimentos uniformemente variados, colisões, conflito árabe-israelense...

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Nem sempre há um fim

Cazuza - O Tempo Não Pára
composição: Breno Luz / Rafael Luz

Disparo contra o sol 
Sou forte, sou por acaso
Minha metralhadora cheia de mágoas
Eu sou um cara

Cansado de correr na direção contrária
Sem pódio de chegada
Ou beijos de namorada
Eu sou mais um cara

Mas se você achar que eu estou derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára

Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta

A tua piscina está cheia de ratos
Suas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára, não pára não, não pára

domingo, 1 de outubro de 2006

O dia da morte do voto


Esta foi, sem dúvida, a eleição mais difícil das poucas que eu já tive. Nas outras, estava tão envolvido, trabalhei como mesário tinha certeza do meu voto. Desta vez foi diferente. Desde o começo, foi difícil escolher um candidato.

Só nesta semana, a última, defini alguns dos meus votos. Mas ainda assim, a falta de definição em relação a que candidato votar para presidente me preocupava. A preocupação continou durante todo o tempo, inclusive durante votação e mesmo depois dela. Voltei para casa com um peso de não ter escolhido um candidato, mas com a consciência que este foi um voto escolhido.

Não sou dos que acham que voto nulo é protesto. Para mim continua sendo abstenção. Por isso me senti tão mal ao me ver na situação de não gostar de nenhum candidato e ter que usar deste artifício.

Para todos os demais, consegui votar - ainda que com muita dificuldade. O peso do voto nulo me atormentou durante toda a campanha. Não me arrependo. Mas é muito difícil chegar a essa situação política no país.

Mais difícil ainda será votar no segundo turno. É muito difícil ponderar os lados, todos os itens que devem ser estudados. Pelo menos eu já sei em quem eu não votar - o que significa saber se meu voto será válido ou não.

E dá-lhe sentir-se mal novamente por isso.

domingo, 24 de setembro de 2006

Aqui jaz... Meu voto.

A uma semana das eleições, continuo sem ver muitas opções. Se normalmente já é difícil votar para deputados e senadores, hoje em dia é ainda mais. Presidente e governador também são cargos sem muitas opções.

Para o planalto nacional, temos a opção da continuidade de um governo que, embora não tenha sido ruim, foi absolutamente corrompido pela corrupção - muito embora esta já vinha do governo anterior, mas o simples fato de entrar no esquema já descredencia qualquer um. Sem contar as medidas boas a curtíssimo prazo e péssimas a longo prazo. Leia-se: bolsa-família. Como medida paleativa, é aceitável e até boa. Mas sem uma sólida política social que municie quem recebe a não precisar desse auxílio, a medida só torna estas pessoas dependentes dessa ajuda, o que é muito pior do que não ajudar. Embora o governo não tenha sido ruim, infelizmente não dá pra confiar no partido.

Temos o candidado tucano. O caso deste se resume de forma mais simples: política neoliberal. Um tipo de política que particularmente não me agrada. O governo anterior a este "liberou geral" a criação de universidades e afrouxou a avaliação do MEC sobre os cursos. Tudo para termos mais cursos universitários, mais formados e aumentarmos o nosso índice de graduados no país - um índice que eleva os "pontos" do país no mercado internacional. Enquanto isso, a Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio são corroídos e cada vez menos eficientes. Isso chama-se segregação: quem pode pagar escola particular entra com um mundo de vantagem na disputa por uma universidade pública. O conceito se inverte: universidade pública passa a ser para elite, enquanto que universidades particular passam a ser para pessoas com menos condições financeiras.

Temos ainda a candidada que foi do partido do presidente, mas se desligou por votar contra o próprio partido. Seria uma esperança se não houvessem tantas contradições. Ela é marxista e é cristã. Impossível ser os dois ao mesmo tempo. Marx era ateu. Ela é a favor dos movimentos femininos, mas é contra o aborto. Vai a passeatas gays, mas é contra o casamento destes, "por ser uma questão religiosa". Dizem que a política econômica dela é radical - ela é contra ter tanta dívida interna e defende juros muito mais baixos, ainda que seja por decreto. Nesse ponto ela acerta, embora os neoliberais fiquem tremendo de medo de perderem suas posses.

A uma semana da eleição, penso em pela primeira vez na vida anular meu voto. Todos os seis votos - deputado estadual e federal, senador, governador e presidente. Um ato que eu sempre defendi ser contra os princípios de cidadania. Eis que a vida quer mostrar que pode ser justamente o contrário.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Ideologia

Lobo define para você: palavra extremamente fora de moda, usada por Cazuza como título e como tema de um de seus sucessos (isso mesmo, aquele dos anos 80 e início dos anos 90).

Quem tem isso hoje em dia? Partidos políticos certamente não. Votava no PT por ideologia. Esta mesma que foi rasgada e jogasda no lixo. Antes, outros partidos já haviam feito. Os neoliberalistas destruíram, pouco a pouco, o nosso sistema educacional. Tornaram nosso país dependente de investimentos externos. Ficamjos reféns de empresas mulgtinacionais, como a Volkswagen, que com uma simples ameaça de demissão em massa consegue dobrar o governo.

Ideologia?

  • Acreditar que o mundo pode ser melhor sim
  • Fazer de tudo um motivo para externar seus pensamentos
  • Ter objetivo de vida.
  • Acreditar no amor
  • Escolher uma profissão por amor, mesmo sabendo que será pobre para o resto da vida
  • Lutar paradefender o que acredita
Chega, que daqui a 4 horas o despertador toca.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Rota 66

Você já se sentiu escolhido?

Há situações na vida que nos sentimos assim. Quando íamos jogar futebol com os amigos, e alguém te escolhia para o time. Ou quando você é eleito representante de turma na escola. Há também aquele trabalho que te escolhem para apresentar. Um emprego, às vezes, onde somos escolhidos.

A maioria das pessoas escolhe a profissão. Escolhe, diga-se de passagem, com muito custo. Dúvidas e mais dúvidas são freqüentes, e não é difícil encontrar quem resolva mudar de rumo muito tempo depois de já ter escolhido.

Entre as razões para a escolha de uma profissão a seguir estão: campo de trabalho (traduzindo: se há emprego), remuneração ("dá dinheiro?"), status (que mãe não adora ter filho o médico, engenheiro ou advogado?) e até influência dos pais. Uma minoria se preocupa com vocação.

Vocação é diferente de talento. Ser talentoso sem dúvida é determinante na escolha de uma profissão, mas não é uma necessidade. Os talentos naturais podem aparecer só depois da escolha, ou mesmo serem desenvolvidos. Há pessoas que se dariam bem em diversas áreas. A questão da vocação é justamente a sua vontade, suas preferências, aquilo pelo qual você se interessa mais.

Escolhi aquilo que achei mais interessante. Fiz o que eu achei que devia fazer. E não me arrependi! A profissão que eu escolhe sequer é uma profissão, até porque não se encaixa no conceito atrasado de emprego - algo em extinção, ao menos no modelo de hoje. Escolhi, mas faltava algo.

Já sentiu aquela alegria imensa por fazer algo tão bem que alguém te diz: "você nasceu pra isso"? Senti isso no segundo ano da faculdade. Uma matéria que envolvia jornalismo. escrevi tantas matérias quanto eu queria, tinha uma facilidade e um gosto enorme por aquilo. Pensei em fazer, então jornalismo. Abandonar meu curso e fazer. Fui desestimulado, e terminei o meu curso - que é também comunicação, inclusive.

Àquela altura, eu já tinha sido escolho. Não escolhi a profissão, ela veio até mim. Uma professor de redação, ainda na 5ª série, me dizia: "você tem que ser jornalista!". Não dei ouvidos a ela, e tive que ouvir da minha orientadora de TCC, já no último ano da faculdade: "quando eu te vi, vi um jornalista".

Comecei a traçar a estratégia para conseguir ser jornalista formalmente. Sim, formalmente. Afinal minha alma é de jornalista, meu texto é de jornalista, meu pensamento é de jornalista. Voltei-me para os estudos, para tentar passar no vestibular mais concorrido do país. Eu, que nunca tinha feito cursinho, resolvi fazer. Depois de formado na faculdade.

Quatro meses de estudos se passaram, e a metade da preparação já foi. Fiz a inscrição na carreira 242, curso 66. O curso com nota de corte quase igual à medicina. Mais de 60 candidados por vaga. Mas que o meu sonho é muito maior.

Estou na Rota 66.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

A vitória de um ponto

Algumas vezes nos deparamos com situações claramente injustas. Vemos ostentação nos bairros ricos das cidades e miséria nas periferias. Vemos gente trabalhando de sol a sol para não ganhar nem o mínimo de dignidade, e vemos o congresso nacional pagar um "extra" de R$ 20 mil para os deputados por ter que trabalhar nos dias de folga da semana (e não é sábado ou domingo).

No caso de hoje, a injustiça foi bem menor, esportiva, e aconteceu no Morumbi. O clássico Majestoso, entre São Paulo e Corinthians, tinha elementos para ser um grande jogo. Amoroso, que até ano passado era ídolo do São Paulo, estreava pelo Corinthians. Magrão, símbolo palmeirense, também vestia a camisa do avi-negro pela primeira vez. E ainda tinha a estréia de César, lateral que iniciou a carreira no São CAetano e com grande capacidade técnica.

Tudo para ser um jogo eqüilibrado. Mas César foi expluso com 5 minutos de jogo, após uma violenta agressão em Souza. Eduardo Ratinho também acabou expulso depois de dar um carrinho por trás no atacante são-paulino Thiago. Com dois jogadores a menos e com 3/4 do jogo ainda por jogar, todos apostaram que o São Paulo venceria o jogo. A história quis que não.

A valentia corinthiana fez um muro em frente ao gol, e impediu qualquer ação ofensiva do São Paulo. Praticamente não houveram lances de grande perigo, embora o São Paulo tenha chegado a chutar uma bola na trave, e tenha algumas chances. As duas oportunidades mais claras do jogo foram do Corinthians, nos pés de Rafael Moura.

No fim, Amoroso e Rafael Moura, atacantes, estava jogando de volantes. Todos atrás, em um jogo de ataque contra defesa. E a defsa venceu, com a valentia que os corinthianos exaltam.A cada bola tirada, a torcida comemorava como se fosse gol. A cada carrinho, cada roubada de bola, um grito, a vibração. O São Paulo, desesperado, nada conseguiu fazer.

No fim, um injusto empate sem gols, que foi vitória para o Corinthians, derrota para o São Paulo. Rafael Moura quase fez um golaço, em contra-ataque no fim do jogo. O Corinthians teve dois jogadores expulsos justamente - e talvez este tenha sido o combustível que fez o time ganhar tanta força. O time ainda está mal das pernas no campeonato, mas a moral subiu tanto quanto a posiç~´ao do adversário "derrotado" ontem: 1º lugar.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Utopia e neoliberalismo

No meio do feriado, um dia útil (?). E nas ruas de São Paulo, a sensação que a vida deveria ser assim todos os dias: movimentado, mas sem o caos que já virou característica da cidade. O feriado mostra que a cidade está saturada de pessoas.

O jornal Agora São Paulo, um veículo popular da capital paulista, estampou em sua capa o crítico problema do metrô paulistano. Segundo dizia a chamada, a integração entre ônibus e metrô - promessa de campanha do cadidato tucano José Serra - aumentou o número de usuários do metrô em 12%. Ainda segunda a matéria, o número de passageiros por metro quadrado subiu para 8, dois a mais do que o limite considerado "tolerável".

O aumento foi sentido principalmente na linha 3 do metrô, que atende a zona leste da cidade. O problema na região é crítico principalmente por conta dos inúmeros "bairros dormitórios". A integração entre metrô e trem, ocorrida ainda no governo da petista Marta Suplicy, já aumentou muito o número de usuários no metrô. Marta não realizou a integração entre ônibus e metrô por receber análise de especialistas dizendo que o metrô não suportariao aumento.

Mas veio o governo tucano. José Serra usou a integração como promessa de campanha - o que de certa forma confirma que a petista realemnte melhorou muito o transporte. Serra então efetivou a promessa, integrou metrô e ônibus e provocou um aumento que pouco a pouco leva o metrô ao colapso diário. Qualquer ocorrência inviabiliza o transporte e prejudica milhares de pessoas.

É fácil tomar esse tipo de decisão e andar de carro todos os dias. Pior: tomar essa decisão e abandonar a prefeitura no meio do mandato - algo que o tucano prometeu veementemente que não iria fazer. A força de vontade para cumprir a promessa foi tão grande que Serra tentou ser o candidado do PSDB à presidência e, frustrado, se contentou em disputar as eleições como candidato a governador do Estado.

Serra só tornou essa medida real para ganhar popularidade. Mas quem pega o metrô todos os dias sabe que ao invés de resolver, só piorou a situação.

Depois tem gente que não gosta que eu fale que os tucanos neoliberais são elitistas.

E lá se vai a sexta-feira utopicamente ideal.

segunda-feira, 4 de setembro de 2006

Sonhos que se tornam sonhos

Em meio às loucuras diárias, ainda encontro tempo para criar pensamentos insanos. Volto pra casa tarde da noite, andando pelas ruas razoavelmente escuras, mas ainda assim volta e meia ando escrevendo. Isso mesmo: eu caminho e escrevo pensamentos no meu bloco de papel. Uma maneira rápida e eficiente de colocar suas idéias em forma de palavras.

Sou um contador de histórias por natureza. Não histórias mentirosas, mas histórias da vida, das coisas, do mundo. Mundo que eu vivo, mundo que eu crio, mundo que eu não existo.

Depois de escrever um texto chamado "sonhos" na volta pra casa, em um dia qualquer, muita coisa aconteceu. Os sonhos escritos no papel ganharam tamanha força, que não posso controlá-los. O incrível é que o que eu escrevi saiu da metáfora direto para uma noite de sono neste fim de semana.

O sonho se tornou sonho, se é que me entende.

E dá-lhe noites sem dormir, pensando no sonho. Sonho acordado, porque meu sono é tão curto que sequer dá tempo de chegar ao inconsciente. Foi só ter um pouco de tempo (ou horas de sono), que chegou. E vivi o sonho em uma realidade só minha, onde as cores eram claras, a música era Marisa Monte, e o sabor era chocolate.

Vai dormir Felipe! Levante, porque poucas horas te separam da realidade muito mais triste.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

business in not my business

Eis que as coisas não caminham como eu esperava. Mudei de trabalho, pasei a ganhar menos achando que faria algo em prol da minha carreira, trabalharia com algo que gosto.

Errado.

O fato de ganhar menos incomoda pouco. O que realmente incomoda é o fato de largar um trabalho que eu gostava para arriscar em algo novo que não era o que eu esperava. Ganhar menos é só mais um fator.

Uma das causas da minha não-adaptação?
Essa coisa de negócios, vender tudo que pode, ir para o cliente e tratar de negócios diretamente... Isso não é pra mim. Sou idealista. Sou jornalista - ainda que sequer tenha feito jornalismo ainda.

Além de tudo isso, esse novo trabalho me consome muito mais tempo e energia, pois tenho que aprender tudo daqui, da nova função, do trabalho, da empresa. Isso passou a me prejudicar mais na luta para passar no vestibular mais concorrido do país e poder cursas jornalismo.

Pronto, agora mexeu com um sonho. Preciso de mais algum motivo?

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

Despedidas . . .

Eis que chegou o último dia no meu trabalho. A partir de segunda, as coisas serão totalmente diferentes, outro lugar, outras pessoas, outro tipo de trabalho. Opção que fiz pela minha carreira, pelo que considero melhor nesse sentido.

Mas a saudade que batia constante e fraca, agora aperta intesamente. Sequer saí daqui ainda, mas já sinto falta. Um lugar onde gosto do trabalho, das pessoas, do ambiente. Onde criei amigos. Onde trabalho com a mulher que mudou minha vida, e que inevistalmente a distância nos separará.

Meus olhos lacrimejam desde o momento que cheguei aqui, logo pela manhã. E se continuar assim, logo vou desabar em lágrimas, que deveriam ser apenas de alegria, mas são também de saudade.

Adeus Rede do Saber. Já sinto falta de tudo.

quarta-feira, 2 de agosto de 2006

alfinetada

Se a CBF fosse a FENAJ [Federação Nacional dos Jornalistas] iria exigir diploma de treinador para o novo técnico da seleção...
por Kelly Coelho aqui

Parque do terror

Às vezes a vida me lembra o porquê de eu preferir ir a qualquer lugar de metrô, preterindo os ônibus. E faz isso de forma não muito agradável.

Quando já faltava pouco para o fim das 24 horas do dia, me encontro na Bela Vista. Resolvo voltar pra casa usando o caminho que me pareceu mais fácil e rápido daquele ponto da cidade: ônibus até o famoso Parque Dom Pedro II, e dali mais um ônibus pra casa. Os dosi percursos são rápidos, então, me pareceu a melhor opção. Até porque de metrô teria três baldeações.

Terra de ninguém. Uma terra vazia, cheia durante o reinado do sol, solitária no reinado da lua. Aliás, habitada por poucos e pobres seres. Pequenas fogueiras, barracas fechadas - o Parque Dom Pedro II durante o dia é um mar de barracas -, escuro, frio. Muitas linhas, para diversos lugares. Procuro uma que me sirva - tenho mais de uma opção. Encontro uma.

Entro na fila do ônibus, e rapidamente entramos. Uma pessoa na minha frente pede para passar por baixo. Maltrapilho e cheirando muito mal, o cobrador se sente constrangido, mostrando que a situação claramente o incomoda. Mas ele permite.

O motorista entra em cena. Nas ruas vazias de uma cidade na hora da lua, acelera, e muito. Quase tira o ônibus do chão nas curvas, dando a impressão que uma hora o danado vira.

Desço no meu ponto. A avenida vazia, poucos carros, poucas pessoas. E penso:
"agora me lembro o porquê de o metrô ser melhor"

segunda-feira, 31 de julho de 2006

Spider Man 2

Crise existencial. Não saber qual é o rumo a tomar, ou o que fazer. O amor por uma mulher que vai se casar com outro. Confiança, que ficava em alta, agora abalada.

Eis que da crise surge a certeza. Não há nada pior do que a incerteza. Ao passo que ela acabou, tudo passa a se inverter, e passar de problema a solução. Volta da confiança, dos poderes, das responsabilidades, obrigações... Mas ainda há o amor por uma mulher que vai se casar.

Impasse?

A noiva foge da igreja. Sequer aparece por lá. Corre com seu enorme vestido branco pelas ruas, até chegar a um rapaz de óculos, a quem ela já disse amar. Extasiado, ele mal acredita no que vê. A mulher que ele ama, e que via casar-se com outro, agora estava ali, com ele, dizendo que o ama.

Com Peter Parker e Mary Jane funcionou. Pena que a coincidência não chegou a tanto.

terça-feira, 18 de julho de 2006

Fora de moda

Ouvindo aquela música "Tem dias" da banda Ksis (ok, não é uma grande banda, mas a música é divertida!), me identifiquei.

Não gosto de badalação na balada. Aliás, não gosto de balada. Curto outras coisas muito mais. Implico com o português dos outros. Adoro passar o dia vendo futebol na televisão. Deixo a braba crscer até ficar quase insuportável. Gosto de trabalhar. Gosto de estudar. Sou romântico. Não gosto de grude. Sou desencanado. Gosto de tudo arrumado. Me valorizo. Acho difícil me apaixonar. Me apaixono por casos impossíveis. Não perco a esperança. Sou teimoso. Gosto de ouvir música do Garbage, mesmo que pouca gente conheça.

É, devo estar mesmo meio fora de moda.

Tudo bem, não é uma letra filosófica, nem tem a melhor das melodias. Oras, mas estado de espírito, sabe como é?

Isso é identificação também.

Sei lá porque eu pensei nisso no meu segundo dia de férias... Aliás, férias de 5 dias. Restam 3.

segunda-feira, 10 de julho de 2006

É tetra!


Durante toda a Copa, a Itália não jogou exatamente ao seu estilo. Exceção ao jogo contra Estados Unidos - um empate sem graça com a expulsão de De Rossi por agressão -, a Azzurra foi um time aguerrido e agressivo no ataque. Não que tenha sido um time ofensivo - é a Itália, não esqueçam! -, mas um time que conseguia envolver o adversário quando quis.

Na final não. O time italiano foi bem... italiano. Jogou trancada atrás, com a melhor defesa do mundo dando espetáculo. O ataque foi lento, pouco participativo - muito em função do estilo de jogo da Itália.

É verdade que a França teve mais qualidade quando chegou ao ataque, principalmente por ter mais talentos individuais do que a squadra azzurra. A valentia e a competência italiana defensivamente tomaram conta do jogo, e o empate em 1 a 1 prevaleceu até os pênaltis. Foi tudo que a Itália quis. Converteu todas as cobranças, e sagrou-se tetra campeã mundial.

Pela segunda vez, uma decisão de Copa nos pênaltis. Pela segunda vez, o país vencedor da disputa é tetra.

domingo, 9 de julho de 2006

O Zizou Azzurri

Berlim - A Itália busca hoje colocar fim a um jejum de títulos. Desde 1982, ano que em que se sagrou campeã mundial pela terceira vez, a Azzurra não vence uma Copa do Mundo.
O sucesso do time de 2006 passa muito por um único personagem: Marcello Lippi. O Técnico, que antes da Squadra Azzurra comandou a Juventus, mudou o jeito da Itália jogar. O sempre muito comentado catenaccio - jogo muito defensivo que caracterizou o futebol italiano por muito tempo - foi deixado de lado. Não totalmente, claro, mas o técnico conseguiu fazer a Itália ser perigosa ofensivamente.
Daqui a pouco começa a decisão entrre Itália e França. O sucesso italiano tem muito a ver com seu camisa 10, um dos principais astros da squadra, mas que ainda não brilhou no mundial: Francesco Totti.
Totti é daqueles jogadores raros: aos 29 anos, nunca defendeu outro clube além da Roma - que o meia já declarou muitas vezes ser o seu time do coração.

Nesta Copa, o astro romano pretendia ser um grande destaque. Uma contusão em fevereiro complicou a situação, e Totti chegou ao mundial da Alemanha ainda contundido. A suas atuações não tiveram brilho. Chegou até a ser reserva. Mas fez também partidas boas, como a semifinal contra a Alemanha. Não foi brilhante, mas ajudou o time a chegar onde chegou.
Chegou a hora de brilhar. Totti exerce o mesmo papel de Zidane. Se o craque italiano conseguir desempenhar seu futebol, dificilmente a Itália vai ficar chupando dedo por mais quatro anos.

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Allez le bleus

Um futebol eficaz, sem grandes brilhos, mas com a beleza necessária para uma vitória calma.

Calma? Bom, nem tanto. Portugal tentou sofocar os "bleus". Em algumas poucas ocasiões, até conseguiu criar algum perigo. A França se segurou, jogava no contra-ataque ou com um toque de bola no meio-campo.

Os bleus criaram alguns problemas para a defesa de Portugal quando atacavam com passes incessantes no meio-campo. Em uma destas trocas de passes, Henry driblou o zagueiro Fernando Meira, que o derrubou. Pênalti convertido por um jogador que deu dois passos para a cobrança, jogou no canto direito do goleiro e saiu para a comemoração: 1 a 0 França, gol de Zidade.

O organizado e concentrado time da França teve vontade e competência para se manter à frente no placar até o fim do jogo.

Na final, teremos um jogo de campeões do mundo: a tri Itália contra a campeã França. A Itália parece em um momento melhor, tem um time mais incisivo e muito equilíbrio. Mas em jogo de campeões de mundo em uma final de Copa, não dá pra dizer que um é favorito.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Coincidências...

Alguém lembra onde foi a Copa de '90?
Isso, foi na Itália.

Alguém lembra quem foi a seleção campeã?
Alemanha, isso mesmo.

Quem lembra qual foi a última vez que todos os semifinalistas eram europeus?
1982, na Copa da Espanha. Os semifinalistas foram Itália, Alemanha, França e Polônia.

Quem foi a campeã daquela Copa?
Itália, ao ganhar da Alemanha na final.

Sacou as coincidências?

L'Italia va avanti

Semifinal de Copa do Mundo. Alemanha, país-sede, melhor ataque, empolgado e com um time ousado.

Itália. Sempre acusada de jogar o "catenaccio", o jogo de resultado, feio, com goleadas por 1 a 0. Um time que ainda não pegou nenhum adversário de tradição (porque não concordo que não tenha enfrentado adversário fortes, haja visto seu grupo).

Um jogo truncado, sofrido, fechado. Domínio da Itália, com controle do meio-campo e algumas jogadas ofensivas. A Alemanha esbarra na forte, fortíssima marcação italiana. Entenda bem: forte marcação. Sim, pois ter a melhor defesa não basta, tem que saber jogar como tal. E jogou.

Cannavaro. Um zagueiro de 1,75 m e altura. Um gigante. Instransponível. Buffon. Um muro de pedra. Gattuso. Um carrapato, às vezes tão chato que até morde.

Totti. Uma estrela apagada durante a Copa. De fato, não brilha. Mas o toque de classe, seus passes eficientes e a visão de jogo contribuem muito para a equipe.

Um time ousado partiu pra cima do adversário em plena prorrogação. Acabou com o que é de praxe: times cautelosos, com medo de perder e não ter tempo de buscar o resultado.

Primeiro, o técnico italiano tirou um jogador de meio-campo, Camoranesi, para colocar um atacante, Iaquinta. Na prorrogação, o técnico chama Del Piero, meia-atacante. O pensamento geral foi: "Sai o Totti". O técnico saca Perrota, outro meio-campista. A Itália, do jogo de resultados, do "catenaccio", jogava com um "quadrado mágico": Totti, Del Piero, Iaquinta e Gilardino (que entrara no lugar de Luca Toni, no fim do tempo normal).

O futebol acabou premiando o jogo mais incisivo, mas ofensivo. Não, não no tempo normal: empate sem gols. Na prorrogação, uma batalha, com chances para os dois lados. Até que que tudo parecia encaminhado para os pênaltis.

Depois da cobrança de um escanteio, Pirlo, um dos destaques da Azzurra, faz uma assistência belíssima ao lateral Grosso, que chuta com curva e marca um bonito gol. Isso aos 14 minutos da prorrogação.

Desespero alemão.

Cannavaro. O zagueiro intercepta o ataque alemão, e puxa o contra-ataque italiano. Bola com Totti, que lança Gilardino. O atacante espera, toca para Del Piero, que com categoria, bate no ângulo.

Azzurra na final, em busca do tetra!

segunda-feira, 3 de julho de 2006

nó tático

Dentre os muitos comentários sobre a seleção que eu ouvi, destaco o melhor, disparado:
O problema é que o Parreira não joga Winning Eleven, por isso ele não entende de tática!

domingo, 2 de julho de 2006

Os melhores do mundo

Foi uma aula de futebol. A arte vence o anti-jogo. O jogo bonito venceu o jogo "de resultados".

O jogo foi um desfile de classe de um camisa 10 que provou, mais uma vez, que é o melhor do mundo. A classe com que dominava a bola, com que fez passes, deu chapéus, arrancou no meio-campo, fez assistências e cobrou faltas com bastante precisão.

Foi o jogo de um time que impôs o seu ritmo de jogo, ditou o que quis no jogo. Um time seguro de si, com grandes jogadores, e uma das maiores médias de idade entre as seleções da Copa. Tem alguns dos melhores jogadores do mundo. Não começou bem a Copa, mas é um time que sempre deve ser respeitado - como todos os campeões do mundo.

Parabéns ao melhor do mundo. O mágico camisa 10 que fez brilhar os olhos de quem gosta do futebol bonito. Finalmente, depois de um início de Copa medíocre, ele mostrou do que é capaz. E com a classe que mostrara outras vezes.

Parabéns Zidane. Parabéns França.

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Inocência (?) da informação

Como tem "jornalista" irresponsável no mundo!

Recebi um e-mail com uma suposta entrevista com o Marcola, que é apontado como líder do PCC, dada ao jornal O Globo. Como sempre fico com um pé atrás ao receber qualquer tipo de notícia no corpo do e-mail, fui ao Google checar. O que encontrei foi um alguns poucos jornais minúsculos e muitos, muitos blogs com a publicação da entrevista na íntegra. Fui então no site da fonta, O Globo, para tirar definitivamente a dúvida.

Não estava lá. Não há qualquer entrevista com o Marcola.

Alguém acha mesmo que um criminoso diria isso?

PS: tudo não passou de uma coluna do Arnaldo Jabor.

domingo, 25 de junho de 2006

Emoções de Copa

Estou totalmente vidrado na Copa do Mundo. Talvez por demorar tanto a acontecer - a cada 4 anos -, talvez pela grandeza do evento ou, quem sabe, pela emoção que ela provoca.

Ouvi comentários de lado a lado criticando o nível técnico da Copa. Não concordo. Podemos não ter jogos brilhantes, mas ruins mesmo são poucos. Pra mim, a decepção, em relação ao futebol apresentado, é a Inglaterra. Os jogos do English Team têm sido sonolentos. Mas ganham os jogos. Depois de uma vitória sem brilho contra o Equador, agora vem Portigal de Felipão pela frente. Será que os ingleses vão resolver jogar agora?

Os portugueses mostraram sim muita batalha frente a uma Holanda com baixo poder ofensivo. Isto mesmo podendo contar com Robben, Van Pierce, Van Der Vaart e Van Nistelroy - estes dois últimos são inacreditavelmente reservas. Aliás, o atacante Van Nistelroy, considerado um dos grandes atacantes do planeta atualmente, sequer entrou no jogo. Isto mesmo: a Holanda perdia o jogo e estava sendo eliminada, mas Nistelroy sequer entrou no jogo. E a Holanda volta pra casa.

Portugal foi covarde em certos momentos, principalmente no fim do jogo. Resolveu se defender, e fez isso com muita competência. Mas correu muitos riscos, e uma prorrogação mudaria o rumo emocional do jogo. Mas o "se" não joga, e Portugal pega a Inglaterra nas quartas de final.

Dos times que jogaram as oitavas de final, apenas a Alemanha ganhou com sobras do adversário. Mandou a Suécia pra casa com um placar de 2 a 0, conquistado em menos de 15 minutos de jogo. Um começo arrasador, com uma marcação forte, ataques rápidos e uma vibração de time campeão. O crescimento do time alemão parece irreversível, e seu adversário, a Argentina, só fez uma boa partida na Copa até agora: a goleada por 6 a 0 frente a Sérvia e Montenegro. Os alemãos estão com pinta de campeões. Derrubá-los será tarefa para poucos.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

Web Copa

Impossível não falar de Copa hoje. Mesmo quem não gosta - não é meu caso, definitivamente -, a grandeza do evento não deixa que a maioria dos seres vivo com algum acesso à informação fiquem "desplugados". Principalmente em uma Copa onde a Internet ganhou caráter de mídia definitivamente.

A volta das narrativas, o ato de "contar histórias" voltou à tona. Este é um fato que se evidencia quando pensamos nas coberturas do Mundial feitos por blogs de jogadores. Nada mais do que histórias sendo contadas pelo ponto de vista do narrador-personagem.

Transmissão de todos os jogos da Copa do Mundo pela Internet. Ao vivo. É ou não é a nova mídia tomando seu espaço?

quinta-feira, 8 de junho de 2006

Parasitas?

Parasita: organismo que vive à custa de outro (o hospedeiro).
Bom negócio: aquele em que todos os participantes saem no lucro. Esqueça essa história de "se dar bem" sobre o outro ok?
Segundo a Biologia, os parasitas tendem a se tornar mutualistas, ou seja, não prejudicar o seu hospedeiro. Em alguns casos, chegam a um ponto evolutivo que inclusive ajudam o hospedeiro. A evolução dos parasitas tendem a procurar, portanto, um bom negócio.

Depois desta biológica explicação, não chamaremos políticos de parasitas. Afinal, se tem algo que eles não fazem é tender a ser benéfico a quem parasitam!

quarta-feira, 7 de junho de 2006

Ex

Engraçado como o tempo brinca com a gente. Ao mesmo tempo que chego tarde em casa por estar fazendo curso pré-vestibular (os famosos cursinhos) e que chego mais cedo ao trabalho para estudar, recebo um informativo da PUC aos ex-alunos.

Contrastes de uma vida que brinca na linha do tempo. O que vem antes e o que vem depois?

segunda-feira, 29 de maio de 2006

Equação da vida

A pergunta que permeia uma equação é:
Quais valores para a incógnita x que tornam a igualdade verdadeira?
De um lado, as escolhas que já nasceram feitas, e das quais muita gente sequer se dá ao trabalho de pensar - apenas a mantém. O outro lado se mantém equilibrado, com essa tranquilidade aparente e, muito provavelmente, "escolhida" desde o começo de tudo.

Quando queremos alguma coisa, mudamos o valor depois do sinal de igual. E quando isso acontece, é preciso balancear o outro lado. Questão óbvia, que envolve, claro, escolha e adaptação.

Eu colquei uma escolha independente, libertadora. A posse da sua própria vida. Só que para chegar a esse resultado, é preciso balancear a equação. Os valores de x tem que ser mudados. É este o balanço que agora busco, ainda sem encontrar um valor que torna a equação verdadeira.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

crise - no bom sentido

bifurcação à frente.

e não dá pra fazer como a propaganda de uma montadora, em que o personagem escolhe seguir pelo meio dois dois caminhos.

Já vejo lá a bifurcação, e nada de saber pra que lado vou. Os gregos chamariam de "crise" - um conceito bom pra eles, pois na crise temos que encontrar uma forma de nos aprimorarmos, melhorarmos mesmo.

Que eles estejam certos.

terça-feira, 23 de maio de 2006

caos nosso de cada dia

Manhã de terça-feira. São Paulo amanhece ainda mais cinza, com as nuvens carregadas e a garoa fina. Metrô cheio, com milhares de pessoas a caminho do trabalho. Eis que todos estão juntos, unidos - involutariamente, é claro -, apertados uns contra os outros em busca de um pouco de espaço.

Lá pelas tantas, o metrô abre suas portas em uma estação. Não há mais espaço, mas as pessoas insistem em entrar. Fulano empurra ciclano que empurra beltrano que empurra alguém que empurra um gordinho. Um gordinho que estava com a namorada, e que fica nervoso. Depois de uns "você é forgado", tudo volta ao silêncio.

Chega a hora do gordinho descer. Ele passa por quem ele tinha discutido - um rapaz de terno e gravata - e o empurra acintosamente. Discute, o chama de folgado, desce do metrô e o chama para a briga. O rapaz discute falando baixo. Até a porte do metrõ se fechar. Dali em diante, começa a olhar para os lados e dizer: "É, gordinho né, tem que parar de comer".

É, mas a namorada do gordinho ainda estava no vagão. Claro, começa a discutir com ele. "Você que começou", "Ele é folgado" e tudo mais. Eu com meu fone, ouvindo Garbage, e vendo no que aquilo ia dar.

As coisas se acalmam por alguns segundos, quando um ou outro diz que não vale a pena discutir. Foi o exato tempo de uma estação, até a namorada do gordinho começar a ir até a porta, para descer do vagão. Ela para exatamente atrás do rapaz com quem discutiu há pouco. A porta se abre, e ela repete o gesto do namorado, e empurra o rapaz. Não satisfeita, ela volta e acerta um daqueles tapas barulhentos na cara do rapaz. Ele reage imediatamente, e chuta a namorada do gordinho com certa violência - embora, para sorte dela, não tenha acertado em cheio. Um clarão se abre no metrô lotado. Como as pessoas arranjaram espaço em segundos? Não sei. Mas a namorada do gordinho vai pra cima do rapaz, tentando bater nele de alguma forma, mas muito desordenadamente, não acerta sequer um soco em cheio. O rapaz tentava se defender e, talvez, acertar ela também. Toca a campainha, indicando qwue a porta irá fechar. A namorada do gordinho vai com pressa para a porta, xingando o rapaz.

A porta se fecha. O metrô parte. Duas estações depois, o rapaz desce do vagão, e segue seu rumo. As pessoas se entreolham, alguns riem, outros ficam sérios.

E a vida segue nos trilhos do caos.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

entrevista do jornal Folha de São Paulo com o governador de São Paulo, Cláudio Lembro. Vale a pena ler na íntegra aqui.

Folha - O que o senhor pode dizer para um jovem de 15 a 24 anos, que vive em ambientes violentos da periferia? Que ele vai ter escola? Saúde? Perspectivas de emprego? Como afastá-lo de organizações criminosas como o PCC?

Lembo - Acho que você tem duas situações muito graves: a desintegração familiar que existe no Brasil, e a perda... Eu sou laico, é bom que fique claro para não dizerem que sou da Opus Dei. Mas falta qualquer regramento religioso. O Brasil está desintegrado e perdeu seus valores cívicos. É ridículo falar isso mas o Brasil só acredita na camisa da seleção, que é símbolo de vitória. É um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais...Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa.

Folha - Que ficou assustada nos últimos dia.

Lembo - E que deu entrevistas geniais para o seu jornal. Não há nada mais dramático do que as entrevistas da Folha [com socialites, artistas, empresários e celebridades] desta quarta-feira. Na sua linda casa, dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vai fazer protesto nada! Vai é para o melhor restaurante cinco estrelas junto com outras figuras da política brasileira fazer o bom jantar.

Folha - Tomar conhaque de R$ 900 [preço de uma única dose do conhaque Henessy no restaurante Fasano].

Lembo - Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para este país.

Dado o recado?

Crise

Um dia que parecia "normal". Em uma metrópole como São Paulo, os abalos causados pelo medo e terror da segunda-feira são graves, e não passa de uma hora para outra. Ainda assim, parecia que a cidade voltava ao seu ritmo normal. Voltava ao seu ritmo 24 horas online.

Boatos. O diz-que-me-diz de dois dias atrás, mas dessa vez à noite, em pelo intervalo entre a última e a penúltima aula. "O bicho tá pegando", dizia alguém. Entre brincadeiras e preocupação, a aula seguiu.

O trajeto até chegar em casa é bem vazio. Até porque às 23 horas as pessoasnão costumam mesmo estar na rua. Os comércios já fecharam, e em um bairro residencial, só se ouve o silêncio do vazio.

Neste dia, não quis fazer o trajeto com trilha sonora, como tinha feito no dia anterior. Queri estar 100% ligado. Afinal, tinha recebido notícias de que uma delegacia havia sido atacada em Osasco. Universidades, como a PUC, encerraram as atividades mais cedo, temendo um possível ataque noturno na cidade.

Entre um passo e outro, uma olhada para os lados. Engraçado que medo talvez não seja a palavra para esta situação. Até porque andar sozinho na rua tarde da noite não era novidade pra mim. Já trabalhei à noite, e andava sempre tarde da noite nas ruas vazias.

Tensão. Essa é a palavra. O sentimento. Andar com os olhos ligados, os ouvidos atentos a qualquer ruído.

Ao chegar na rua de uma delegacia, eu constato: algo poderia acontecer, de fato. A rua estava fechada, isolada pelos policiais. Viaturas e mais viaturas espalhadas, com policiais armados com escopetas e armas calibre 12. Todos a postos, esperando mesmo algo.

Mais 10 minutos de caminhada, e estava em casa. Sã e salvo. Não esperava nada diferente, mas a sensação de estar na rua sabendo que ataques podem acontecer não é bom. Refém da cidade em crise.

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Saindo do restaurante, na hora do almoço, vemos dois policiais na porta. Um de nós pergunta como estava a situação, após os ataques do PCC.
- Ah, agora tá tranquilo! Fizemos um acordinho com os (sic) ladrão né?

O Caos

Já se sabia dos ataques à polícia na noite de sexta, no sábado e domingo. A segunda-feira já começou com a cidade recebendo as notícias do terror que, teoricamente, o PCC estava causando.

Militarmente, a estratégia do PCC foi excelente. Ataque a postos policiais e delegacias, com rapidez e precisão, além de força. A partir deste momento, a polícia, em uma mistura de auto-proteção e vingança pelos companheiros mortos, se preparou para receber o ataque criminoso.

O ataque veio, de fato. Mas não onde se esperava. O alvo agora foram civis: estações de metrô atacasas, ônibus queimados, agências bancárias destruídas. Agora não havia mais um alvo: tudo era passível de ataque.

A segunda-feira do paulistano começou normal. Mas as notícias e os boatos sobre os ataques dos criminosos se espalhavam. As mortes, o terror, a polícia nas ruas com armamento pesado. Alguma coisa estava errada.

No meu caminho para o trabalho, policiais normalmente tomam seu café da manhã. Desta vez, havia não só um, mas dois carros de polícia. A tranquilidade dos guardas trocada pela tensão nos seus rostos, e as escopetas nas mãos.

Enquanto transcorria a manhã, mais e mais notícias sobre os ataques, além dos muitos boatos. Depois do almoço, tudo ficou pior: ataques por toda a cidade. Comércios começaram a fecham. O transporte da cidade completamente prejudicado pelos ataques aos ônibus. Não havia como se movimentar pelos principais pontos de acesso à cidade.

Movimentação. Agitação. Notícias. Boatos. Medo.

As pessoas começaram a sair na ruas, dispensados do trabalho. Não havia transporte, e o pânico estava espalhado. Com tudo isso, minha chefe falou comigo sobre eu ir para casa, por morar longe e ir embora de metrô. Me perguntou sobre outras pessoas que também moravam longe e voltam de metrô.

15:30.
Peguei o metrô na zona oeste em diração à zona leste. Muitas pessoas se aglomeravam - algo incomum para o horário. A estação Sé, a estação mais movimentada por ser ponto de encontro de duas importantes linhas do metrô, estava lotada. O abrir das portas foi o apito inicial de um jogo sem vencedores. Desesperadas, as pessoas se acotovelam, empurram, gritam, apertam, se jogam para dentro do trem.

Os boatos agora aconteciam dentro do vagão. Um diz-que-me-diz tremendo, entre reclamações e inconformação em relação a essa situação.
Estamos não mãos dos bandidos!
Assustadas, as pessoas se entreolhavam, descrentes. O que estaria acontecendo? Qual o risco? Tudo parecia que podia acontecer. O medo tinha sido espalhado. As pessoas quase corriam para casa, com medo das conseqüências da terrível noite anterior. Os comércios fechados,em plena tarde de segunda-feira. As ruas cada vez mais esvaziadas, mas cada vez mais cheia de uma aflição latente.

Ameaças. Ruas sendo fechadas pela polícia. Comércios sendo fechados por criminosos. Tensão. Tudo fechado. A maior cidade da América Latina pára e se esconde. Se esconde de um adversário terrível, sem forma, sem cor: o medo.